Dormir pode proteger o seu coração!

Por Daniel Fernandes, Dpto. de Farmacologia – UFSC

Nada melhor do que uma boa noite de sono para melhorar a disposição, a atenção e o humor. Todos já devem ter experimentado, em algum momento da vida, como uma noite mal dormida afeta a realização das nossas tarefas diárias. E já experimentaram também como uma boa noite de sono recupera nosso ânimo. Mas poderia uma boa noite de sono proteger você de umas das principais causas de morte no mundo?  Cientistas descobriram que sim, e mostraram como isso acontece.

Pesquisadores do Massachusetts General Hospital e da Harvard Medical School dizem que uma boa noite de sono pode proteger contra doenças cardíacas.  Embora alguns estudos já indicassem uma correlação entre noites mal dormidas e um risco aumentado de doenças cardiovasculares, sabíamos pouco sobre os mecanismos celulares e moleculares pelos quais o sono mantém a saúde cardiovascular.

Usando um grupo de camundongos modificados geneticamente para desenvolver placas de gordura nas paredes das artérias Continuar lendo

Células-tronco cardíacas “vestidas a rigor” com a ajuda das plaquetas… O “último grito da moda” na terapia celular de reparação da lesão cardíaca

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

Células estaminais cardíacas (azul e magenta) revestidas na sua superfície com nanovesículas de plaquetas (amarelo torrado). Creditos: NC State University.

As doenças cardiovasculares representam a maior causa de morte em países ricos e emergentes, causando um grande peso na sociedade. Todos os anos morrem mais de quatro mil portugueses, e mais de trezentos mil brasileiros, vítimas de enfarte agudo do miocárdio (vulgarmente conhecido como ataque cardíaco).

O enfarte do miocárdio é causado por coágulos que obstruem as artérias coronárias. Essas artérias são responsáveis pelo fornecimento de oxigénio ao coração e quando obstruídas levam a uma redução da oxigenação (isquemia) do músculo cardíaco, causando lesão e morte celular na região afetada. Nas lesões cardíacas isquémicas, a formação do coágulo resulta de alterações das paredes dos vasos que expõem os componentes da matriz extracelular do tecido conjuntivo (como o colagénio, fibronectina e factor de von Willebrand) no lúmen (interior) do vaso. Em condições normais estes componentes da matriz mantêm-se separados do lúmen do vaso por uma barreira epitelial (endotélio), e quando entram em contacto com o sangue circulante, interagem com as plaquetas, dando início ao processo de coagulação sanguínea. Continuar lendo

O que faz bater o seu coração? Os Macrófagos! Eles são electrizantes…

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

Helia - figura 1

Macrófagos (verde) “ligam” as células condutoras do coração (roxo) proporcionando o estímulo eléctrico que ajuda as células do coração a contrair. Fonte: Sciencenews

Os macrófagos [do grego, μακρος (macro, que significa grande) e φαγειν (fago, que significa comer)], são células de grandes dimensões que patrulham e limpam os tecidos do nosso corpo de debris (restos) celulares, substâncias estranhas, micróbios, células cancerosas e outros tipos de células do sangue (quando envelhecidas), através de um processo designado por fagocitose (“comer a célula”). Para além de fagocitarem, os macrófagos são células importantes do nosso sistema de defesa não-específica (imunidade inata) e também ajudam a iniciar mecanismos de defesa específicos (imunidade adaptativa), recrutando outras células do sistema imunitário (como os linfócitos).

Continuar lendo

Mães mais velhas que se exercitam podem reduzir o risco de defeitos cardíacos em seus bebês

Por Marco Augusto Stimamiglio                                                                                          Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

Para ouvir o áudio do texto com o autor, clique aqui.

Marco_adicional - FiguraNa espécie humana, o risco de um bebê desenvolver algum defeito cardíaco durante a gestação está associado com a idade da mãe. Este não é o único fator de risco, já que a pré-disposição genética, a ocorrência de infecções, a obesidade e o diabetes materno durante a gestação também podem levar ao desenvolvimento de malformações do coração do bebê (cardiomiopatias congênitas). O que ainda não se sabe é se o desenvolvimento do feto é comprometido devido à idade da mãe ou a idade do óvulo; Continuar lendo