Controvérsia à volta da suscetibilidade à gripe!

Por Rita Zilhão

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal

Figura 1: Diferentes epitopos (representados por diferentes cores) da hemaglutinina. Fonte: Revista PNAS

Vamos outra vez falar do vírus da gripe (influenza), mas desta vez da controvérsia à volta da diferente suscetibilidade a este vírus.

Quando somos infectados pelo vírus da gripe, o nosso corpo desenvolve uma resposta imune produzindo anticorpos contra duas das principais proteínas da superfície viral, a hemaglutinina e a neuraminidase. Mais concretamente, a resposta é contra diferentes regiões (determinantes antigênicos) de cada proteína, designados de epítopos. Esses anticorpos são produzidos por um tipo de célula imune: a célula B. Se sofrermos uma segunda infecção, as células B, agora ditas de memória, pois reconhecem os mesmos epítopos que tinham desencadeado a primeira resposta imune, são reativadas e, por essa razão, muito rapidamente esta linha Continuar lendo

É possível utilizar a metionina modificada para diversas funções, como um canivete suíço

Por Renata  Kaminski
Dpto. de Química, UFS / Aracajú – SE

Cientistas desenvolveram um novo método para juntar moléculas de interesse às proteínas, a partir da ligação seletiva com o aminoácido metionina. Os aminoácidos metionina e cisteína são os dois únicos aminoácidos que contém enxofre (S), o que lhes confere uma grande versatilidade e uma química única. Por esse motivo, a conjugação e a modificação da metionina têm sido objeto de estudo de vários grupos de pesquisa. No mês de fevereiro de 2017, cientistas da Universidade de Berkeley nos EUA publicaram, na prestigiada revista Science, uma nova técnica capaz de ligar moléculas de interesse nas proteínas através do aminoácido metionina.

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Novo material pode resfriar o telhado de sua casa com consumo de energia zero

Por Keli Fabiana Seidel
Grupo de pesquisa em Bio-Optoeletrônica Orgânica– UTFPR

Filosofando um pouco sobre história e ciência em relação ao desenvolvimento da humanidade, temos vários fatos importantes que podem ser mencionados. Por exemplo, temos Faraday e sua descoberta sobre a indução eletromagnética (1831), que possibilitou ao longo dos anos que mais pessoas tivessem acesso à energia elétrica em suas casas através da geração de energia em usinas; Hertz, descobrindo que era possível criar ondas eletromagnéticas em laboratório (1888) dando a Marconi, nos anos seguintes, Continuar lendo

Cogumelos venenosos podem salvar vidas

Por Elisandro Ricardo Drechsler-Santos & Cauê Oliveira
Depto. de Botânica e PPGFAP – UFSC

Figura 1: Amanita phalloides (Vaill. ex Fr.) Link, um dos cogumelos mais mortais do planeta, mas que produz moléculas que podem salvar vidas (fonte: https://goo.gl/images/r8kp8K).

As pessoas são micofóbicas? De modo geral os brasileiros são! O “medo” de fungos, ou micofobia (do latim, mico = fungo; do grego, fobia = medo), é um medo irracional de origem cultural. Observem: quando as pessoas ouvem a palavra “fungo” reagem fazendo cara feia de desaprovação ou de desconfiança, não é verdade? Bem, acredita-se que o “medo” ocorra em culturas que se preocupam principalmente com o aspecto perigoso dos fungos, principalmente em relação Continuar lendo

Envelhecer… ou talvez não!

Por Hélia Neves
Prof. da Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

Saber envelhecer bem é, possivelmente, um dos nossos maiores desejos! Trata-se de uma das grandes inquietações do homen desde os primórdios do tempo. Veja-se o mito grego de Eos e Tithonis. Eos, Aurora na mitologia Romana, pediu a Zeus a imortalidade do seu amante, Tithonus, o príncipe de Tróia. No entanto, ao esquecer-se de pedir também a sua eterna juventude, acabou por condenar Tithonus a envelhecer para todo o sempre… E hoje? Será que com os extraordinários progressos da ciência, podemos finalmente “roubar estes poderes divinos” e desafiar os limites da nossa juventude e mortalidade? Continuar lendo

Os vírus são capazes de conversarem entre si

Por Ricardo Castilho Garcez                                                                                                  
Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Para que um vírus possa se multiplicar, ele precisa infectar uma célula. Após a infecção, o vírus passa a controlar a maquinaria de produção de proteínas da célula hospedeira, obrigando-a a produzir novos vírus. Esse processo acaba levando a célula hospedeira à morte, liberando vários vírus que irão infectar novas células. Note que existe um paradoxo nesse sistema, pois ao matar as células hospedeiras, o vírus tende a ficar sem ter como se multiplicar. Porém, recentemente cientistas israelenses descobriram que alguns vírus se comunicam entre si controlando Continuar lendo

Shakespeare não foi o autor de todas as suas peças

Pedro Telles da Silveira                                                                                                            Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História – UFRGS

No começo do mês de outubro de 2016, a publicação da nova edição completa das obras de William Shakespeare, pela editora da Universidade de Oxford, chamou a atenção do grande público. Pela primeira vez, outro autor assinou em coautoria um trabalho de Shakespeare. Trata-se do poeta e dramaturgo Christopher Marlowe (1564-1593), cuja carreira literária foi abreviada por sua prematura morte antes de completar trinta anos de idade. Essa é uma descoberta de grande relevância para os estudiosos da obra do escritor britânico e que sela um debate que se arrastava desde o século XVIII, qual seja, se Shakespeare escrevera suas obras junto a algum colaborador Continuar lendo