E os cientistas do Afeganistão… Será que podemos ajudá-los?

Por Ricardo Castilho Garcez Dpto. Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC.

Muito foi noticiado sobre a retomada do poder no Afeganistão pelo Talibã. No entanto, pouco se falou sobre os cientistas afegãos e seus alunos. E, principalmente, por que eles estariam precisando de ajuda?

Desde 2002, com o fim do regime Talibã, o Afeganistão testemunhou um boom de conhecimento e informação. Foram criadas Universidades e 1.900 veículos de mídia, de acordo com a organização cultural das Nações Unidas, UNESCO. A população estudantil aumentou de 8.000 para 170.000, um quarto dos quais são mulheres. A Academia de Ciências do Afeganistão cresceu para empregar mais de 300 pessoas. Diversas colaborações científicas foram estabelecidas com países da Europa e Estados Unidos. Isso faz com que a maior parte da produção científica afegã esteja atrelada, de alguma forma, ao financiamento e/ou colaborações desses países. E é aqui que mora o perigo!

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Tumores hibernam para sobreviver à quimioterapia

Apesar de termos à disposição uma razoável gama de drogas com efeito antitumoral, de maneira geral, um determinado tumor será sensível apenas a uma fração destas drogas. Além disso, mesmo quando um tumor é sensível a uma droga específica, comumente observa-se o desenvolvimento de resistência a curto ou médio prazo. Uma das explicações mais aceitas para este processo é a de que, mesmo quando a maioria das células em uma massa tumoral é sensível à uma determinada droga, comumente existirão populações de células tumorais resistentes à uma terapia em questão. Assim, ao final do tratamento com uma determinada droga, haveria espaço para uma população inicialmente minoritária se expandir e formar novas massas tumorais. Levando em conta esta teoria, em casos de retorno da massa tumoral, a estratégia mais adotada é a de buscar uma droga alternativa que possa ser eficiente contra estas células tumorais emergentes. Entretanto, não raramente, há casos aonde não é possível obter resposta antitumoral com drogas alternativas, seja por falta de efeito da droga e/ou por excessiva toxicidade da terapia em questão. Infelizmente, estes casos costumam resultar em baixa sobrevida dos pacientes.

Com isso em mente, de forma a melhorar a resposta e a sobrevida de pacientes oncológicos, fica clara a importância de buscarmos compreender com mais detalhes como tumores tornam-se resistentes às drogas. Outra questão crucial, sem uma resposta no campo da oncologia, é sobre como células cancerígenas se mantém inativas (ou dormentes) durante anos após um primeiro tratamento, voltando a formar lesões tumorais as vezes décadas depois do primeiro diagnóstico. 

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Negacionistas, Cientistas e Pseudocientistas

Por Paulo César Simões-Lopes do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC

O Negacionismo tem muitas faces, e a Ciência?…

Sempre existiram negacionistas. Tapar o sol com a peneira não é coisa nova. Após a epopeia de Fernão de Magalhães, com a primeira volta ao mundo em 1522, continuaram a existir “terraplanistas”, mesmo nos dias de hoje.

Negacionista é quem nega a realidade verificável, óbvia, imediata. O faz, talvez, como arma política ou desconforto religioso sobre uma parcela crédula da sociedade. Há o negacionismo do holocausto judeu, do genocídio indígena brasileiro, da escravidão contemporânea, racismo, epidemias de sarampo, COVID-19, aquecimento global, queimadas, teoria da evolução, extinções, vacinas, importância do uso de máscaras numa pandemia…

Negacionistas vestem suas ideias com roupagem científica para dourar a pílula. São mentores da teoria da conspiração e mestres em usar informações fora de contexto, fabricando notícias falsas. E, sabemos, a mentira permanente confunde (Hitler era fã dessa ideia).

É importante aqui separar inocentes e crédulos daqueles que se vestem com as roupas da ciência, mas não a praticam. São esses que muitas Continuar lendo

Mais uma “Falsa medida do homem (e das mulheres)”

Por Paulo César Simões-Lopes – Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC

Fonte: hrportugal.sapo.pt

Em seu livro “A Falsa Medida do Homem”, Stephen Jay Gould disseca alguns dos desvios mais sombrios da história da ciência e de como ela foi usada, tendenciosamente, para reproduzir e propagandear preconceitos. A ideia de embasar, cientificamente, preconceitos de racismo como os defendidos pelo médico Samuel George Morton (1799-1851) ou com relação aos criminosos ou às pessoas com problemas mentais ou às diferenças de gênero ou às questões de homossexualidade foi (e pelo jeito continua) uma prática nefasta.

Essas ideias foram usadas para a espoliação de povos colonizados ou para justificar a escravidão e levaram à programas de limpeza étnica e de esterilização em massa de pessoas consideradas “fora do padrão” ou “fora do normal” e isto não apenas na Alemanha nazista, mas também nos Estados Unidos, Turquia, África do Sul, Iugoslávia, União Soviética. Em essência, significava que existiam genes adequados e genes ruins − o que acabou chamado de eugenia −, mas isso se provou absurdo. Era uma subversão da ciência convertida em ideologia, prática que infelizmente não findou, pelo contrário, ela continua nos subterfúgios do machismo…

Fonte da imagem: Engajamundo

As mulheres têm sido escondidas, mantidas num eterno segundo plano, mesmo na ciência Continuar lendo

De volta para o futuro: transformar astrócitos em neurônios, que raios é isso?

Por Giordano W. Calloni – Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

O “clássico” painel do carro DeLorean do filme De volta para o futuro. A primeira data (em vermelho) é a data da viagem utilizada no filme, a segunda data (em verde) é a data de destino que marca o dia de publicação do primeiro artigo científico que relata a conversão de astrócitos em neurônios. A terceira data (em amarelo) é a data do último destino visitado: 7 de dezembro de 1998, dia em que Michael Jay Fox anuncia publicamente que sofre de Parkinson.

– São exatos 01 hora e 21 minutos da madrugada de um sábado chuvoso do ano de 1985, raios e relâmpagos iluminam o céu. Mais do que de repente as marcas de pneu invadem a pista e um carro prateado surge do nada.

– De dentro desse carro-espaçonave surge um rapaz agitado que grita ao velho de cabelos esbranquiçados:

– Doc! Acabo de voltar do dia 07 de dezembro de 1998 e me vi anunciando ao público que sofro de uma doença terrível. Ela é causada pela morte de certos neurônios no cérebro. Esses neurônios produzem um neurotransmissor chamado dopamina. Entre outras funções, eles são responsáveis por controlar os movimentos. Se não fizermos nada eu terei essa doença chamada de Doença de Parkinson! Eu me vi tremendo e com dificuldades de caminhar! Foi como um pesadelo!

– O velho sem pestanejar responde:

De volta para o futuro, Michael, digo Martin, coloque no DeLorean o ano 2020!

Martin surpreso intercede:

– Poxa Doc, você acha que em apenas 35 anos os cientistas já terão a cura para essa doença?

– Não sei Martin, mas eu sou um cientista e acredito na ciência e nos cientistas, vamos verificar!

Se chegassem de sua viagem no tempo no dia 30 de abril de 2020, data de publicação de um interessante artigo na revista científica Nature, Martin e o velho Cientista ficariam realmente entusiasmados. Nesse artigo, eles leriam que os Cientistas descobriram que é possível converter um tipo de célula abundante em nosso cérebro (chamada de astrócito) em neurônios produtores de dopamina. Exatamente leitor, aqueles neurônios que Michael (ops, Martin) tanto precisa ter de volta em seu cérebro!

Mas como os cientistas conseguiram isso? No Instituto de Neurociências da China, o grupo liderado pelo Dr. Zhou observou que a diminuição de Continuar lendo

A mutação gênica que predispõe os seres humanos à aterosclerose

Por Marco Augusto StimamiglioInstituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR 

Estudos científicos que tratam da evolução da humanidade sugerem que a perda de genes foi decisiva na origem de nossa espécie. Estima-se que, entre 2 e 3 milhões de anos atrás, os humanos perderam a função de um gene com a sigla CMAH (proveniente do nome em inglês CMP-Neu5Ac Hydroxylase) . Esse gene permanece atualmente ativo em outros primatas não humanos. A mutação no gene CMAH aumentou a resistência dos nossos ancestrais para correr longas distâncias. Esta ‘vantagem adaptativa’ pode ter sido decisiva na conquista de novos territórios e na fuga de predadores, por exemplo. Naturalmente, é razoável considerar que não foi apenas essa mutação individual que nos trouxe tão atrativa adaptação, mas, possivelmente, também a perda de pelos ​​e a expansão das glândulas sudoríparas tenham ajudado a manter esses ‘maratonistas’ arejados. Seja como for, os cientistas ainda não sabem muito sobre as alterações celulares que nos proporcionaram maior resistência na corrida quando comparados aos macacos. Continuar lendo

Imagine – PanGea: competição de popularização científica intercontinental e multicultural

Por Ricardo Castilho Garcez
Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

PT-PANGEANessa semana nossa postagem é sobre o Imagine-Pangea, uma competição de divulgação científica, idealizada pelo Projeto Imagine, que vai envolver vários países da América Latina e África.

Para participar do Imagine-PanGea, mestrandos e doutorandos ,vinculados a Universidades da América Latina e África, deverão preparar um vídeo de 3 minutos apresentando o seu trabalho de pesquisa. O vídeo pode estar em português, inglês, francês ou espanhol e deve, obrigatoriamente, estar em linguagem simples, permitindo que qualquer pessoa interessada possa compreender. Continuar lendo