A impressão 3D de tecidos vivos anda a passos largos

Por Marco Augusto Stimamiglio – Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

Uma das tecnologias atuais mais promissoras para a fabricação de tecidos e órgãos artificiais, que pode ser capaz de revolucionar o diagnóstico e o tratamento de muitas condições médicas diferentes, é a chamada bioimpressão 3D. Em edição anterior do Cientistas Descobriram que… entendemos do que realmente se trata a impressão em 3 dimensões (3D). Neste texto, vamos tratar da bioimpressão, processo que usa de tecnologias computacionais avançadas para modelar materiais biológicos (como células, biomoléculas e biomateriais) para a fabricação de “peças” que imitam os tecidos. Essa nova abordagem da impressão 3D requer materiais biocompatíveis, isto é, materiais que não são tóxicos aos tecidos vivos e são capazes de atuar como suporte para as células impressas, permitindo que essas sejam cultivadas em biorreatores para se desenvolverem e se tornarem funcionalmente maduras.

A bioimpressão de tecidos “simples” como a uretra e vasos sanguíneos já foram realizadas em laboratório e implantadas com sucesso em pacientes. Entretanto, a bioimpressão de órgãos complexos ainda é um desafio para a engenharia de tecidos. Mas, assim como coloca o título desse texto, “a impressão 3D de tecidos vivos anda a passos largos”, muitos cientistas têm chegado bastante próximos de vencer esse desafio. Em um estudo publicado em maio de 2017, na renomada revista científica Nature Communications, pesquisadores norte-americanos da Universidade do Noroeste (Chicago, EUA) demonstraram ser capazes de construir biopróteses funcionais de ovários que foram implantadas em camundongos fêmeas, alguns dos quais deram à luz a filhotinhos.

Veja, abaixo, vídeo promocional dessa pesquisa:

Os autores desse trabalho usaram uma impressora 3D para depositar camadas de gelatina (que é composta por colágeno do tipo I) em lâminas de vidro até formarem estruturas tridimensionais de 15 mm x 15 mm. Eles, então, inseriram nessas estruturas folículos de camundongos, que são agregados de células secretoras de hormônios que envolvem os óvulos. Em seguida, os pesquisadores implantaram os ovários bioimpressos com folículos em sete camundongos fêmeas cujos ovários naturais haviam sido removidos. Os ovários sintéticos tornaram-se vascularizados em aproximadamente uma semana, momento em que os cientistas acasalaram as fêmeas receptoras com machos. Três fêmeas portadoras de ovários sintéticos deram à luz a ninhadas de um ou dois filhotes – menores do que as ninhadas médias de seis a oito filhotes. Pelo menos um filhote de cada uma das três ninhadas foi confirmado como resultado de um óvulo que foi derivado (ovulado) do ovário sintético.

Com esse trabalho, os pesquisadores esperam poder restaurar a fertilidade e a saúde endócrina em pacientes jovens que tiveram câncer e que foram esterilizadas pelo tratamento antitumoral.

Para acessar o artigo original, clique aqui.

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