O atlas das células humanas

Por Bruno Costa da Silva – Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Ao longo dos 14 anos passados desde a conclusão do projeto genoma humano, conhecido como o “código da vida”, muito se aprendeu sobre o livro de receitas que dita como células constroem e montam suas peças elementares, essenciais para a estrutura e funcionalidade de organismos. Por exemplo, aprendeu-se que seres humanos apresentam uma diferença em seu código genético de aproximadamente 0,1% entre si e de 4-5% quando comparados com chimpanzés, o que é muito menos do que se esperava no inicio deste projeto.

Inegáveis frutos ainda são colhidos de forma pujante em pesquisas que vão das áreas de biologia do câncer e de doenças degenerativas a pesquisas sobre padrões migratórios de populações humanas, passando pelo estudo da história das origens da espécie humana. Entretanto, apesar de conter a informação Continuar lendo

O que o GPS de seu carro e a ida do Homem à Lua tem em comum?

Por Keli Fabiana Seidel – Grupo de pesquisa em Bio-Optoeletrônica Orgânica– UTFPR 

Por tantas vezes ouvi pessoas falando algo como: “o Homem se sente orgulhoso de ter ido à Lua, mas não consegue sequer resolver os problemas aqui na Terra”. Sem querer entrar no mérito “do que é mais importante?”, apenas trago neste texto alguns dos avanços tecnológicos relevantes vinculados à exploração de viagens espaciais para que, então, possa mostrar que decorrente deste pequeno passo dado na Lua existe uma grande corrida tecnológica aqui na Terra.

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O que faz bater o seu coração? Os Macrófagos! Eles são electrizantes…

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

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Macrófagos (verde) “ligam” as células condutoras do coração (roxo) proporcionando o estímulo eléctrico que ajuda as células do coração a contrair. Fonte: Sciencenews

Os macrófagos [do grego, μακρος (macro, que significa grande) e φαγειν (fago, que significa comer)], são células de grandes dimensões que patrulham e limpam os tecidos do nosso corpo de debris (restos) celulares, substâncias estranhas, micróbios, células cancerosas e outros tipos de células do sangue (quando envelhecidas), através de um processo designado por fagocitose (“comer a célula”). Para além de fagocitarem, os macrófagos são células importantes do nosso sistema de defesa não-específica (imunidade inata) e também ajudam a iniciar mecanismos de defesa específicos (imunidade adaptativa), recrutando outras células do sistema imunitário (como os linfócitos).

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A bioluminescência dos fungos pode ser controlada… e utilizada

Por Elisandro Ricardo Drechsler-Santos – Depto. de Botânica e PPGFAP – UFSC

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“Se essa trilha
Se essa trilha fosse minha
Eu mandava
Eu mandava iluminar
Com micélio e cogumelos luminescentes
Para o meu
Para o meu amor passar”

Nesta paródia de uma das cantigas infantis mais populares menciono as espécies de fungos que emitem luz, que não fazem parte apenas das crendices populares. Esses fungos são reais, mas podem ser vistos na natureza somente à noite, em florestas totalmente escuras, longe das luzes das cidades, das lanternas, em noites sem a luz da lua ou dos raios que anunciam a chegada de uma tempestade. Por mais incrível que pareça, nessas condições de breu, é possível andar em uma trilha somente com a orientação das luzes esverdeadas emitidas pelas células dos fungos (micélio) que estão crescendo e decompondo as folhas no solo das florestas. Contando com um pouco mais de sorte, é possível ainda ver cogumelos inteiros brilhando na noite.

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Como gerar energia elétrica a partir de lixas comuns

Por Vitor Hugo Sarmento – Dpto. de Química – UFS

Pesquisadores da Coreia do Sul desenvolveram um método para transformar uma lixa comum em um eletrodo que gera corrente a partir de fricção. Este dispositivo, também conhecido como nanogerador triboelétrico, consegue converter energia mecânica em energia elétrica. Apesar do nome pouco comum, o fenômeno da triboeletricidade é simples de se explicar: ele é originado a partir do atrito de dois materiais. Quando isso ocorre, eles ficam “eletrizados”, ou seja, um fica carregado positivamente enquanto o outro fica carregado negativamente.

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Impressão de objetos 3D turbinada!

Por Paula Borges Monteiro
Grupo de Estudos em Tópicos de Física – IFSC

A primeira máquina de escrever surgiu no século XVIII, desenvolvida pelo inglês Henry Mill e, durante muito tempo, desempenhou um papel importante em nossa sociedade. Hoje, as máquinas de datilografia, como também são chamadas, são raras e utilizadas principalmente como decoração. Talvez Henry Mill até tenha imaginado que as letras um dia seriam impressas em alta velocidade e sem a necessidade de digitá-las para que isso acontecesse. Porém, será que passou por sua cabeça que, não só as letras, mas também objetos poderiam tornar-se livres por meio de uma máquina?

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Como desvendar novas mutações em doenças genéticas não diagnosticadas?

Por Marco Augusto Stimamiglio

Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

Muitas vezes, o diagnóstico de doenças genéticas não é possível de ser realizado por meio de estudo dos genes de um paciente (avaliação do material genético através do sequenciamento de DNA), como ocorre em cerca de 60% dos casos. Até mesmo quando os médicos conhecem o histórico dos pacientes e sabem que se trata de doenças genéticas hereditárias, ainda assim, em alguns casos, encontrar as mutações que estão causando tal doença pode não ser uma tarefa fácil de ser realizada pelo sequenciamento de DNA (hoje uma técnica científica bastante corriqueira).

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