O exercício físico como um instrumento terapêutico na depressão

Por Guilherme Pasetto Fadanni1 e Geison Souza Izídio2

  1. Mestrando em Farmacologia – UFSC;
  2. Coordena o Laboratório de Genética do Comportamento – UFSC

Em tempos de vida agitada, sono escasso ou de baixa qualidade e estresses diários constantes, muito se fala sobre a prática de exercício físico como um meio de prevenir e/ou tratar a depressão humana. Mas quais seriam as bases científicas por detrás desses possíveis benefícios?

Pesquisadores do Laboratório de Mapeamento Cerebral e Integração Sensório-Motora do Instituto de Psiquiatria – UFRJ publicaram o artigo “O exercício físico no tratamento da depressão em idosos: uma revisão sistemática” (http://goo.gl/SIFXzl). Nesse, eles fazem uma revisão da literatura quanto ao efeito protetor e a eficácia do exercício físico no tratamento da depressão. Os pesquisadores destacam que “(…) somente 30 a 35% dos pacientes respondem ao tratamento com psicofármacos (…)”, mostrando a necessidade e a importância de estudos com métodos alternativos. A revisão literária envolveu a análise de 30 artigos, a partir dos quais os cientistas descobriram que existe uma relação inversamente proporcional entre a prática de atividade física e os níveis de depressão. Nessa análise, os cientistas identificaram duas vertentes: a primeira indica a prática da atividade física de modo a diminuir os sintomas depressivos e, a outra, a influência da depressão na prática da atividade física. Ou seja, o sedentarismo, ou a insatisfação, que levam à desistência da prática de atividades, podem estar relacionados com a depressão.

Em outro estudo, esse do Programa de Pós Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria da UFRGS (http://goo.gl/F2Amji), os cientistas descobriram que o exercício físico já pode ser considerado eficaz contra depressões de leve a média intensidade. Esse dado é de extrema importância, pois apesar das inúmeras combinações de tratamentos farmacológicos e terapêuticos, a eficácia beira somente 50%, com outros 30% que não possuem redução de sintomas e ainda 20% que abandonam o tratamento. Entretanto, existem diferentes tipos de depressão, como a de leve, média e grave intensidade, depressão bipolar ou, ainda, distimia. A maioria dos estudos faz ligação aos primeiros dois tipos (leve e moderada), tornando “superficial” os conhecimentos específicos dos outros tipos de depressão.

Ainda, cita-se um estudo estadunidense (http://goo.gl/tQfw7Z) que avaliou o efeito de diferentes “níveis” de exercício físico em 80 pacientes, revelando que exercícios de baixa intensidade ou baixos “níveis” de exercícios são tão eficazes quanto um placebo (do latim placere, um tratamento inerte que pode ser na forma de um fármaco, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está sendo tratado). Já um alto “nível” de exercício físico, ou exercício físico de alta intensidade, produz um efeito antidepressivo comparável ao dos fármacos. Esse estudo foi um dos primeiros a avaliar o uso de exercício físico como monoterapia para pacientes clinicamente deprimidos.

Os efeitos positivos do exercício sobre o espectro de sintomas da depressão possuem larga base científica e são evidenciados cada vez mais na pesquisa básica e na clínica. Porém, como de fato o exercício pode afetar o cérebro e, por conseguinte, melhorar o quadro clínico de um paciente deprimido? Uma das respostas para esse questionamento é a neurogênese, conceito que diz respeito ao processo de formação de novos neurônios. Em um estudo recém-publicado na revista Reviews in the neuroscience (https://goo.gl/UYuENG), cientistas reúnem e discutem informações acerca da formação de novos neurônios em uma estrutura do cérebro chamada hipocampo e a participação desse fato nos efeitos antidepressivos do exercício físico.

Como quase tudo na ciência, é sempre necessário mais estudos e discussões mais aprofundadas sobre o tema. Por exemplo, é necessário entender o tipo de exercício, intensidade e volume, necessários para atuar efetivamente como uma ação complementar no tratamento e ou prevenção de pacientes humanos depressivos. Assim, certamente ainda não compreendemos tudo sobre o tema, porém o que a literatura científica já claramente demonstra é que na maratona chamada vida, vale a pena se exercitar um pouquinho!

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