A nova geração de exames de sangue: a resposta para encontrar as primeiras células tumorais?

Por Bruno Costa da Silva – Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Adaptado de Lui et al., 2020. Annals of Oncology

Em seu livro “The first cell” ou em tradução livre “A primeira célula”, ainda não publicado em português, a médica oncologista Azra Raza expõe de maneira clara o que para ela tem sido, há décadas, a maior limitação dos fundos de financiamento de pesquisa, passando pelos projetos de pesquisa básica e aplicada e chegando aos ensaios clínicos de novos medicamentos antitumorais: o foco na investigação e tratamento de doenças tumorais em fases avançadas. Esta observação é baseada não apenas na opinião pessoal da Dra. Azra, mas em dados sólidos que mostram que uma vez em fases tardias, ou seja, com presença de metástases em gânglios linfáticos e em órgãos distantes, os tumores são, de maneira geral, intratáveis e letais. Visto isso, ela propõe que, se de fato quisermos erradicar mortes por doenças tumorais, devemos aprender não sobre as células que adoecerão os pacientes tumorais até as suas mortes, mas sobre como identificar o aparecimento das primeiras células tumorais. Uma vez que tivermos tecnologias para isso, possivelmente seremos capazes de identificar tumores em suas fases iniciais e de agir na remoção segura e definitiva destas células de forma a garantir a cura de pacientes oncológicos. Continuar lendo

A influência das redes sociais em nossa alimentação

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Todos nós conhecemos a importância da internet em nossas vidas, nos mais diversos temas, inclusive na saúde, como pudemos ler no texto “Dr. YouTubeTM, a evolução do Dr. GoogleTM”, publicado em dezembro de 2019. Dentre as utilidades mais populares presentes na internet estão as redes sociais, ferramentas que permitem interação entre as pessoas, mesmo quando distantes. Como a internet é um “território livre”, ou seja, um local onde pouco ou nenhum controle é exercido, o fluxo de informações é extremamente volumoso e heterogêneo. Isso pode ter diversos efeitos sobre o bem-estar físico e mental dos usuários, principalmente neste momento da pandemia do COVID-19. Diversos bons exemplos são encontrados nas redes sociais, como as comunidades de alimentação saudável, que recentemente ganharam muita popularidade. No geral, esse movimento de filosofia da alimentação saudável tem sido positivo, com os usuários se esforçando para comer mais frutas e vegetais e menos alimentos processados. Continuar lendo

E você, sabia que o herpes vírus está relacionado à Doença de Alzheimer?

Por Izabella Thaís da Silva – Dpto. de Farmácia, UFSC

Você já imaginou que um vírus pode estar relacionado à tão temida Doença de Alzheimer? Cientistas descobriram que alguns microrganismos podem contribuir para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, entre eles o vírus causador do herpes labial! Sim! Aquelas feridas doloridas que aparecem nos lábios de muitas pessoas após a exposição solar intensa ou ainda após situações de estresse e/ou baixa do sistema imunológico. Pesquisas lideradas pela cientista Ruth F. Itzhaki 1 da Universidade de Manchester, Oxford, evidenciaram a forte relação entre o Herpes Simplex Virus (HSV-1) e a doença de Alzheimer. Continuar lendo

Estamos cada vez mais perto de descobrir os segredos da imortalidade dos Vampiros?

Por Giordano W. Calloni – Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Fonte: favpng.com

Quem não sente um certo fascínio por histórias de vampiros? Esses personagens amedrontam e excitam na mesma proporção sobretudo as crianças e os adolescentes. A miríade de personagens vampirescos é imensa. Uma excelente introdução a respeito do assunto foi realizada no projeto SPORUM (páginas 107-111) que uniu professores e alunos da Universidade Federal de Santa Catarina – Brasil, em um belo livro de Divulgação Científica. Vocês podem acessar gratuitamente o pdf do livro clicando aqui. Continuar lendo

Prêmio Nobel 2019: Medicina, Química e Física

O CDQ… preparou um texto especial para nossos leitores. Reunimos pesquisadores das áreas de Biologia/Biomedicina, Física e Química para explicar as grandes descobertas que renderam os prêmios Nobel de Medicina, Física e Química de 2019. Aproveitem!

Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia – como nossas células percebem o oxigênio

Por Giordano W. Calloni – Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

© Johan Jarnestad/The Royal Swedish Academy of Sciences

Em fevereiro de 2007, o time do Flamengo enfrenta na Continuar lendo

É possível criar eletricidade a partir da neve

Por Renata  Kaminski, Dpto. de Química, UFS / Aracajú – SE

A obtenção de energia renovável, como solar ou do vento, em regiões climáticas de frio e neve extremos é sempre um grande desafio à ciência. Devido à grande cobertura de nuvens ou de neve e períodos muito curtos de luz solar, a produção de energia pode ser afetada. Pensando nisso, cientistas da UCLA e seus colaboradores desenvolveram um novo dispositivo que é capaz de criar eletricidade a partir da neve. É o primeiro dispositivo desse tipo, barato, flexível e adaptável. O dispositivo é um nanogerador triboelétrico, que pode ser usado como coletor de energia e também como sensor. É possível que ele funcione como uma estação de monitoramento do tempo em miniatura, dando informações em tempo real sobre a velocidade de queda de neve, acúmulo de neve e sua profundidade, direção do vento entre outras coisas. Também pode funcionar como uma fonte de energia adaptável, pela sua flexibilidade, ou um sensor biomecânico, que detecta o movimento dos atletas de esportes na neve. A ideia desses cientistas é que Continuar lendo

Os fungos transformaram nosso Planeta

Por Marcela Monteiro & Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, Dpto. BOT-CCB, PPGFAP – UFSC

Plântula e sua rizosfera significativamente ampliada pelas hifas do fungo micorrízico. Fonte: Pinterest.

Os fungos, até a década de 60, eram equivocadamente classificados como plantas. Mais recentemente, o Reino Fungi vem recebendo a devida atenção, não só por ser um grupo único de organismos extremamente diversos, mas também por suas funções no meio ambiente.

Os fungos são responsáveis por serviços ecossistêmicos essenciais para manutenção do equilíbrio natural, tão importantes quanto a fotossíntese das plantas e algas. Dois destes importantes serviços merecem destaque. Um deles, e talvez o mais conhecido, é o fato de os fungos atuarem como decompositores naturais, sendo fundamentais na ciclagem de nutrientes, pois degradam potencialmente tudo ou quase tudo. O segundo que merece destaque, igualmente importante, mas menos conhecido é o fato de os fungos atuarem como micorrízicos, ou seja, são responsáveis por um sistema de conexão nas florestas, que envolve todas as relações de troca de nutrientes, químicos tóxicos e até mesmo de informações com e entre as plantas. Continuar lendo