Faça-se luz! Mas “biológica” por favor!

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

A palavra “biológico” tomou conta do nosso quotidiano, está presente nos alimentos (biológicos/orgânicos), na cosmética, nos métodos de tratamento… e até já existem hotéis biológicos, os bio-hotéis! E de verdade, quem de nós não se sente tentado a consumir “biológico”, com a promessa de esse melhorar o nosso bem-estar e o do planeta? Foi o que também pensou uma equipa de engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ao tentar criar plantas capazes de iluminar as nossas casas. Parece-lhe ficção? Talvez não, talvez esteja num futuro mais próximo do que imagina! E uma vez que a iluminação é responsável por cerca de 20% do consumo mundial de energia, a exploração de novas soluções para a mesma merece, sem dúvida, a nossa atenção. Continuar lendo

A saúde bucal da criança é um reflexo do comportamento dos pais

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Não é novidade para nenhum de nós que a família, principalmente os pais, são os grandes exemplos para os filhos. Também não é novidade que os adultos ensinam muito mais aos seus filhos pelas suas atitudes do que pelo seu discurso. No entanto, infelizmente muitos pais e familiares ainda se valem do provérbio “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” na educação dos seus filhos. As consequências dessa forma de educação já foram bem estudadas na construção da relação da criança com a sociedade e com o mundo que a circunda pela psicologia, sociologia, antropologia entre outras. Mas as provas científicas de que essa forma de relação também afeta a saúde das crianças são relativamente recentes. Continuar lendo

Um termômetro pode medir a temperatura de uma célula?

Por Victor Hugo Vitorino Sarmento – Dep. de Química – UFS

O termômetro é, sem dúvida alguma, um instrumento indispensável na nossa sociedade. Quem nunca teve uma febre no meio da noite e a mamãe, com toda a preocupação do mundo, colocou um termômetro embaixo do nosso braço e mediu a temperatura do nosso corpo? Era o que auxiliava na decisão entre tomar um antitérmico e voltar para cama ou tomar um banho e correr diretamente para o hospital!

Figura 1. (a), (b) Esquema da medição de temperatura usando um sensor de fibra óptica em um circuito integrado com trilhas de larguras diferentes (até 200 μm) cobertas por camadas sobrepostas de nanopartículas de íons Eu3+ e Tb3+ dispersas em filmes poliméricos, cobertas por uma camada de óxido de silício (SiO2) e de outra camada magnética, formada por íons de óxido de ferro em escala manométrica.

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O Ministério da Saúde Adverte: O excesso de poder causa danos ao cérebro

Por Vitor Klein Professor do Depto de Governança Pública da UDESC

O ano é 2018; a TV dispara uma sequência nauseante de notícias. De um lado, em tom de ameaça, o líder norte-coreano faz um pronunciamento no qual enfatiza ter à sua mesa um botão nuclear; do outro lado, o presidente norte-americano replica, em sua conta do twitter, possuir um botão maior e mais poderoso. A sensação de que homens de poder podem nos lançar a um precipício, ao mesmo tempo em que permanecem alheios ao seu eleitorado e imunes aos conselhos de sua administração, é bastante perturbadora. O fenômeno Trump nos remete, no entanto, a uma intuição bastante antiga, a de que o poder tende a intoxicar e a corromper. Estudos recentes não só confirmam essa intuição, mas descrevem como o poder intoxica (Figura 1) e sugerem o que fazer para evitar que isso ocorra.
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E se conseguíssemos simular computacionalmente o funcionamento de uma célula?

Por Guilherme Razzera, Laboratório de Bioinformática Estrutural – UFSC

Imagem de um fofossistema na membrana do cloroplasto. Para visualizar os vídeos, clique aqui.

Há muitas maneiras de se estudar o funcionamento de um organismo ou de parte dele, e certamente a experimentação in vitro ou in vivo, com as coisas reais mesmo, foi a principal maneira que encontramos para construir o nosso conhecimento científico. A questão é: existem outras formas que vêm se difundindo nos últimos anos. Você já parou para pensar no quanto podemos simular as coisas atualmente? Estou falando de uma grande capacidade que temos de construir modelos, como os meteorológicos, por exemplo, que envolvem uma grande capacidade de cálculos e nos oferecem uma boa previsão em curto prazo. Tá bom, tem vezes que não dá pra confiar totalmente e deixar o guarda-chuvas em casa com segurança, mas usamos no nosso dia-a-dia, certo? Agora: e se conseguíssemos simular uma célula viva? Dizer quais são suas características, quais suas sequências de DNA, quais RNAs, quais proteínas, quais os tipos de membranas, qual pH, qual força iônica, entre outros parâmetros, além de simular o seu funcionamento e suas respostas. Será Continuar lendo

Imitando o nariz canino

Por Renata  Kaminski Dpto. de Química, UFS / Aracajú – SE

Todos sabem que os cachorros possuem um olfato extremamente sensível, esse sentido aguçado se deve ao alinhamento de milhões de minúsculos capilares (tubinhos) que cobrem uma grande área superficial, fazendo com que nossos melhores amigos sejam capazes de detectar odores em concentrações extremamente baixas.

A inspiração dos cientistas na estrutura do nariz dos cães para criação de sensores gasosos não é tão recente. No entanto, a grande dificuldade de fazer uma “boa imitação” é que o material seja de fácil obtenção em escala industrial e a síntese seja reprodutível, ou seja, que se obtenha sempre o mesmo material e com as mesmas Continuar lendo

Dor de dente: a teoria do “odontoblasto transdutor” ganha mais uma peça

Por Michelle Tillmann Biz – Dpto. de Ciências Morfológicas / UFSC

O dente é conhecido por ser um órgão formado por tecidos duros, sendo eles o esmalte, a dentina e o cemento (veja na Figura 1). Porém, em seu interior, protegido por esses tecidos duros, encontra-se um tecido mole, a polpa dentária. A polpa dentária é um tecido conjuntivo propriamente dito, como o que encontramos abaixo da nossa pele, sendo responsável pela nutrição celular, defesa e reparação, bem como a sensibilidade local. Sendo assim, a polpa dentária é onde encontramos a vitalidade de um dente. Um dente vital possui polpa dentária; um dente que não tem polpa (como os dentes que já tiveram tratamento de canal executado) são dentes desvitalizados. Dessa forma, a polpa dentária é o tecido responsável por toda a fisiologia do dente respondendo aos estímulos de dor, desencadeando a resposta inflamatória bem como a resposta de regeneração e reparação. Sem a polpa dentária, não temos mais esses estímulos. Continuar lendo