Um programa na formação de metástases

Por Rita Zilhão, Faculdade de Ciências de Lisboa, Portugal

As metástases resultam da disseminação de células tumorais a partir de um tumor primário e à sua posterior colonização e crescimento noutro órgão ou tecido do organismo. A formação de metástases é responsável pela maioria das mortes relacionadas com o cancro (câncer, em português brasileiro). Os mecanismos moleculares subjacentes à formação de metástases têm sido alvo de intenso estudo desde há muito. As razões clínicas para essa dedicação são óbvias: quanto maior for esse conhecimento mais eficientes serão as estratégias e o desenvolvimento de drogas que visem o bloqueio ou redução do processo de metastização.

Um dos modelos biológicos que se pensa poder mediar a disseminação metastática é o do fenômeno conhecido como “transição epitélio-mesênquima” (EMT – epithelial-to-mesenchymal transition). Convém referir que, pela sua natureza e características, esse programa biológico está envolvido no desenvolvimento embrionário e na cicatrização de feridas (wound healing). Nas duas últimas décadas, verificou-se que, embora com algumas variantes, o EMT também está na origem da formação de metástases de cancros do pulmão, pâncreas, ovário etc.., ou seja, essencialmente carcinomas, que são cancros com origem em epitélios*. Mais uma vez o cancro se revela como um “fora-da-lei”, sequestrando os mecanismos normais da célula e manipulando-os para seu próprio uso fruto! Continuar lendo

Os tumores e os “zombies” que vivem no nosso corpo…

Por Hélia Neves                                                                                                                                    Prof. da Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

Enraizados na nossa cultura popular, quer através de livros, quer mais recentemente através da sua banalização em filmes e séries populares da TV, parece que os zombies vieram para ficar! O zombie é uma figura ficcional cujo estereótipo define-se como uma pessoa morta que foi reanimada e que vive a perambular de forma bizarra, privada de vontade própria… É um morto-vivo! Mas hoje trago-vos um zombie um pouco diferente, bem real e que pode habitar no nosso corpo… Intrigado (a)? Continuar lendo

Como a célula tumoral engana os seus parceiros…

Por Hélia Neves                                                                                                                                    Prof. da Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

As alterações nas células do nosso corpo podem levar ao seu crescimento anormal e à formação de tumores primários. Por sua vez, a modificação continuada das células tumorais pode torná-las malignas dando-lhes propriedades de invasão

Imagens em tempo real revelam permeabilidade vascular local e transiente e intravasão (entrada no vaso) da célula tumoral (células amarelas) após estimulo por macráfagos (células roxas). Adaptado de cancerdiscovery.aacrjournals.org.

Imagens em tempo real revelam permeabilidade vascular local e transiente e intravasão (entrada no vaso) da célula tumoral (células amarelas) após estimulo por macráfagos (células roxas). Adaptado de cancerdiscovery.aacrjournals.org.

do local geográfico de origem. A invasão é conseguida porque a célula maligna deixa de reconhecer os sinais locais (do microambiente) e migra para outras regiões do corpo através dos Continuar lendo

Asfixiando a Corrupção Tumoral: A prisão dos canceres corruptores

Por Bruno Costa da Silva                                                                                                 Pesquisador do Medical College, Cornell University/Nova Iorque – EUA

Bruno CS - FiguraComo já mencionado em outros textos no CDQ, como no texto “Abaixo à corrupção tumoral”, de 30 de outubro de 2013, uma linha no campo de pesquisa sobre o câncer que vem ganhando força nos últimos vinte anos considera que células tumorais não atuam isoladamente. Nesta visão, para o progresso de tumores, processo que envolve crescimento, invasão e disseminação de células tumorais para órgãos distantes (ou mais tecnicamente “metástases”), é necessária a participação de células Continuar lendo

Pessoas com síndrome de Down são menos susceptíveis à desenvolverem tumores

Por Giordano Wosgrau Calloni                                                                                                    Prof. do Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética

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Giordano - FiguraNo ano de 2002, cientistas publicaram na conceituada revista científica The Lancet, dados de 13 anos de pesquisa (1983-1997) a respeito da mortalidade de cerca de 18.000 pessoas com síndrome de Down. Esta síndrome também é conhecida como trissomia do cromossomo 21, uma vez que a alteração genética é ocasionada justamente pela presença total ou parcial de uma cópia do cromossomo 21. Continuar lendo

O despertar da era dos exossomos: serão os antigos lixeiros promovidos a carteiros?

Por Bruno Costa da Silva                                                                                                 Pesquisador na Medical College, Cornell University/Nova Iorque – EUA

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Bruno CS - imagemEm um ramo que vem tomando força na última década, cientistas começaram a revisitar antigos conceitos sobre o que até então se entendia como “os lixeiros das células”, ou mais formalmente falando, os exossomos. Apesar do seu pequeno tamanho (em torno de 100 nanômetros, o que se compara ao tamanho de um vírus ou de 0,2 a 1% do tamanho de uma célula), os exossomos são formados por diversos componentes presentes nas células, em especial os lipídeos e as proteínas. Continuar lendo

Metástases tumorais iniciam muito antes do que se imagina

Por Bruno Costa Silva                                                                                                                Pesquisador no Medical College, Cornell University/Nova Iorque – EUA

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Bruno - imagemQuando o assunto é câncer, um ponto é unânime:tratamentos eficazes demandam detecção precoce antes do espalhamento do tumor pelo corpo, processo esse conhecido como metástase. As lesões metastáticas são especialmente complicadas por serem de difícil detecção em sua plenitude, sendo difícil garantir a remoção de todos os focos por meio de cirurgias e/ou quimioterapias. Por ser a principal causa de morte por câncer, estudos sobre os processos envolvidos na formação de metástases são de grande importância. Continuar lendo