A possibilidade de transfusão de sangue a partir de células criadas em laboratório

Por Marco Augusto Stimamiglio – Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

Há vários anos os cientistas têm se preocupado com possíveis interrupções no suprimento de sangue para transplante. Estas interrupções poderiam ser decorrentes do envelhecimento rápido da população ou devido ao surgimento de novas doenças que seriam transmitidas através do sangue (como poderia ser o caso do vírus SARS-CoV-2, causador da atual pandemia de COVID-19), o que reduziria drasticamente o número de doadores no futuro.  Por este motivo, os cientistas têm trabalhado no desenvolvimento de alternativas para produzir sangue em larga escala nos laboratórios e nas fábricas, permitindo assim seu fornecimento ilimitado.

A produção de glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos) em laboratório de pesquisa já é uma realidade há anos. A primeira demonstração de que é possível usar estas células em transfusões de sangue data de 2011 (ensaio clínico publicado na revista Blood por M.C. Guiarratana e colaboradores). No entanto, apesar dessa conquista, a expansão em larga escala de glóbulos vermelhos para fins de transfusão sanguínea segue sendo um obstáculo, pois, para alcançar as quantidades de glóbulos vermelhos necessárias nas transfusões, os cientistas precisam atingir densidades equivalentes a 1,5 bilhão de células no volume de uma colher de sopa cheia (uma bolsa de sangue contém 2×1012 glóbulos vermelhos, ou seja, dois trilhões de células).

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