Câncer pode proteger contra o Alzheimer

Por Ricardo Castilho Garcez – Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Depois de 15 anos de pesquisa, cientistas descobriram que uma proteína produzida por células cancerígenas pode proteger o cérebro contra o Alzheimer. A descoberta, publicada em 2026 na prestigiada revista Cell, abre uma janela promissora para o desenvolvimento de novos tratamentos contra uma das doenças mais devastadoras do envelhecimento humano.

Foto por SHVETS production em Pexels.com

Há décadas, médicos e pesquisadores notavam algo curioso: pessoas com câncer raramente desenvolviam Alzheimer, e vice-versa. Era uma observação clínica intrigante, mas sem explicação clara. Uma análise de dados de mais de 9,6 milhões de pessoas, publicada em 2020, confirmou que ter um diagnóstico de câncer estava associado a uma redução de 11% na incidência de Alzheimer — um número pequeno, mas estatisticamente relevante. A pergunta que ficava no ar era: por que isso ocorre?

Para investigar essa questão, o neurologista Youming Lu, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na China, e sua equipe transplantaram três tipos de tumores humanos — de pulmão, próstata e cólon — em camundongos geneticamente modificados para desenvolver Alzheimer. O resultado foi surpreendente: os animais com câncer não desenvolveram as placas cerebrais características da doença. A questão, então, passou a ser: qual mecanismo biológico explicaria isso?

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Microrrobôs na Endodontia: uma nova fronteira para o tratamento de canal

Por Michelle Tillmann Biz – Departamento de Ciências Morfológicas – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) 


Entre os tratamentos disponíveis para tratar uma inflamação dentária, destaca-se o tratamento de canal (ou Endodontia). Esse procedimento consiste em acessar o canal existente no interior do dente, remover o tecido presente (a polpa dentária) e realizar uma limpeza cuidadosa dessa região, visto que pode conter restos de tecido em decomposição e micro-organismos capazes de manter a infecção ativa.

O grande desafio, nesse processo, é eliminar completamente a infecção e os micro-organismos presentes. Essas bactérias formam biofilmes, que são colônias altamente resistentes e difíceis de remover com métodos tradicionais, como irrigação com soluções químicas, uso de medicamentos ou instrumentos manuais e rotatórios.

Recentemente, porém, cientistas começaram a unir a tecnologia dos microrrobôs à Endodontia, e descobriram que ela pode revolucionar o tratamento de canal, tornando-o mais preciso e eficaz.

Dentist operating a robotic dental device examining a patient's open mouth
Figura produzida com inteligência artificial – Jetpack.

Mas vamos deixar de floreios e ir aos fatos: o que são microrrobôs?

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