A saúde bucal da criança é um reflexo do comportamento dos pais

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Não é novidade para nenhum de nós que a família, principalmente os pais, são os grandes exemplos para os filhos. Também não é novidade que os adultos ensinam muito mais aos seus filhos pelas suas atitudes do que pelo seu discurso. No entanto, infelizmente muitos pais e familiares ainda se valem do provérbio “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” na educação dos seus filhos. As consequências dessa forma de educação já foram bem estudadas na construção da relação da criança com a sociedade e com o mundo que a circunda pela psicologia, sociologia, antropologia entre outras. Mas as provas científicas de que essa forma de relação também afeta a saúde das crianças são relativamente recentes.

Cientistas descobriram que… a saúde bucal dos filhos é um reflexo dos hábitos de higiene bucal dos pais. As crianças nascem com a boca basicamente livre de micróbios e as bactérias da mãe e do pai são as primeiras a serem transmitidas aos filhos. Se os pais tiverem muitas bactérias que causam cárie, consequentemente, os filhos que recebem essas bactérias também sofrerão com essa doença. Além disso, a forma e a frequência da escovação da criança são uma imitação da forma e frequência com que os pais escovam os dentes, por isso, pais com pouca instrução ou treinamento na escovação ou que dão pouca importância para esse momento de higiene, tendem a terem filhos com maior número de cáries e doenças gengivais. Somado a isto, filhos de pais que consomem mais açúcares terão mais cáries.

Os cientistas também descobriram que os elementos chave que exercem impacto no comportamento e na condição de higiene oral das crianças são:

  1. A atitude dos pais em relação à higiene oral (exemplo dos pais);
  2. O conhecimento geral da família sobre as doenças bucais (acesso à informação);
  3. A condição de saúde geral da família.

Quando todos esses fatores estão presentes, o comportamento dos pais está mais associado ao comportamento das crianças, ou seja, o exemplo positivo dos pais está sendo seguido!

Finalmente, é importante ressaltar que diversos outros fatores estão diretamente relacionados com a saúde bucal das crianças, sendo que a associação entre pobre higiene oral e baixo nível socioeconômico e cultural já é bastante conhecida, mas outros fatores culturais também podem influenciar como mães muito jovens, outros parentes (além dos pais) coabitando a casa, habitação rural e consumo de açúcar antes dos 18 meses de idade.

Como conclusão, os autores ressaltam que a saúde bucal está diretamente relacionada à saúde geral da criança, que os comportamentos e exemplos positivos na infância começam em casa, com os pais e são essenciais para a saúde bucal das crianças, portanto a saúde bucal das crianças começa com a melhora da educação dos pais!

Para acessar o artigo original, clique aqui.

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