Homem Salamandra: Porque Stan Lee estava errado?

Por: Giordano W. Calloni – Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC 

Caros leitores, venho, antes de tudo, convidá-los a ler (ou quem sabe reler) um post aqui do CDQ de autoria de quem vos escreve (clique aqui para acessá-lo).

Para aqueles sem tempo, irei brevemente resumir a questão: em 1963, Stan Lee, apresentou aos leitores um dos vilões mais inusitados das histórias em quadrinhos: O Lagarto. Esse ser monstruoso na verdade tratava-se do Dr. Curt Connors, um médico que perdeu seu braço direito na Guerra do Vietnã. O Dr. Connors passou então a pesquisar os répteis, mais precisamente lagartos, que já eram conhecidos na época por sua capacidade de regenerar suas caudas. O Dr. Connors desenvolveu então um “soro especial”, obtido a partir dos lagartos, e conseguiu seu braço de volta. Entretanto, o preço cobrado foi que sua forma humana foi substituída por um imenso lagarto, tornando-se um dos mais terríveis inimigos do Homem-Aranha. Continuar lendo

Retina artificial baseada em folhas de grafeno e materiais 2D

Por Keli Seidel – UTFPR – kelifisica.com.br

Não é nenhuma novidade o fato de cientistas tentarem desenvolver dispositivos (optoeletrônicos, óticos ou mecânicos) capazes de substituir partes do corpo humano que tenham sofrido algum tipo de dano irreversível. São velhos exemplos disso o marcapasso cardíaco, stent para angioplastia, implante coclear etc. Apesar de tantos avanços tecnológicos gerados nos últimos anos, algumas situações, onde se busca imitar tecidos, músculos, nervos ou até mesmo órgãos do corpo humano, ainda são consideradas pesquisas científicas de alto grau de complexidade. Além do dispositivo a ser inserido no corpo humano precisar imitar ao máximo a funcionalidade da parte natural, esse precisa de características fundamentais, como a bio-compatibilidade, para que o corpo não gere rejeição e adaptação à anatomia do corpo, se adaptando à superfície/curvaturas de onde será implantado. Continuar lendo

Células-tronco regeneram medula espinhal! Será que dessa vez é para valer?

Por Ricardo Castilho Garcez, Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Fonte: Aidiscam

Depois de 30 anos de pesquisas, no início de 2018, um grupo de pesquisadores demonstrou que enxertos de células progenitoras neurais podem regenerar medulas lesionadas de macacos.

Para os leitores que acompanham as descobertas científicas na área de regeneração de lesões medulares, essa notícia pode não parecer novidade, afinal, há muito tempo notícias semelhantes são vinculadas na mídia! A revista americana Science, na qual a citada descoberta foi publicada, estaria divulgando notícias antigas como sendo novas? Será que até a prestigiada Science entrou na onda das fake news?

A resposta é não! Mas você entenderá o porquê dessa notícia parecer antiga.

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O tesouro escondido nos nossos dentes! 

Por Michelle Tillmann Biz – Dpto. de Ciências Morfológicas / UFSC

Sempre que entro em sala de aula para falar sobre o desenvolvimento dos dentes (processo conhecido por Odontogênese) meu coração pulsa. Sinto que cada dente que se forma, guarda em si um pequeno e precioso tesouro, como se fosse um cofre: a polpa dental! Deixe-me explicar melhor.

Lá no início do nosso desenvolvimento, bem no comecinho da gravidez, não somos já somos um ser completo e complexo em miniatura que vai aos poucos crescendo. De início, somos apenas um amontoado de células, e aos poucos cada célula vai definindo o seu destino, vai definindo qual tecido, órgão ou sistema irá formar. Dessa forma, no 21o dia de gestação, algumas células vão destinar-se a desenvolver o Sistema Nervoso. Para isso, formam duas estruturas chamadas de tubo neural e células da crista neural (CN). De Continuar lendo

Uma realidade 3D para o crescimento e a reconexão de fibras neuronais

Por Marco Augusto Stimamiglio                                                                                          Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

marco-figuraApós uma lesão na medula espinhal, com o rompimento das fibras neuronais que percorrem a coluna vertebral de um indivíduo, interrompe-se o fluxo de informações do cérebro para o corpo e do corpo para o cérebro. O resultado é a paralisia e a perda de sensibilidade em regiões do corpo que variam de acordo com a extensão e a localização da lesão. Além disso, como resposta do organismo à lesão tecidual, desenvolve-se uma cicatriz no local lesionado Continuar lendo

Regeneração de membros: estamos mais próximos da realidade?

Por: Giordano W. Calloni                                                                                                                    Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Para ouvir o áudio do texto com o autor, clique aqui.

Nas famosas histórias em quadrinhos de um dos personagens mais adorados do Universo Marvel, o Homem-Aranha, temos a presença de um vilão que, com certeza, é um dos mais fascinantes do mundo dos gibis. Trata-se do Dr. Curt Connors, um médico cirurgião reservista que foi enviado para atuar na Guerra do Vietnã e acabou por perder seu braço Continuar lendo

O aroma de sândalo parece acelerar a regeneração da pele

O aroma de sândalo parece acelerar a regeneração da pele

Por Marco Augusto Stimamiglio                                                                                                  Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

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Marco figuraConsiderada a maior barreira externa do nosso corpo, a pele é exposta a múltiplos fatores ambientais. Dentre estes se incluem temperatura, umidade, estresse mecânico e estímulos químicos, tais como os odores que são frequentemente utilizados em cosméticos. Em relação aos odores, já sabemos que eles são captados por nossos narizes através de cerca de 350 tipos de receptores olfativos diferentes, presentes na mucosa nasal. Estes receptores são capazes de captar estímulos químicos provenientes de odores e enviar mensagens ao cérebro, que interpreta esta informação estabelecendo nosso sentido de olfato. No entanto, o nariz não é Continuar lendo