Os fungos podem salvar as abelhas

Por Barbara Lima Silva & Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos
Aluna do Curso de Ciências Biológicas & Prof. do Depto. de Botânica da UFSC

Figura 1. Ilustração interpretativa das interações dos fungos com outros seres vivos em um ambiente natural.
Fonte: https://fungi.com

Você já imaginou o que aconteceria se todas as abelhas desaparecessem?

A polinização de muitas plantas não aconteceria.

Tudo bem, mas qual o problema?
O problema é que as abelhas, ao levarem pólen de uma flor para outra, acabam sendo responsáveis pela continuidade da vida de várias espécies de plantas, incluindo aquelas que utilizamos para nossa alimentação. As abelhas polinizam várias plantas que cultivamos (laranja, maçã, café etc.), o que garante a produção de mais da metade dos alimentos para nossa espécie. Por isso as abelhas são consideradas atualmente um dos seres vivos mais importantes do planeta.

Então, voltando à pergunta: você já imaginou o mundo sem abelhas?
Os responsáveis pela série Black Mirror da NETFLIX, já! Sim, é uma série de pura ficção científica com histórias surpreendentes que acontecem no futuro, mas que são desencadeadas por problemáticas reais da sociedade de hoje. A série mostra que a tecnologia pode trazer consequências terríveis se não soubermos lidar com ela. Em um dos episódios, “Odiados pela Nação”, é abordada a necessidade de criação de abelhas robôs para continuar a polinização das plantas, já que as abelhas naturais haviam sido extintas.

Bom, o desenrolar dessa história é interessante e a gente não vai contar, mas gostaríamos de pegar carona nessa ficção para tratar de um problema real. Infelizmente, aproximadamente 500 milhões de abelhas morreram só no sul e sudeste do Brasil no início de 2019, segundo estimativas de Associações de Apicultura, Secretarias de Agricultura e pesquisas realizadas por Universidades. Dentre os fatores que provocam a morte das abelhas, além de certos agrotóxicos, estão as doenças causadas por vírus, bactérias e fungos. Alguns vírus conseguem infectar as abelhas através de ácaros e podem, por exemplo, alterar o desenvolvimento das asas. Essa é uma das principais causas da diminuição das colônias de abelhas nos Estados Unidos, 30% só na última década.

Ok, mas como os fungos podem salvar as abelhas?
O renomado especialista em fungos, Micólogo Paul Stamets, ficou intrigado com o interesse de abelhas em algumas orelhas de pau, que são fungos degradadores de madeira. Lá na floresta, as abelhas pareciam estar forrageando nos fungos, ou seja, pareciam estar buscando alimento. Stamets, que é um observador da natureza, não ficou satisfeito e pensou que talvez elas estivessem atrás de um remédio natural. Algum tempo depois, interessado na observação de Stamets, o Prof. Steve Sheppard, da Washington State University, juntamente com uma equipe de pesquisadores e o próprio Stamets, resolveram testar a hipótese. Para o experimento utilizaram dois grupos de abelhas da espécie Apis mellifera infectadas com vírus. Um grupo recebeu somente açúcar e outro se alimentou com açúcar e extratos de várias espécies de fungos. Os resultados são incríveis! As abelhas que tiveram contato com extratos de fungos dos gêneros Fomes e Ganoderma tiveram alta redução da concentração de vírus em seus organismos.

Ricardo DS - Fig2

Fig2. Orelhas de pau (espécie Laetiporus sulphureus) e abelhas da espécie Apis mellifera (imagem meramente ilustrativa da interação entre fungos e abelhas, pois a espécie de fungo da imagem não é nenhuma das espécies mencionadas no artigo original). Fonte: Wikipedia

O trabalho foi publicado na Scientific Reports (Nature) e, embora seja um estudo inicial, demonstra o potencial dos fungos para novas descobertas. O avanço nos estudos pode ser crucial para salvar as abelhas da extinção, mas também a nossa própria sobrevivência, já que dependemos do alimento que vem das plantas que cultivamos. Ou seja, nossa espécie depende não só das plantas, mas também das abelhas e dos fungos. Por fim, o que precisamos é de mais investimentos financeiros destinados à pesquisa, ou agora para continuar os estudos com os fungos e abelhas ou em um futuro próximo para desenvolvermos abelhas robôs. E aí, o que você prefere?

Para saber mais, acesse o artigo original, clicando aqui.

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