Mini pulmões cultivados em laboratório são utilizados no combate à Covid19

Por Ricardo Castilho Garcez, Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética da UFSC.

Os organoides, minúsculas cópias de órgão humanos criadas em laboratório, passam a contribuir no enfrentamento da Covid19.  Pesquisadores da Weill Cornell Medicine (USA) desenvolveram organoides de pulmões e intestinos para estudar os mecanismos de infecção do vírus SARS-Cov2 (que causa Covid19) e testar possíveis medicamentos.

Os casos e mortes por Covid-19 continuam a aumentar em todo o mundo. Atualmente, a maioria dos modelos de estudo limita-se a utilização de células cultivadas e o uso de alguns animais de laboratório. Esses modelos ajudam muito, mas apresentam várias limitações. Em sistemas de cultivo de células isoladas, a complexidade do tecido e do órgão é perdida. Dados obtidos com animais de laboratório, muitas vezes não reproduzem o que ocorre na nossa espécie. O vírus  SARS-CoV-2 infecta principalmente o trato respiratório, mas quase 25% dos pacientes com Covid-19 também apresentam sintomas gastrointestinais, que estão associados aos casos mais graves.

O Dr. Shuibing Chen e o Dr. Robert Schwartz utilizaram células-tronco humanas de pluripotência induzida (iPSC) para desenvolver organoides (para saber mais sobre organoides, clique aqui) de pulmão e cólon. Esses organoides apresentam as mesmas células do tecido original, obedecendo a mesma organização tecidual. Isso faz com que sejam muito semelhantes aos órgãos originais, com a vantagem de poderem ser produzidos aos milhares. As células pulmonares alveolares tipo II e enterócitos (células do intestino), presentes nesses organoides, apresentavam o receptor ACE2, a proteína de membrana na qual o vírus SARS-CoV-2 se liga para infectar as células.

Utilizando esses organoides, o grupo de pesquisa da Weill Cornell Medicine, em Nova York, em colaboração com equipes da Columbia University e da Icahn School of Medicine no Mount Sinai, examinaram 1.200 medicamentos aprovados pela FDA que poderiam ter algum efeito positivo para o tratamento da Covid19. Eles identificam três drogas – imatinibe, ácido micofenólico e dicloridrato de quinacrina – que inibiram a entrada do vírus SARS-CoV-2 nos organoides. O tratamento com essas drogas, em níveis fisiologicamente relevantes antes ou depois da infecção por SARS-CoV-2, preveniu a infecção de organoides do pulmão e do cólon.

É importante lembrarmos, no entanto, que os organoides também apresentam limitações. No nosso organismo, todos os órgãos e tecidos estão interligados pelo sistema circulatório, o que permite certa troca de moléculas sinalizadoras entres os diversos órgãos. Além disso, a influência do sistema imunológico, um dos principais responsáveis pela evolução das formas graves da Covid19, também está ausente nos organoides. Como toda boa descoberta científica, essa nos mostra que ainda temos muito a pesquisar…

Acesse o artigo original, no link abaixo:

A vacina de RNA, o futuro hoje!

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal 

Numa altura em que as vacinas de RNA são produzidas e distribuídas, “as we speak” (“à velocidade que nós falamos”), na tentativa de combater a pandemia COVID-19, urge saber mais sobre este tipo de vacinas.

Assim caro leitor, vamos começar por responder a uma questão simples. O que é uma vacina de RNA?

As vacinas de RNA são compostas por uma sequência de mRNA (a molécula que diz às células o que construir) que contém a informação genética para gerar uma proteína específica do agente infeccioso causador da doença. Uma vez administrada a vacina, essa proteína é produzida e reconhecida pelo sistema imunológico do indivíduo, preparando-o para lutar contra o agente infeccioso.

Estas vacinas são diferentes das vacinas convencionais, que geralmente contêm os organismos causadores de doenças inativadas ou algumas das proteínas produzidas pelo agente patogênico. Na verdade, são duas estratégias de representar o referido agente infeccioso que atuará como antígeno (molécula estranha), estimulando a resposta do sistema imunológico na produção de anticorpos e células de memória, mas sem causar doença. No caso das vacinas de Continuar lendo

Redescobrindo um velho fármaco para o tratamento do novo coronavírus (SARS-CoV-2)

Por Izabella Thaís da Silva – Dpto. de Farmácia, UFSC

Para um medicamento ser lançado no mercado farmacêutico, ele precisa cumprir diversas etapas de pesquisas e testes até ser aprovado pelo órgão competente do país produtor. O processo de regulamentação de um novo medicamento é longo, rigoroso e custa muito caro para a indústria farmacêutica. Para se ter ideia, são necessários, em média, 15 anos e mais de 500 milhões de dólares para que um novo fármaco alcance as prateleiras das farmácias. Continuar lendo