O suspiro das baleias, o limiar da extinção e o microbioma

Por Paulo César Simões-Lopes – Departamento de Ecologia e Zoologia – UFSC

Antigamente se imaginava que o borrifo das baleias era como uma chaleira fervendo. Era um tempo de monstros e mitos. Mas a verdade é que o ar quente dos pulmões ao entrar em contato com a atmosfera fria se transforma em vapor, principalmente quando forçado pela pequena abertura das narinas da baleia. Mas e o Microbioma? 

Esse é o ponto em que inicia o nosso post. A baleia franca do Atlântico Norte (Eubalaena glacialis) foi caçada desde tempos imemoriais. Na idade do bronze, os nórdicos já matavam essas baleias em suas canoas estreitas com vários remadores. Depois vieram os bascos e a saga continuou, literalmente, por milhares de anos numa matança contínua. Hoje restam apenas 370 animais!

Depois da proibição da caça industrial, outras espécies de baleias vêm se recuperando a seu modo, sejam jubartes, azuis ou francas do Sul, mas não as francas dos Norte. E foi assim que o estudo do Microbioma entrou em cena.

Nossa respiração diz muito de nós. Ela não comunica apenas o nosso hálito, mas também a nossa saúde. Foi assim que Os Cientistas Descobriram Que era possível rastrear a saúde das baleias, simplesmente, coletando um pouquinho dos seus borrifos ou suspiros.  Partiram com seus barcos ágeis e hastes compridas portando uma redinha, ou melhor dizendo, um swab ou cotonete estéril com ponta de algodão ou espuma, onde as secreções da respiração ficariam aprisionadas. Mas, é claro, uma invenção leva a outra e então vieram os drones zunindo logo acima das baleias, portando uma plaquinha esterilizada para coletar aquele esplêndido borrifo em forma de nuvem.

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Um novo monstro no pedaço?

Por Paulo César Simões-Lopes – Departamento de Ecologia e Zoologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Somos fascinados por pesos e tamanhos. Quem é o maior ou o menor ou o que vive mais ou mais venenoso ou a mordida mais forte?… Saber sobre esses detalhes nos dá uma falsa sensação de conhecimento ou intelectualidade. Podemos jogar isso sobre os outros e parecer melhores. É um ato simplório, mas também corriqueiro.

Faz tempo que sabemos de que as baleias-azuis são os maiores vertebrados do planeta, e mais, sabemos que o prêmio máximo coube a uma fêmea. Era uma baleia de 160 toneladas, muito acima do que os guias de identificação preconizam1.

Depois vieram as descobertas do que se chamou de Supersaurus, uma versão amplificada dos pescoçudos Apatosauros e Diplodocus reinantes no Jurassic Park2. Eles de fato eram maiores que as baleias azuis, mas pelo menos três vezes2-3 mais leves e assim ficou difícil de lhes dar o prêmio máximo.

Então, este ano veio uma nova bomba. Os Cientistas Descobriram Que, debaixo das rochas andinas do Peru, existiam achados espetaculares. Ossos fósseis de uma criatura muito pesada jaziam ali. Os primeiros cálculos estavam baseados em algumas vértebras torácicas e suas costelas associadas. Essa primeira estimativa extrapolou os valores conhecidos até então e propôs que o monstro tinha 340 toneladas. O monstro era uma nova baleia fóssil e ganhou o nome de Perucetus colossos, nada mais justo para valores colossais, que alcançariam o peso de DUAS baleias azuis recordistas. 

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