Inteligência Artificial no diagnóstico de transtornos mentais – teremos psiquiatras robôs?

Por Ms. Natali Granzotto e Dr. Geison Izídio, Dpto de Biologia Celular, Embriologia e Genética da UFSC

As máquinas vão dominar o mundo! O que há algumas décadas parecia ficção científica hoje está cada vez mais próximo da nossa realidade. A inteligência artificial já é usada nas mais diferentes áreas, e o chamado “aprendizado de máquina” está acelerando o desenvolvimento da ciência de maneira geral. Hoje, já é possível encontrar robôs otimizando e até mesmo substituindo o trabalho de diversos profissionais. Continuar lendo

Homem Salamandra: Porque Stan Lee estava errado?

Por: Giordano W. Calloni – Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC 

Caros leitores, venho, antes de tudo, convidá-los a ler (ou quem sabe reler) um post aqui do CDQ de autoria de quem vos escreve (clique aqui para acessá-lo).

Para aqueles sem tempo, irei brevemente resumir a questão: em 1963, Stan Lee, apresentou aos leitores um dos vilões mais inusitados das histórias em quadrinhos: O Lagarto. Esse ser monstruoso na verdade tratava-se do Dr. Curt Connors, um médico que perdeu seu braço direito na Guerra do Vietnã. O Dr. Connors passou então a pesquisar os répteis, mais precisamente lagartos, que já eram conhecidos na época por sua capacidade de regenerar suas caudas. O Dr. Connors desenvolveu então um “soro especial”, obtido a partir dos lagartos, e conseguiu seu braço de volta. Entretanto, o preço cobrado foi que sua forma humana foi substituída por um imenso lagarto, tornando-se um dos mais terríveis inimigos do Homem-Aranha. Continuar lendo

Retina artificial baseada em folhas de grafeno e materiais 2D

Por Keli Seidel – UTFPR – kelifisica.com.br

Não é nenhuma novidade o fato de cientistas tentarem desenvolver dispositivos (optoeletrônicos, óticos ou mecânicos) capazes de substituir partes do corpo humano que tenham sofrido algum tipo de dano irreversível. São velhos exemplos disso o marcapasso cardíaco, stent para angioplastia, implante coclear etc. Apesar de tantos avanços tecnológicos gerados nos últimos anos, algumas situações, onde se busca imitar tecidos, músculos, nervos ou até mesmo órgãos do corpo humano, ainda são consideradas pesquisas científicas de alto grau de complexidade. Além do dispositivo a ser inserido no corpo humano precisar imitar ao máximo a funcionalidade da parte natural, esse precisa de características fundamentais, como a bio-compatibilidade, para que o corpo não gere rejeição e adaptação à anatomia do corpo, se adaptando à superfície/curvaturas de onde será implantado. Continuar lendo

“Fauna e Flora”, mas e os fungos?

Por Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, Depto. BOT-CCB, PPGFAP, MICOLAB – UFSC

Todo mundo já leu ou ouviu os termos “Fauna e Flora” em jornais, noticiários, documentários ou até mesmo na legislação, certo? Ok mas, e os fungos?

Figura 1: A deusa dos fungos, “Diana Funga”. Reprodução do artista brasileiro Claudio Toscan Jr. da obra original de Schaeffer (1774)

Todos sabemos o que significa “Fauna e Flora”. Quando falamos que a fauna é exuberante em uma determinada região, queremos salientar que os animais daquele lugar chamam muita atenção, como é o caso da Amazônia. Quando falamos que a flora de determinado lugar é muito diversificada, queremos dizer que existem muitas espécies de plantas que ocorrem lá, como é o caso da Mata Atlântica. E os fungos? Qual termo poderíamos utilizar para a diversidade de fungos de um ecossistema ou região que seja equivalente e ao mesmo tempo distinto de “Fauna e Flora”? A resposta é que não há um termo universal, que seja utilizado em diferentes línguas, em diferentes países, e que ao mesmo tempo seja entendido por todos. Pior, muitas vezes os fungos são tratados como Flora ou no genérico grupo dos microorganismos. Continuar lendo

Autismo, mais uma peça neste misterioso puzzle…

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

nambitomo/iStock/Thinkstock

O autismo, também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um distúrbio neurológico que aparece nos primeiros anos de vida e afeta o desenvolvimento normal do cérebro. Um individuo com autismo apresenta dificuldades de comunicação e sociabilização (estabelecer relações interpessoais) e alterações de comportamento (interacções com o meio ambiente). Embora o autismo ainda não tenha cura, em um passado recente têm-se feito contribuições importantes para a compreensão desse distúrbio. Hoje sabemos que o autismo pode ter uma base genética associada a algumas causas ambientais, e que alterações do trato digestivo e dieta se relacionam com a evolução desse distúrbio (tema já abordado anteriormente no CDQ, clique aqui para acessar).

Os cientistas descobriram que… defeitos na proteína CPEB4 levam a alterações na expressão de 200 genes envolvidos na atividade neuronal, aumentando a susceptibilidade ao autismo. Continuar lendo

Gerar energia a partir de nossas roupas pode estar muito próximo!

Por Renata  Kaminski, Dpto. de Química, UFS / Aracajú – SE

Com a preocupação com questões ambientais e crise energética, a busca por fontes renováveis de energia que causem poucas agressões ambientais é um dos maiores desafios do desenvolvimento sustentável da sociedade. Gerar eletricidade a partir de forças naturais, como vento, sol, movimento, etc., é uma boa solução para a crise energética. Radiação solar e movimento mecânico são exemplos de fontes de energia limpa e renovável. Uma fibra de tecido têxtil capaz de gerar eletricidade absorvendo energia solar e movimento mecânico pode ser um passo importante para a nova geração de dispositivos eletrônicos sustentáveis. Isso pode significar que, no futuro, esquecer seu carregador de celular em casa quer dizer que você esqueceu de vestir suas roupas.

Figura 1: (A) Nanogerador e dispositivo fotovoltaico em detalhe; (B) Ambos colocados no tecido.

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A higiene bucal deficiente contribui muito para o câncer de boca

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Lactobacilos, fonte: revista Superinteressante.

Os micro-organismos que habitam nosso corpo são muito importantes para nossa saúde. Os exemplos mais famosos de micro-organismos que trabalham a nosso favor são os lactobacilos, que vivem em nosso intestino e são muito importantes para a regulação do trânsito intestinal e, portanto, para nossa saúde geral.

Nossa boca também é muito rica em micro-organismos, com mais de 700 espécies, principalmente de bactérias, que têm papel essencial nas funções da boca. No entanto, essas bactérias, quando fora de controle, também podem causar diversas doenças como a cárie, a gengivite (doença em que há inflamação gengival), a periodontite (doença em que há inflamação gengival acompanhada de perda do osso que envolve os dentes) e, por fim, a perda dos dentes.

Recentemente, cientistas descobriram que… as bactérias da boca também podem contribuir muito para a formação do câncer de boca! Continuar lendo