Afinal, temos evidências para o uso da hidroxicloroquina na COVID-19?

Por Daniel Fernandes, Departamento de Farmacologia UFSC

Provavelmente você já se questionou sobre a eficácia da hidroxicloroquina (HCQ) no tratamento do novo coronavírus (SARS-CoV-2), causador da COVID-19. Talvez até conheça alguém que afirme ter sido curado pela HCQ! Afinal, desde o início da pandemia o uso deste medicamento na COVID-19 tem sido foco de debates calorosos no Brasil e no mundo.

Mas passado algum tempo, o que a ciência nos mostrou?

Em um dos melhores estudos clínicos publicados até o momento, os cientistas demonstraram uma completa falta de eficácia da HCQ para o tratamento da COVID-19. Este estudo, realizado pelo National Heart Lung and Blood Institute PETAL Clinical Trials Network, avaliou pacientes hospitalizados com um quadro clínico variando entre severo e moderado. Os autores escolheram aleatoriamente (processo chamado de randomização) 479 pacientes para receber HCQ (242 pacientes) ou placebo (grupo controle que recebe comprimido que não contém HCQ, 237 pacientes). Os pacientes receberam o tratamento por um período de 5 dias e tiveram a condição clínica avaliada por 14 dias. O estudo demonstrou que não houve diferença entre os dois grupos durante o período de análise. Além disso, a taxa de mortalidade que foi monitorada por um período de 28 dias foi de 10,4% para o grupo que recebeu HCQ e 10,6% para o grupo placebo1.

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O impacto emocional do COVID-19

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Por acaso você tem se sentido angustiado ultimamente? Quando você pensa sobre como serão os seus próximos dias, você fica ansioso? Você tem dificuldade para dormir? Quando dorme, não descansa? Passou a sentir medo de coisas que até pouco tempo não te preocupavam? Saiba que você não está sozinho….

Cientistas descobriram que… a pandemia do COVID-19 tem causado um grande impacto psicossocial devido à chamada “coronofobia”, um medo generalizado da COVID-191. Um grupo de pesquisadores das áreas de psiquiatria, neuromedicina e cardiologia da Índia e dos Estados Unidos pesquisou publicações científicas que associavam COVID-19 com saúde mental e descobriu que a associação do medo da doença (coronofobia) com o isolamento imposto pela quarentena obrigatória produziu crises de pânico, ansiedade, comportamentos obsessivos, acumulação de bens materiais sem utilidade específica para doença (como não se lembrar da falta de papel higiênico no início da pandemia?!), paranoia, depressão e estresse pós-traumático. Tudo isso foi mais intenso nas famílias que precisaram ser separadas pela doença… Segundo os cientistas, esses problemas psicossociais podem causar maiores prejuízos (emocionais, sociais, econômicos e etc.) a longo prazo do que a COVID-19 propriamente dita!

Mas, quais seriam os motivos para tudo isso? Diversos fatores podem ser os principais causadores dos problemas emocionais, com destaque para Continuar lendo

Os produtos naturais no tratamento de doenças

Por Izabella Thaís da Silva – Dpto. de Farmácia, UFSC 

Você sabia que a maioria dos medicamentos que você toma hoje para tratar muitas doenças foi obtida a partir de produtos naturais?

Há milhares de anos o homem vem utilizando os recursos da natureza no tratamento de diversas patologias. Há registros sobre a utilização de plantas, oriundos da Mesopotâmia e datados de 2600 a.C., relatando o uso, por exemplo, de Glycyrrhiza glabra Torr. (alcaçuz) e Papaver somniferum L. (papoula). Desde então, os produtos naturais têm sido a maior fonte de inspiração devido à sua vasta capacidade de sintetizar compostos extremamente complexos, muitas vezes impossível de se reproduzir em laboratório pelos melhores cientistas. Da morfina, isolada dos frutos imaturos da papoula, ao antibiótico penicilina, produzido por um fungo, passando pelo antitumoral Taxol, extraído das cascas de um pinheiro americano, estima-se que 80% dos fármacos em uso são produtos naturais ou foram inspirados pela natureza. Aqui neste link você encontra um importante trabalho de dois pesquisadores do National Institutes of Health (NIH) dos EUA que mostra a origem de 1881 fármacos aprovados entre o período de 01/01/1981 até 30/09/2019. Segundo eles, apenas 25% apresentam origem Continuar lendo

A nova geração de exames de sangue: a resposta para encontrar as primeiras células tumorais?

Por Bruno Costa da Silva – Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Adaptado de Lui et al., 2020. Annals of Oncology

Em seu livro “The first cell” ou em tradução livre “A primeira célula”, ainda não publicado em português, a médica oncologista Azra Raza expõe de maneira clara o que para ela tem sido, há décadas, a maior limitação dos fundos de financiamento de pesquisa, passando pelos projetos de pesquisa básica e aplicada e chegando aos ensaios clínicos de novos medicamentos antitumorais: o foco na investigação e tratamento de doenças tumorais em fases avançadas. Esta observação é baseada não apenas na opinião pessoal da Dra. Azra, mas em dados sólidos que mostram que uma vez em fases tardias, ou seja, com presença de metástases em gânglios linfáticos e em órgãos distantes, os tumores são, de maneira geral, intratáveis e letais. Visto isso, ela propõe que, se de fato quisermos erradicar mortes por doenças tumorais, devemos aprender não sobre as células que adoecerão os pacientes tumorais até as suas mortes, mas sobre como identificar o aparecimento das primeiras células tumorais. Uma vez que tivermos tecnologias para isso, possivelmente seremos capazes de identificar tumores em suas fases iniciais e de agir na remoção segura e definitiva destas células de forma a garantir a cura de pacientes oncológicos. Continuar lendo

A influência das redes sociais em nossa alimentação

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Todos nós conhecemos a importância da internet em nossas vidas, nos mais diversos temas, inclusive na saúde, como pudemos ler no texto “Dr. YouTubeTM, a evolução do Dr. GoogleTM”, publicado em dezembro de 2019. Dentre as utilidades mais populares presentes na internet estão as redes sociais, ferramentas que permitem interação entre as pessoas, mesmo quando distantes. Como a internet é um “território livre”, ou seja, um local onde pouco ou nenhum controle é exercido, o fluxo de informações é extremamente volumoso e heterogêneo. Isso pode ter diversos efeitos sobre o bem-estar físico e mental dos usuários, principalmente neste momento da pandemia do COVID-19. Diversos bons exemplos são encontrados nas redes sociais, como as comunidades de alimentação saudável, que recentemente ganharam muita popularidade. No geral, esse movimento de filosofia da alimentação saudável tem sido positivo, com os usuários se esforçando para comer mais frutas e vegetais e menos alimentos processados. Continuar lendo

E você, sabia que o herpes vírus está relacionado à Doença de Alzheimer?

Por Izabella Thaís da Silva – Dpto. de Farmácia, UFSC

Você já imaginou que um vírus pode estar relacionado à tão temida Doença de Alzheimer? Cientistas descobriram que alguns microrganismos podem contribuir para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, entre eles o vírus causador do herpes labial! Sim! Aquelas feridas doloridas que aparecem nos lábios de muitas pessoas após a exposição solar intensa ou ainda após situações de estresse e/ou baixa do sistema imunológico. Pesquisas lideradas pela cientista Ruth F. Itzhaki 1 da Universidade de Manchester, Oxford, evidenciaram a forte relação entre o Herpes Simplex Virus (HSV-1) e a doença de Alzheimer. Continuar lendo

Estamos cada vez mais perto de descobrir os segredos da imortalidade dos Vampiros?

Por Giordano W. Calloni – Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Fonte: favpng.com

Quem não sente um certo fascínio por histórias de vampiros? Esses personagens amedrontam e excitam na mesma proporção sobretudo as crianças e os adolescentes. A miríade de personagens vampirescos é imensa. Uma excelente introdução a respeito do assunto foi realizada no projeto SPORUM (páginas 107-111) que uniu professores e alunos da Universidade Federal de Santa Catarina – Brasil, em um belo livro de Divulgação Científica. Vocês podem acessar gratuitamente o pdf do livro clicando aqui. Continuar lendo