EXTRA! EXTRA! Átomo de Carbono é visto fazendo 6 ligações!

Por Bruno José Gonçalves da Silva
Prof. Dpto. de Química – UFPR

Figura 1: Hexametileno em duas conformações. Fonte: Jynto / Wikimedia e Moritz Malischewski, Konrad Seppelt

Vou iniciar o post de hoje contado a vocês uma piada (por favor, não se sintam na obrigação de rir, ok?): o que o carbono disse ao delegado quando foi preso? Eis a resposta: “Tenho direito a fazer quatro ligações, se não eu quebro essa cadeia toda!”. Engraçada ou não, essa piada que ouvi pela primeira vez ainda na escola, como tentativa do professor explicar à turma sobre a regra do octeto, já não necessariamente faz total sentido! O motivo é que recentemente Continuar lendo

Organoides, muito mais que apenas órgãos em miniatura!

Por Ricardo Castilho Garcez                                                                                                  
Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Os organoides são estruturas tridimensionais, derivadas de células tronco ou progenitores. Durante a formação de um organoide, as células se auto-organizam assumindo uma citoarquitetura muito semelhante à encontrada no tecido original. Atualmente, os cientistas já são capazes de produzir organoides de praticamente todos os tecidos humanos. Para produção da maioria dos organoides são utilizadas células de pluripotência induzida – iPSC (iPSC podem realmente ajudar a tratar doenças?) ou células tronco.Apesar de parecer recente, a ideia de produzir órgãos em miniatura já vem de longa data. Em 1975, os pesquisadores Continuar lendo

Quimioterapia: quando menos é mais

Por Bruno Costa da Silva

Pesquisador do Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Imagem adaptada, fontes: Metrônomo e Medicamentos.

Apesar das terapias antitumorais serem cada dia mais específicas e menos nocivas aos pacientes, de maneira geral, o início de um tratamento com quimioterápicos ainda está bastante associado com queda de cabelo, náuseas, fadiga, dores e/ou enfraquecimento do sistema imunológico. Além disso, é sabido que a utilização de tais estratégias terapêuticas, que frequentemente se baseiam em pulsos de quimioterapia utilizando as doses mais altas toleráveis pelo paciente, nem sempre resultam na eliminação completa dos tumores e na cura dos pacientes. Um dos motivos é o período de descanso necessário após a administração de doses “cavalares” de medicamento, que em potencial abrem espaço para o crescimento das células tumorais, Continuar lendo

Risco e incerteza como formas de governar

Por Vitor Klein

Professor do Depto de Governança Pública da UDESC

O cartaz, Dawn of Hope (O Alvorescer da Esperança),publicado em 1911, foi parte da propaganda eleitoral dos novos liberais na Inglaterra. David Lloyd George, desenhado no cartaz e, então Ministro das Finanças, foi um dos principais proponentes das reformas proposta na época, as quais marcam o nascimento do estado de bem estar social inglês.

A organização da sociedade é inegavelmente influenciada por certas percepções de risco. Escândalos, que variam da adulteração de alimentos a acidentes nucleares, lembram-nos que vivemos em uma sociedade em que formas de antecipação e enfrentamento de riscos proliferam. De acordo o sociólogo Ulrich Beck (1992), estaríamos em uma sociedade do risco.  Para Pat O’Malley, professor de criminologia da Universidade de Sidney, a percepção de que estaríamos sendo cada vez mais governados por formas de gerenciamento do risco ignora que a incerteza desempenhou, e ainda desempenha, papel central na organização da sociedade. Em seu livro Risco, Incerteza e Governo (O’Malley, 2004), esse autor relata a complexa relação entre risco, incerteza e governo durante o liberalismo clássico, o liberalismo social e o neoliberalismo.

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Controvérsia à volta da suscetibilidade à gripe!

Por Rita Zilhão

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal

Figura 1: Diferentes epitopos (representados por diferentes cores) da hemaglutinina. Fonte: Revista PNAS

Vamos outra vez falar do vírus da gripe (influenza), mas desta vez da controvérsia à volta da diferente suscetibilidade a este vírus.

Quando somos infectados pelo vírus da gripe, o nosso corpo desenvolve uma resposta imune produzindo anticorpos contra duas das principais proteínas da superfície viral, a hemaglutinina e a neuraminidase. Mais concretamente, a resposta é contra diferentes regiões (determinantes antigênicos) de cada proteína, designados de epítopos. Esses anticorpos são produzidos por um tipo de célula imune: a célula B. Se sofrermos uma segunda infecção, as células B, agora ditas de memória, pois reconhecem os mesmos epítopos que tinham desencadeado a primeira resposta imune, são reativadas e, por essa razão, muito rapidamente esta linha Continuar lendo

É possível utilizar a metionina modificada para diversas funções, como um canivete suíço

Por Renata  Kaminski
Dpto. de Química, UFS / Aracajú – SE

Cientistas desenvolveram um novo método para juntar moléculas de interesse às proteínas, a partir da ligação seletiva com o aminoácido metionina. Os aminoácidos metionina e cisteína são os dois únicos aminoácidos que contém enxofre (S), o que lhes confere uma grande versatilidade e uma química única. Por esse motivo, a conjugação e a modificação da metionina têm sido objeto de estudo de vários grupos de pesquisa. No mês de fevereiro de 2017, cientistas da Universidade de Berkeley nos EUA publicaram, na prestigiada revista Science, uma nova técnica capaz de ligar moléculas de interesse nas proteínas através do aminoácido metionina.

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Novo material pode resfriar o telhado de sua casa com consumo de energia zero

Por Keli Fabiana Seidel
Grupo de pesquisa em Bio-Optoeletrônica Orgânica– UTFPR

Filosofando um pouco sobre história e ciência em relação ao desenvolvimento da humanidade, temos vários fatos importantes que podem ser mencionados. Por exemplo, temos Faraday e sua descoberta sobre a indução eletromagnética (1831), que possibilitou ao longo dos anos que mais pessoas tivessem acesso à energia elétrica em suas casas através da geração de energia em usinas; Hertz, descobrindo que era possível criar ondas eletromagnéticas em laboratório (1888) dando a Marconi, nos anos seguintes, Continuar lendo