Os fungos transformaram nosso Planeta

Por Marcela Monteiro & Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, Dpto. BOT-CCB, PPGFAP – UFSC

Plântula e sua rizosfera significativamente ampliada pelas hifas do fungo micorrízico. Fonte: Pinterest.

Os fungos, até a década de 60, eram equivocadamente classificados como plantas. Mais recentemente, o Reino Fungi vem recebendo a devida atenção, não só por ser um grupo único de organismos extremamente diversos, mas também por suas funções no meio ambiente.

Os fungos são responsáveis por serviços ecossistêmicos essenciais para manutenção do equilíbrio natural, tão importantes quanto a fotossíntese das plantas e algas. Dois destes importantes serviços merecem destaque. Um deles, e talvez o mais conhecido, é o fato de os fungos atuarem como decompositores naturais, sendo fundamentais na ciclagem de nutrientes, pois degradam potencialmente tudo ou quase tudo. O segundo que merece destaque, igualmente importante, mas menos conhecido é o fato de os fungos atuarem como micorrízicos, ou seja, são responsáveis por um sistema de conexão nas florestas, que envolve todas as relações de troca de nutrientes, químicos tóxicos e até mesmo de informações com e entre as plantas.

Essas duas funções não surgiram “da noite para o dia”, ou seja, são processos de milhares de anos que evoluíram com a diversificação dos fungos e transformaram nosso planeta, impactando totalmente a vida na Terra. Já mostramos como os fungos passaram evolutivamente a degradar a madeira e quais as consequências disso. Também já falamos como os fungos estruturam a “internet natural” das florestas, mas nos resta ainda explicar como e quando a associação dos fungos com as plantas foi responsável não só pela proliferação das plantas no ambiente terrestre, mas também como contribuíram para a oxigenação do nosso Planeta.

Como assim? Não são os organismos fotossintetizantes, plantas e algas, os responsáveis pela produção de oxigênio no planeta? Exatamente! Mas a baixa quantidade de fósforo disponível no solo e a estrutura primitiva das raízes (rizoides) das primeiras plantas terrestres foram problemas superados somente com a associação com as hifas dos fungos. Há registro fóssil destes fungos lá do Paleozoico, teoricamente do grupo Glomeromycota, que datam de mais de 400 milhões de anos. Nessa Era primitiva, as primeiras plantas viviam em uma atmosfera com muito gás carbônico (CO2) e pouco oxigênio (O2).

Detalhe da associação das hifas do fungo com raiz de uma planta (Fonte: site da Agriculturers).

Segundo pesquisa liderada por Benjamin Mills (acessar artigo clicando aqui), essa simbiose de benefícios mútuos chamada de micorriza, permitiu que as plantas tivessem fósforo na quantidade certa através dos fungos. O fósforo é um nutriente essencial para o crescimento e fotossíntese das plantas e isso também permitiu que os fungos fossem nutridos com a energia da fotossíntese das plantas e assim se desenvolvessem juntos. Com o aumento da fotossíntese, que utiliza como matéria prima o CO2 atmosférico, teoricamente houve uma diminuição do CO2 e consequente aumento do O2 ao longo do Paleozoico. Os autores sugerem que esse evento de associação foi responsável não só pelo aumento das concentrações atmosféricas de oxigênio, mas também do estabelecimento de outras formas de vida no ambiente terrestre, como a evolução dos primeiros mamíferos, inclusive mais tarde dos humanos.

A parceria entre Flora e Funga é um evento evolutivo que influenciou e ainda influencia o clima no nosso planeta. As micorrizas, presentes na maior parte das espécies de plantas, contribuem para esse equilíbrio. Na “contra-mão” disso, as incisivas perturbações humanas estão elevando as temperaturas de forma muito abrupta, resultando na perda de diversidade. Caso não sejamos capazes de retomar o controle, seriam os fungos  os responsáveis por reestabelecer o equilíbrio climático no planeta após um colapso ? Potencialmente sim, pois já sabemos de sua capacidade como mediadores entre os componentes bióticos (com vida) e abióticos (sem vida) do planeta. Provavelmente os humanos não “vivenciarão” tal evento evolutivo da vida na Terra.

Para saber mais, acesse o artigo original abaixo:

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