Revelados os segredos da viagem longa! O que faz a LSD em nossos receptores de serotonina?

Por Guilherme Razzera, Prof. do Dpto. de Bioquímica da UFSC

FIGURA 1: LSD junto ao receptor de serotonina. Ao interagir, a “tampa” que existe nesse receptor permanece mais tempo fechada aumentando a duração dos efeitos alucinógenos (Figura adaptada de Wacker et al., 2017).

Obviamente esta pergunta é complexa, porém para respondê-la temos basicamente dois caminhos. Para entender os efeitos da LSD (a Dietilamida do Ácido Lisérgico) no nosso organismo, um dos caminhos que pode ser seguido envolve, eu diria, um tipo de experimentação ilegal, que foge aos rigores metodológicos científicos e que certamente não corresponde aos nossos objetivos aqui. O outro caminho é tentar entender qual o mecanismo molecular/bioquímico de ação dessa droga no organismo. Vou tentar convencê-los de que essa última maneira pode ser também uma viagem. Uma viagem pela bioquímica das macromoléculas! Continuar lendo

Explorando o desconhecido por meio das visualizações contábeis e gerenciais

Por Vitor Klein Professor do Depto de Governança Pública da UDESC

Na arte do holandês Cornelis Cort (1533-1578), a dama retórica se inclina enquanto um jovem recebe instrução sobre retórica. Parte das Sete Artes Liberais, a retórica tinha como base a gramática e a lógica. Paolo Quattrone explora como a retórica pode nos ajudar a entender o papel das visualizações contábeis e gerenciais.

Minha esposa costuma dizer que só existe uma profissão mais entediante que a de dentista: a de contador. Considerando que ela é escritora, faz todo sentido. Afinal, se a imaginação é o eixo de sua arte, a contabilidade se ocupa do universo árido do real. Números, indicadores, balanços e gráficos costumam informar, dizem por aí, sobre um estado objetivo da realidade, e cabe a contabilidade suprimir incertezas e ambiguidades normalmente atribuídas à esfera da política e da arte. Paolo Quattrone (2017), no entanto, questiona essa dicotomia ao oferecer uma perspectiva alternativa sobre o papel das visualizações contábeis e gerenciais.

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Entendendo o mal de Charlie Gard

Por: Giordano W. Calloni – Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Figura 1 – Chris Gard e Connie Yates com seu bebê Charlie Gard. Fonte: The Sun.

It is now too late to treat Charlie” (Agora é muito tarde para tratar Charlie). Foi com estas palavras proferidas. No último dia 27 de julho pelo advogado de Chris Gard e Connie Yates (Figura 1). Que chega ao fim uma luta jurídica de repercussão internacional que mobilizou desde o presidente americano Donald Trump até o Papa Francisco.

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Células-tronco do cérebro podem influenciar o ritmo do envelhecimento

Por Marco Augusto Stimamiglio – Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

A literatura científica tem demonstrado, constantemente, uma variedade de funções das células-tronco em nosso organismo. Inclusive durante a idade adulta, muitos tecidos do corpo humano produzem novas células a partir das células-tronco. Mesmo naqueles tecidos em que, até recentemente, se pensava não haver reposição de células, como coração e cérebro, os cientistas têm demonstrado haver renovação. Mais do que isso, as células-tronco têm sido relacionadas a uma série de funções importantes para a manutenção da própria vida. Recentemente, cientistas do Albert Einstein College of Medicine de Nova York descobriram que células-tronco do hipotálamo, região do cérebro capaz de controlar processos de envelhecimento do corpo (além de outras funções como crescimento, desenvolvimento, reprodução e metabolismo), apresentam diversos efeitos sobre a taxa de envelhecimento em camundongos.

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“Lab-on-a-glove”: um laboratório na palma de sua mão contra o terrorismo químico

Por Bruno José Gonçalves da Silva Prof. Dpto. de Química – UFPR

Fonte: Joseph Wang / University of California – San Diego

É triste começar um texto científico desta maneira, mas a verdade deve ser dita: vivemos em um mundo cada vez mais perigoso! Lamentavelmente, essa é uma realidade que descreve com precisão o estado de atenção que cerca nosso cotidiano, como evidenciado por uma série de atos chocantes de terrorismo ao redor do mundo. É comum nos noticiários, por exemplo, reportagens sobre explosões de bombas e liberação de gases tóxicos em ambientes de alta densidade populacional. Trata-se de uma forma de terrorismo conhecido como terrorismo químico, no qual Continuar lendo

Um dos porquês da fragilidade dos músculos…

Por Rita Zilhão, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal

Hoje vamos falar da função muscular, ou melhor, da falta do correto funcionamento da função muscular. A que nos estamos a referir? Poderia ser ao que se observa durante o envelhecimento, em que vai havendo um progressivo desgaste e perda de tecido muscular … e que nem a ginástica consegue resolver – e neste caso se está perante aquilo que se designa de atrofia muscular. Ou às diferentes situações de doença em que há uma fragilidade muscular que conduz a uma mobilidade reduzida, progressivamente incapacitante, podendo as pessoas perder a capacidade de se mover.

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O atlas das células humanas

Por Bruno Costa da Silva – Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Ao longo dos 14 anos passados desde a conclusão do projeto genoma humano, conhecido como o “código da vida”, muito se aprendeu sobre o livro de receitas que dita como células constroem e montam suas peças elementares, essenciais para a estrutura e funcionalidade de organismos. Por exemplo, aprendeu-se que seres humanos apresentam uma diferença em seu código genético de aproximadamente 0,1% entre si e de 4-5% quando comparados com chimpanzés, o que é muito menos do que se esperava no inicio deste projeto.

Inegáveis frutos ainda são colhidos de forma pujante em pesquisas que vão das áreas de biologia do câncer e de doenças degenerativas a pesquisas sobre padrões migratórios de populações humanas, passando pelo estudo da história das origens da espécie humana. Entretanto, apesar de conter a informação Continuar lendo