Bactérias da cavidade oral estão “de olho” nas restaurações de resina!

Por Michelle Tillmann Biz – Dpto. de Ciências Morfológicas / UFSC

Figura 1: Resina sendo inserida em uma cavidade (Fonte: http://www.fgm.ind.br)

É comum o pensamento que um dente restaurado estará mais fortalecido contra a cárie por ter sido usado um material sintético; ou que ao fazer um tratamento de canal, os dentes estarão livres de serem acometidos por novos episódios de dor/infecção, uma vez que o dente foi preenchido por um material, estando, portanto, “morto”. Entretanto, é preciso ter atenção: os materiais restauradores comumente utilizados na Odontologia fazem parte do “cardápio” destas bactérias também!

No âmbito da Odontologia, restauração é quando utilizamos um material sintético para repor o tecido duro do dente perdido (esmalte ou dentina) seja por cárie ou por trauma/fratura. Já o tratamento de canal é um tipo de tratamento odontológico muitas vezes necessário quando a polpa do dente é acometida de alguma patologia (inflamação/infecção) ou o dente submetido a um trauma severo. Nesse tipo de tratamento, a polpa do dente é removida e a cavidade que a continha (chamada de cavidade pulpar) será limpa, com o uso de limas endodônticas, e desinfetada, com o uso de medicações e líquidos irrigantes. Após esses procedimentos, o espaço será preenchido por um material sintético. Continuar lendo

A saúde bucal da criança é um reflexo do comportamento dos pais

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Não é novidade para nenhum de nós que a família, principalmente os pais, são os grandes exemplos para os filhos. Também não é novidade que os adultos ensinam muito mais aos seus filhos pelas suas atitudes do que pelo seu discurso. No entanto, infelizmente muitos pais e familiares ainda se valem do provérbio “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” na educação dos seus filhos. As consequências dessa forma de educação já foram bem estudadas na construção da relação da criança com a sociedade e com o mundo que a circunda pela psicologia, sociologia, antropologia entre outras. Mas as provas científicas de que essa forma de relação também afeta a saúde das crianças são relativamente recentes. Continuar lendo

A caminho de uma restauração dentária biológica

Por Michelle Tillmann Biz – Dpto. de Ciências Morfológicas / UFSC

As restaurações dentárias, em decorrência de cáries, são uma rotina nos consultórios odontológicos e envolvem o uso de materiais sintéticos e/ou cimentos minerais.

Em relação à profundidade da cárie, podemos ter vários níveis de lesões (Figura 1). Geralmente as cáries rasas e médias atingem somente o esmalte e a dentina. Já as cáries profundas podem atingir a polpa dentária, um tecido vital, rico em células-tronco (vide texto anterior no CDQ sobre o assunto), que se encontra no interior do dente.

Figura 1: Diferentes profundidades de cavidades de cárie. (adaptado de Avery e Chiego Jr., 2001)

Em todos os casos, após o acesso à lesão de cárie e limpeza da cavidade, os materiais restauradores preenchem essas cavidades permanecendo no dente de forma definitiva. Mas, quando a cavidade é profunda e expõe a polpa dentária, uma sequência de eventos de reparo natural é ativada nesse tecido. Neste processo, células-tronco residentes da polpa serão mobilizadas a diferenciarem-se em novas células produtoras de dentina (os odontoblastos). Esses odontoblastos irão produzir Continuar lendo