O Umbigo de Adão? Uma discussão sobre criacionismo

Por Paulo César Simões-Lopes  – Dpto de Ecologia e Zoologia – UFSC

Existem coisas que ninguém mais deveria propor, muito menos ensinar aos outros. coisas sem nenhuma fundamentação científica. A pergunta é simples e objetiva e mesmo um “terraplanista” conseguiria responder de pronto. Adão tinha umbigo?

Resposta número 1: tinha ora!… todo mundo tem umbigo, a charmosa cicatriz do cordão umbilical que nos liga à placenta Continuar lendo

Redescobrindo um velho fármaco para o tratamento do novo coronavírus (SARS-CoV-2)

Por Izabella Thaís da Silva – Dpto. de Farmácia, UFSC

Para um medicamento ser lançado no mercado farmacêutico, ele precisa cumprir diversas etapas de pesquisas e testes até ser aprovado pelo órgão competente do país produtor. O processo de regulamentação de um novo medicamento é longo, rigoroso e custa muito caro para a indústria farmacêutica. Para se ter ideia, são necessários, em média, 15 anos e mais de 500 milhões de dólares para que um novo fármaco alcance as prateleiras das farmácias.

O processo de desenvolvimento de um novo medicamento deve cumprir diversas etapas, desde as que precedem seu uso por seres humanos até o acompanhamento após o Continuar lendo

O impacto do câncer de boca na qualidade de vida dos pacientes

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Imagem original: fundacred.org.br

O câncer de boca é uma doença extremamente importante no contexto da saúde pública do Brasil, representando o quinto tipo de câncer mais frequente entre os homens e o 12º entre as mulheres1. Tal importância já foi anteriormente discutida neste Blog, no texto: Qual o seu lugar na “fila do câncer de boca”. O tratamento do câncer de boca é determinado pelo estádio clínico da doença e deve levar em conta a preservação das funções bucais, mastigação, ato de engolir e fala2. A remoção de todo o tumor e mais uma parte do tecido não doente na sua volta é o tratamento padrão e pode ser complementada por radioterapia ou quimioterapia.

Cientistas descobriram que… o tratamento do câncer de boca tem impactos negativos extremamente importantes e profundos na qualidade de vida dos pacientes. Segundo a equipe de pesquisa do Continuar lendo

Os mecanismos do câncer sempre a surpreenderem-nos!

Por Rita Zilhão, Faculdade de Ciências de Lisboa, Portugal

Antes de iniciar o texto sobre a descoberta que os cientistas fizeram, eu gostaria, de um modo simples, fornecer três conceitos (para quem eles já forem claros pode passar de imediato ao texto): 1) Para que uma célula eucariótica* se divida e dê origem a duas novas células é necessário que ela passe por uma série de fases que, no seu conjunto, se designa de ciclo celular; 2) De forma a assegurar uma correcta divisão e que tudo corra bem para as novas células-filhas, o ciclo celular está sujeito a uma série de pontos de controle designados “checkpoints”; esses, ao longo das diferentes fases do ciclo celular, aferem as condições da célula e asseguram que a divisão celular ocorra unicamente em condições favoráveis; 3) O genoma corresponde ao conjunto de toda a informação genética que se encontra  inscrita na molécula de DNA que, por sua vez, está estruturalmente organizada em cromossomas que se localizam no núcleo de cada célula dos organismos.

Em fevereiro de 2018, escrevi para este blogue um texto que se intitulava “Modulação dos telómeros (em português brasileiro – telômeros) para impedir a sua instabilidade, característica das células cancerígenas e em envelhecimento” e que explicava as particularidades e a composição das extremidades dos cromossomas lineares em eucariotas, e como estes eram protegidos por umas estruturas designadas de telómeros.

Figura 1: Possíveis caminhos de uma célula tumoral após divisão. Modificado a partir do artigo de Ewa Sikora et al., 2016.

Texto

O que pretendo relatar é o contributo de um grupo de cientistas que permitiu relacionar, ainda mais do que já se sabia, uma estrutura tão diminuta quanto as extremidades dos cromossomas, com o surgimento de mutações necessárias ao desenvolvimento do câncer!

Ora bem, os cromossomas quando quebrados ou muito danificados na sua sequência de DNA são tóxicos para a célula e geram aquilo a Figque se chama Continuar lendo