Células-tronco podem servir como vacina contra o câncer

Por Marco Augusto Stimamiglio – Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

Baseando-se na reconhecida habilidade de proliferar rapidamente e gerar inúmeros clones de si mesmas, as células cancerosas têm sido comparadas às células-tronco pluripotentes. Essa e outras similaridades compartilhadas entre esses dois tipos celulares deram origem à atual hipótese das células-tronco tumorais, cuja proposta define que, dentre todas as células cancerosas, algumas atuem como células-tronco que se reproduzem e sustentam o câncer de forma semelhante às células-tronco que normalmente renovam e sustentam nossos órgãos e tecidos. Foi com essa ideia em mente que um grupo de cientistas de diferentes partes do mundo (Estados Unidos, Holanda, Alemanha e Coreia) ousou testar células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs; consulte nossos textos anteriores) como uma potencial vacina anticâncer. O artigo publicado em fevereiro de 2018, na renomada revista Cell Stem Cell, relata que injeções de iPSCs irradiadas protegem camundongos do desenvolvimento de câncer de mama, pulmão e pele, assim como previnem o reaparecimento de tumores removidos cirurgicamente. Continuar lendo

Uma caneta e 10 segundos podem ser suficientes para detectar células cancerígenas

Por Bruno José Gonçalves da Silva Prof. Dpto. de Química – UFPR

Figura 1: Dispositivo, semelhante a uma caneta, utilizado para detectar células cancerígenas. Fonte: Divulgação/Universidade do Texas

“Hoje é um belo dia para salvar vidas!”. Fãs de seriados com certeza reconhecem essa frase. Trata-se das palavras comumente ditas pelo personagem Derek Shepherd, da séria Grey’s Anatomy, antes de iniciar suas complicadíssimas neurocirurgias. Mas calma…, apesar deste texto apresentar o que parece ser um grande avanço para a medicina cirúrgica e preventiva, ele não irá tratar de seriados e não contém spoilers. Na verdade, trata-se do desenvolvimento de um dispositivo portátil para detectar, em apenas 10 segundos, células cancerígenas durante uma cirurgia! Tal dispositivo, que se assemelha muito a uma caneta (Figura 1), foi criado por cientistas da Universidade do Texas, Estados Unidos, sendo que a pesquisa foi conduzida por uma brasileira, a professora de química Livia Eberlin.

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Bactérias podem degradar drogas antitumorais e contribuir para o crescimento de tumores

Por Bruno Costa da Silva – Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Apesar do massivo investimento no desenvolvimento de novas drogas antitumorais, que atualmente envolve uma cifra de mais de 100 bilhões de dólares anuais (valor que deve aumentar em pelo menos 50% até o ano de 2020), casos de resistência a drogas antitumorais ainda representam um grande desafio no tratamento de pacientes oncológicos. De forma geral, entende-se que o desenvolvimento dessa resistência ocorre, por exemplo, pela seleção de populações de células tumorais desprovidas do alvo terapêutico dessas drogas durante o tratamento. Outro processo de resistência que vem sendo observado envolve o desenvolvimento de mecanismos, pelas células tumorais, que permitem a degradação e/ou eliminação dos medicamentos antitumorais, possibilitando que os tumores não apenas sobrevivam, mas que também Continuar lendo

O segredo numa gota de sangue…

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

Todos nos questionamos qual rumo da Medicina e como esta evoluirá para nos tornarmos indivíduos cada vez mais saudáveis. Uma coisa é certa, desejamos que a Medicina do futuro melhore a capacidade de detectar precocemente as doenças com métodos não-invasivos, e idealmente, que consiga até prevenir/evitar o seu aparecimento. Muitos avanços foram feitos nesse sentido e parece que vamos no bom caminho…

“Os cientistas descobriram que…” é possível detectar precocemente algumas formas de cancro (câncer) utilizando apenas uma gota de sangue… Em agosto deste ano (2017) uma equipe de Investigadores, liderados por V. Velculescu do “Johns Hopkins Kimmel Cancer Center”, publicou na revista Science Translational Medicine (Figura 1), uma nova técnica de análise ao sangue que permite a detecção precoce de algumas formas de cancro (colo-rectal, mama, pulmão e ovário). Continuar lendo

Quimioterapia: quando menos é mais

Por Bruno Costa da Silva

Pesquisador do Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Imagem adaptada, fontes: Metrônomo e Medicamentos.

Apesar das terapias antitumorais serem cada dia mais específicas e menos nocivas aos pacientes, de maneira geral, o início de um tratamento com quimioterápicos ainda está bastante associado com queda de cabelo, náuseas, fadiga, dores e/ou enfraquecimento do sistema imunológico. Além disso, é sabido que a utilização de tais estratégias terapêuticas, que frequentemente se baseiam em pulsos de quimioterapia utilizando as doses mais altas toleráveis pelo paciente, nem sempre resultam na eliminação completa dos tumores e na cura dos pacientes. Um dos motivos é o período de descanso necessário após a administração de doses “cavalares” de medicamento, que em potencial abrem espaço para o crescimento das células tumorais, Continuar lendo

Sobre a velhice e os tumores

Por Bruno Costa da Silva                                                                                                  Pesquisador do Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Dados da Organização das Nações Unidas estimam que a população mundial de pessoas com mais de 60 anos seja superior a 2 bilhões de indivíduos até o ano de 2050. Isso significa que, além de um sistema previdenciário robusto, precisaremos de uma atenção ainda maior aos futuros casos de câncer. Já é sabido que os cânceres são, de maneira geral, doenças de envelhecimento, sendo que quanto mais idosos ficamos maior é o tempo para acumularmos mutações associadas a eles. Continuar lendo

Câncer ou Cânceres?

Por Bruno Costa da Silva                                                                                                 Pesquisador do Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Bruno CS - imagemApesar de podermos dizer que significantes batalhas estão lentamente sendo vencidas na longa e acirrada guerra contra o câncer, especialmente por aprimoramentos na detecção precoce deste tipo de doença, ainda há muitos itens em branco a serem preenchidos na descrição do perfil do inimigo. Continuar lendo