Os vírus são capazes de conversarem entre si

Por Ricardo Castilho Garcez                                                                                                   Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Para que um vírus possa se multiplicar, ele precisa infectar uma célula. Após a infecção, o vírus passa a controlar a maquinaria de produção de proteínas da célula hospedeira, obrigando-a a produzir novos vírus. Esse processo acaba levando a célula hospedeira à morte, liberando vários vírus que irão infectar novas células. Note que existe um paradoxo nesse sistema, pois ao matar as células hospedeiras, o vírus tende a ficar sem ter como se multiplicar. Porém, recentemente cientistas israelenses descobriram que alguns vírus se comunicam entre si controlando a infecção. Essa comunicação permite que seja mantido um equilíbrio entre células infectadas que produzirão novos vírus, versus, células infectadas que não produzirão vírus e, portanto, não morrerão.

Em cada infecção viral, os vírus decidem entre replicarem-se, levando a célula hospedeira à morte – ciclo lítico, ou manterem-se dentro da célula, em um estado de dormência, até que algum gatilho altere isso – ciclo lisogênico. Notem que essa decisão entre ciclo lítico e lisogênico é de extrema importância para a sobrevivência do vírus. Uma escolha errada poderia rapidamente matar todas as possíveis células hospedeiras, deixando os novos vírus sem ter como se reproduzir. Isso levaria a população viral à extinção.

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Shakespeare não foi o autor de todas as suas peças

Pedro Telles da Silveira                                                                                                            Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História – UFRGS

No começo do mês de outubro de 2016, a publicação da nova edição completa das obras de William Shakespeare, pela editora da Universidade de Oxford, chamou a atenção do grande público. Pela primeira vez, outro autor assinou em coautoria um trabalho de Shakespeare. Trata-se do poeta e dramaturgo Christopher Marlowe (1564-1593), cuja carreira literária foi abreviada por sua prematura morte antes de completar trinta anos de idade. Essa é uma descoberta de grande relevância para os estudiosos da obra do escritor britânico e que sela um debate que se arrastava desde o século XVIII, qual seja, se Shakespeare escrevera suas obras junto a algum colaborador Continuar lendo

Uma montanha russa de luz

Por Paula Borges Monteiro
Grupo de Estudos em Tópicos de Física – IFSC

Na última semana de dezembro de 2016, foi publicado na revista científica Nature, um trabalho cujo título pode ser traduzido como “Trajetórias exóticas em loop de fótons em interferência de três fendas”. Em outras palavras, partículas de luz que encontram um obstáculo com fendas, podem, através destas, fazer voltas como aquelas que vimos em montanhas russas. Robert W. Boyd e mais 10 pesquisadores dos Estados Unidos da América, México, Canadá e Alemanha demonstraram experimentalmente que, em condições controladas, a luz executa trajetórias diferentes das esperadas. Para podermos entender o experimento que foi realizado com três fendas, vamos voltar um pouco no tempo e considerar primeiramente a mesma situação com apenas duas fendas. Continuar lendo

Imagine – PanGea: competição de popularização científica intercontinental e multicultural

Por Ricardo Castilho Garcez
Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

PT-PANGEANessa semana nossa postagem é sobre o Imagine-Pangea, uma competição de divulgação científica, idealizada pelo Projeto Imagine, que vai envolver vários países da América Latina e África.

Para participar do Imagine-PanGea, mestrandos e doutorandos ,vinculados a Universidades da América Latina e África, deverão preparar um vídeo de 3 minutos apresentando o seu trabalho de pesquisa. O vídeo pode estar em português, inglês, francês ou espanhol e deve, obrigatoriamente, estar em linguagem simples, permitindo que qualquer pessoa interessada possa compreender. Continuar lendo

Alguns polímeros podem aumentar a eficiência de muitos medicamentos… e até deixá-los mais baratos!

Por Bruno José Gonçalves da Silva
Prof. Dpto. de Química – UFPR

Foto: Getty PhotoAlto/Antoine Arraou

Foto: Getty PhotoAlto/Antoine Arraou

Um dos maiores desafios para as empresas farmacêuticas de todo o mundo, ao desenvolver medicamentos que são administrados via oral (mais especificamente comprimidos), é garantir que o corpo irá absorver completamente as moléculas do fármaco. Como você deve saber um medicamento, na verdade, pode ser entendido como uma mistura de compostos químicos, dentre eles o princípio ativo, que é aquele que tem a função medicamentosa desejada, e outros compostos, conhecidos normalmente como Continuar lendo

As melhores descobertas científicas publicadas em 2016 no CDQ

Caros leitores,

Selecionamos os 15 textos mais acessados do Cientistas descobriram que… em 2016. Vote nos seus 3 textos preferidos. Para ler os textos, acesse através dos links abaixo da enquete.

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Polímeros que liberam insulina estimulados pela luz podem facilitar a vida de diabéticos

Por Renata  Kaminski                                                                                                                   Dpto. de Química, UFS / Aracajú – SE

Imagem modificada a partir do artigo original.

Imagem modificada a partir do artigo original.

Em pacientes com diabetes do tipo 1, a insulina injetável continua sendo o principal tratamento para regular os níveis de glicose no sangue. A concentração de glicose no sangue é variável durante o dia, devido a fatores como dieta, exercícios e outras atividades. Isso faz com que a regulagem das doses de insulina, em pacientes com diabetes do tipo 1, seja um desafio constante. Em pacientes Continuar lendo