Tumores hibernam para sobreviver à quimioterapia

Apesar de termos à disposição uma razoável gama de drogas com efeito antitumoral, de maneira geral, um determinado tumor será sensível apenas a uma fração destas drogas. Além disso, mesmo quando um tumor é sensível a uma droga específica, comumente observa-se o desenvolvimento de resistência a curto ou médio prazo. Uma das explicações mais aceitas para este processo é a de que, mesmo quando a maioria das células em uma massa tumoral é sensível à uma determinada droga, comumente existirão populações de células tumorais resistentes à uma terapia em questão. Assim, ao final do tratamento com uma determinada droga, haveria espaço para uma população inicialmente minoritária se expandir e formar novas massas tumorais. Levando em conta esta teoria, em casos de retorno da massa tumoral, a estratégia mais adotada é a de buscar uma droga alternativa que possa ser eficiente contra estas células tumorais emergentes. Entretanto, não raramente, há casos aonde não é possível obter resposta antitumoral com drogas alternativas, seja por falta de efeito da droga e/ou por excessiva toxicidade da terapia em questão. Infelizmente, estes casos costumam resultar em baixa sobrevida dos pacientes.

Com isso em mente, de forma a melhorar a resposta e a sobrevida de pacientes oncológicos, fica clara a importância de buscarmos compreender com mais detalhes como tumores tornam-se resistentes às drogas. Outra questão crucial, sem uma resposta no campo da oncologia, é sobre como células cancerígenas se mantém inativas (ou dormentes) durante anos após um primeiro tratamento, voltando a formar lesões tumorais as vezes décadas depois do primeiro diagnóstico. 

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Estresse e corticoides podem piorar a saúde de pacientes com câncer de mama

Por Ricardo C. Garcez, Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC 

Um paciente recebe a notícia que está com câncer! Dentre as reações mais comuns estão o desespero, a insegurança, a sensação de morte eminente, a preocupação com parentes e amigos próximos, entre outras. Todas essas sensações desencadeiam respostas de estresse intenso em nosso organismo. Cientistas descobriram que os hormônios liberados em uma situação de estresse aumentam a progressão e a formação de metástases no câncer de mama Continuar lendo

Sobre a velhice e os tumores

Por Bruno Costa da Silva                                                                                                  Pesquisador do Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Dados da Organização das Nações Unidas estimam que a população mundial de pessoas com mais de 60 anos seja superior a 2 bilhões de indivíduos até o ano de 2050. Isso significa que, além de um sistema previdenciário robusto, precisaremos de uma atenção ainda maior aos futuros casos de câncer. Já é sabido que os cânceres são, de maneira geral, doenças de envelhecimento, sendo que quanto mais idosos ficamos maior é o tempo para acumularmos mutações associadas a eles. Continuar lendo

Uma vacina para todos os tumores curar?

Por Bruno Costa da Silva                                                                                                  Pesquisador do Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

James Gillray. "A Pústula Bovina ou Os Maravilhosos Efeitos da Nova Inoculação!". 1802.

James Gillray. “A Pústula Bovina ou Os Maravilhosos Efeitos da Nova Inoculação!”. 1802.

Há mais de 200 anos, o naturalista e médico inglês Edward Jenner apresentou a descoberta revolucionária de que a pré-exposição de seres humanos à um vírus (ou a partes desse vírus) pode torná-los mais resistentes a esse mesmo vírus. Desta descoberta, nascem as vacinas. Apesar dessa estratégia ainda não funcionar contra todos os Continuar lendo

A molécula “celebridade”, fosfoetanolamina

Por Andréa Rodrigues Chaves                                                                                                       Instituto de Química – UFG

Andrea - FiguraHá menos de seis meses, um composto químico ganhou notoriedade entre a população brasileira, a fosfoetanolamina. Muitos não sabem, nem mesmo, a que função química esta molécula pertence, mas a sua possível aplicação já foi razão suficiente para que este composto ganhasse tanta atenção. A fosfoetanolamina tem sido relacionada a uma considerável redução e melhora no quadro de pacientes com câncer, especialmente pacientes em estágio terminal da doença. Continuar lendo

Pessoas com síndrome de Down são menos susceptíveis à desenvolverem tumores

Por Giordano Wosgrau Calloni                                                                                                    Prof. do Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética

Para ouvir o áudio com  o autor, clique aqui.

Giordano - FiguraNo ano de 2002, cientistas publicaram na conceituada revista científica The Lancet, dados de 13 anos de pesquisa (1983-1997) a respeito da mortalidade de cerca de 18.000 pessoas com síndrome de Down. Esta síndrome também é conhecida como trissomia do cromossomo 21, uma vez que a alteração genética é ocasionada justamente pela presença total ou parcial de uma cópia do cromossomo 21. Continuar lendo

Jogando dados: seria o azar o principal responsável pelo câncer?

Por Tiago Góss dos Santos                                                                                                 Pesquisador do CIPE, Hospital AC Camargo;

Tumor dadoNo primeiro dia do ano de 2015, a revista Science publicou um artigo que causou (e ainda está causando) muitas polêmicas. Os autores do estudo são dois conceituados cientistas na área do câncer, Bert Vogelstein e Cristian Tomasetti, do hospital Johns Hopkins em Baltimore, Estados Unidos. O artigo lança uma possível Continuar lendo