Autismo, mais uma peça neste misterioso puzzle…

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

nambitomo/iStock/Thinkstock

O autismo, também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um distúrbio neurológico que aparece nos primeiros anos de vida e afeta o desenvolvimento normal do cérebro. Um individuo com autismo apresenta dificuldades de comunicação e sociabilização (estabelecer relações interpessoais) e alterações de comportamento (interacções com o meio ambiente). Embora o autismo ainda não tenha cura, em um passado recente têm-se feito contribuições importantes para a compreensão desse distúrbio. Hoje sabemos que o autismo pode ter uma base genética associada a algumas causas ambientais, e que alterações do trato digestivo e dieta se relacionam com a evolução desse distúrbio (tema já abordado anteriormente no CDQ, clique aqui para acessar).

Os cientistas descobriram que… defeitos na proteína CPEB4 levam a alterações na expressão de 200 genes envolvidos na atividade neuronal, aumentando a susceptibilidade ao autismo. Continuar lendo

Gerar energia a partir de nossas roupas pode estar muito próximo!

Por Renata  Kaminski, Dpto. de Química, UFS / Aracajú – SE

Com a preocupação com questões ambientais e crise energética, a busca por fontes renováveis de energia que causem poucas agressões ambientais é um dos maiores desafios do desenvolvimento sustentável da sociedade. Gerar eletricidade a partir de forças naturais, como vento, sol, movimento, etc., é uma boa solução para a crise energética. Radiação solar e movimento mecânico são exemplos de fontes de energia limpa e renovável. Uma fibra de tecido têxtil capaz de gerar eletricidade absorvendo energia solar e movimento mecânico pode ser um passo importante para a nova geração de dispositivos eletrônicos sustentáveis. Isso pode significar que, no futuro, esquecer seu carregador de celular em casa quer dizer que você esqueceu de vestir suas roupas.

Figura 1: (A) Nanogerador e dispositivo fotovoltaico em detalhe; (B) Ambos colocados no tecido.

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A higiene bucal deficiente contribui muito para o câncer de boca

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Lactobacilos, fonte: revista Superinteressante.

Os micro-organismos que habitam nosso corpo são muito importantes para nossa saúde. Os exemplos mais famosos de micro-organismos que trabalham a nosso favor são os lactobacilos, que vivem em nosso intestino e são muito importantes para a regulação do trânsito intestinal e, portanto, para nossa saúde geral.

Nossa boca também é muito rica em micro-organismos, com mais de 700 espécies, principalmente de bactérias, que têm papel essencial nas funções da boca. No entanto, essas bactérias, quando fora de controle, também podem causar diversas doenças como a cárie, a gengivite (doença em que há inflamação gengival), a periodontite (doença em que há inflamação gengival acompanhada de perda do osso que envolve os dentes) e, por fim, a perda dos dentes.

Recentemente, cientistas descobriram que… as bactérias da boca também podem contribuir muito para a formação do câncer de boca! Continuar lendo

Um programa na formação de metástases

Por Rita Zilhão, Faculdade de Ciências de Lisboa, Portugal

As metástases resultam da disseminação de células tumorais a partir de um tumor primário e à sua posterior colonização e crescimento noutro órgão ou tecido do organismo. A formação de metástases é responsável pela maioria das mortes relacionadas com o cancro (câncer, em português brasileiro). Os mecanismos moleculares subjacentes à formação de metástases têm sido alvo de intenso estudo desde há muito. As razões clínicas para essa dedicação são óbvias: quanto maior for esse conhecimento mais eficientes serão as estratégias e o desenvolvimento de drogas que visem o bloqueio ou redução do processo de metastização.

Um dos modelos biológicos que se pensa poder mediar a disseminação metastática é o do fenômeno conhecido como “transição epitélio-mesênquima” (EMT – epithelial-to-mesenchymal transition). Convém referir que, pela sua natureza e características, esse programa biológico está envolvido no desenvolvimento embrionário e na cicatrização de feridas (wound healing). Nas duas últimas décadas, verificou-se que, embora com algumas variantes, o EMT também está na origem da formação de metástases de cancros do pulmão, pâncreas, ovário etc.., ou seja, essencialmente carcinomas, que são cancros com origem em epitélios*. Mais uma vez o cancro se revela como um “fora-da-lei”, sequestrando os mecanismos normais da célula e manipulando-os para seu próprio uso fruto! Continuar lendo

Prêmio Nobel 2018: medicina, física e química

O CDQ… preparou um texto especial para nossos leitores. Reunimos três pesquisadores das áreas de Biologia/Biomedicina, Física e Química para explicar as grandes descobertas que renderam os prêmios Nobel de Medicina, Física e Química de 2018. Aproveitem! Continuar lendo

A impressão 3D de tecidos vivos anda a passos largos

Por Marco Augusto Stimamiglio – Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

Uma das tecnologias atuais mais promissoras para a fabricação de tecidos e órgãos artificiais, que pode ser capaz de revolucionar o diagnóstico e o tratamento de muitas condições médicas diferentes, é a chamada bioimpressão 3D. Em edição anterior do Cientistas Descobriram que… entendemos do que realmente se trata a impressão em 3 dimensões (3D). Neste texto, vamos tratar da bioimpressão, processo que usa de tecnologias computacionais avançadas para modelar materiais biológicos (como células, biomoléculas e biomateriais) para a fabricação de “peças” que imitam os tecidos. Essa nova abordagem da impressão 3D requer materiais biocompatíveis, isto é, materiais que não são tóxicos aos tecidos vivos e são capazes de atuar como suporte para as células impressas, permitindo que essas sejam cultivadas em biorreatores para se desenvolverem e se tornarem funcionalmente maduras. Continuar lendo

Fibras de nanotubo de carbono usadas na fabricação de tecidos que podem funcionar como baterias. Que tal carregar o celular na sua jaqueta?

Por Keli Fabiana Seidel – Grupo de pesquisa em Bio-Optoeletrônica Orgânica– UTFPR 

Figura 1: Fibra de nanotubos de carbono sendo esticada. O resultado é similar uma teia de aranha, pois é elástica, leve e forte com a vantagem de ser uma “teia” que conduz eletricidade.

Dia após dia novidades relacionadas à nanociência surgem em nossas vidas de modo a trazer facilidades às nossas atividades do cotidiano. O celular, por exemplo, virou um grande amigo de muitas pessoas pela sua capacidade de agregar funções/App (GPS, redes sociais, câmera, agenda etc.) que podem ser acessados de qualquer lugar no mundo quando conectado à internet. Isso só é possível devido aos avanços na área de nanotecnologia que ampliaram a capacidade de processamento desses dispositivos mantendo-os em uma escala muito pequena, afinal, tudo isso cabe em sua mão. Se pudermos dar um zoom em um desses dispositivos eletrônicos e irmos para a escala nanométrica (1 nanômetro=1×10-9 m =0,000000001 m) podemos analisar, por exemplo, que tipos de materiais são usados para gerar tal eficiência. Entre os materiais “queridinhos” aplicados na nanotecnologia, o nanotubo de carbono tem papel de destaque em várias situações. Seu nome é devido a sua forma longa e oca em formato de tubo, com paredes formadas por folhas de carbono, chamadas de grafeno, com espessura de apenas um átomo (veja aqui). Continuar lendo