Bactérias da cavidade oral estão “de olho” nas restaurações de resina!

Por Michelle Tillmann Biz – Dpto. de Ciências Morfológicas / UFSC

Figura 1: Resina sendo inserida em uma cavidade (Fonte: http://www.fgm.ind.br)

É comum o pensamento que um dente restaurado estará mais fortalecido contra a cárie por ter sido usado um material sintético; ou que ao fazer um tratamento de canal, os dentes estarão livres de serem acometidos por novos episódios de dor/infecção, uma vez que o dente foi preenchido por um material, estando, portanto, “morto”. Entretanto, é preciso ter atenção: os materiais restauradores comumente utilizados na Odontologia fazem parte do “cardápio” destas bactérias também!

No âmbito da Odontologia, restauração é quando utilizamos um material sintético para repor o tecido duro do dente perdido (esmalte ou dentina) seja por cárie ou por trauma/fratura. Já o tratamento de canal é um tipo de tratamento odontológico muitas vezes necessário quando a polpa do dente é acometida de alguma patologia (inflamação/infecção) ou o dente submetido a um trauma severo. Nesse tipo de tratamento, a polpa do dente é removida e a cavidade que a continha (chamada de cavidade pulpar) será limpa, com o uso de limas endodônticas, e desinfetada, com o uso de medicações e líquidos irrigantes. Após esses procedimentos, o espaço será preenchido por um material sintético. Continuar lendo

Pondo os tumores para dormir: como a regulação do ciclo de sono celular pode ser utilizada em terapias anti tumorais

Por Bruno Costa da Silva – Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal  

Apesar de ainda pouco investigado, já é sabido há algum tempo que, assim como nós (e quase todos os seres vivos), as células que nos compõem também apresentam períodos de maior e menor atividade metabólica durante as 24 horas de um dia. Esse processo é definido como ciclo circadiano. Sabe-se ainda que, diferentemente de células saudáveis, tumores muito frequentemente adotam um regime de “serão”, ficando constantemente com seu metabolismo ativado. Com isso, ao estarem ininterruptamente recolhendo e reciclando nutrientes e biomoléculas, tumores conseguiriam manter constante o ritmo de geração de novas células necessário para o crescimento de massas tumorais.

Tirando vantagem de descobertas anteriores, que decifraram a base molecular do ciclo circadiano, cientistas descobriram que ao “botar as células tumorais para dormir” é possível não apenas parar o crescimento de tumores, mas também induzir a morte dessas células. Nesse estudo, liderado pelo cientista Satchidananda Panda do Instituto Salk nos Estados Unidos e publicado na revista cientifica britânica Nature em janeiro de 2018, cientistas conseguiram com sucesso bloquear o crescimento de diversos tipos tumorais, incluindo leucemias, melanomas e tumores de mama, colón, reto e de cérebro. Para isso, eles utilizaram duas drogas experimentais originalmente desenvolvidas para o tratamento de doenças metabólicas, chamadas de SR9009 e SR9011. Essas drogas ativam duas proteínas importantes para a regulação do ciclo circadiano, denominadas VER-ERBα e VER-ERBβ. Continuar lendo