Faça-se luz! Mas “biológica” por favor!

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

A palavra “biológico” tomou conta do nosso quotidiano, está presente nos alimentos (biológicos/orgânicos), na cosmética, nos métodos de tratamento… e até já existem hotéis biológicos, os bio-hotéis! E de verdade, quem de nós não se sente tentado a consumir “biológico”, com a promessa de esse melhorar o nosso bem-estar e o do planeta? Foi o que também pensou uma equipa de engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ao tentar criar plantas capazes de iluminar as nossas casas. Parece-lhe ficção? Talvez não, talvez esteja num futuro mais próximo do que imagina! E uma vez que a iluminação é responsável por cerca de 20% do consumo mundial de energia, a exploração de novas soluções para a mesma merece, sem dúvida, a nossa atenção.

A planta nanobiônica emissora de luz iluminando um livro (duas plantas de agrião com 3,5 semanas de idade). O livro e as plantas de agrião que emitem luz foram colocados na frente de um papel reflexivo para aumentar a influência das plantas emissoras de luz nas páginas do livro. Crédito de imagem: Seon-Yeong Kwak.

“Os investigadores descobriram que…” ao incorporar nanopartículas especializadas nas folhas de uma planta, essas emitem luz!

Como conseguiram esses investigadores “gerar” luz?

Utilizando o sistema de produção natural de luz dos pirilampos (também conhecidos como vaga-lumes)! Há muitos anos que os investigadores “roubaram” à natureza esse sistema de “iluminação” para o utilizarem em variadas abordagens experimentais. E o sistema é simples, tem um conjunto de três moléculas: a luciferase, a luciferina e a coenzima A. A luciferase promove uma reacção química que leva a luciferina a emitir luz. A coenzima A, a terceira molécula envolvida nesse processo, ajuda a remover sub-produtos dessa reacção que inibem a atividade da luciferase.

O que são então essas nanopartículas especializadas?

São pequenas esferas que transportam no seu interior as três moléculas que levam à emissão de luz. Os pesquisadores usaram nanopartículas transportadoras de tamanho variável para ajudar cada componente a chegar aos locais certos da planta: as nanoparticulas de sílica com cerca de 10 nanômetros de diâmetro para carregar a luciferase e as partículas ligeiramente maiores de polímeros poli (ácido lático-co-ácido glicólico) e de quitosana para transportar a luciferina e a coenzima A, respectivamente.

E como foram criadas as plantas nanobiónicas luminosas?

Para colocar as nanopartículas nas folhas das plantas, os pesquisadores, primeiro, suspenderam-nas numa solução. Depois, as plantas foram imersas nessa solução e expostas a altas pressões, levando à entrada das partículas nas folhas através de minúsculos poros conhecidos como estomas (estruturas da planta que permitem as trocas gasosas com o meio ambiente). Uma vez nas folhas, as partículas libertam gradualmente as moléculas que iniciam a reação química, mimetizando o processo de produção de luz dos pirilampos, e resultando por fim, numa planta a brilhar!

As plantas nanobiónicas são uma nova área de pesquisa pioneira do laboratório de Michael Strano (Professor de Engenharia Química no MIT e autor sénior desse trabalho), que pretende dar novas características às plantas, incorporando-lhes vários tipos de nanopartículas. Para esse investigador, a criação e o melhoramento dessas plantas biónicas são objetivos lógicos uma vez que, segundo ele, “as plantas podem auto-reparar-se, têm energia própria e já estão adaptadas ao ambiente externo”.

Com esse trabalho, os investigadores conseguiram criar as plantas que “brilham” até 3,5 horas. Criaram plantas biónicas com o espinafre, a couve, a rúcula e o agrião. No caso do agrião, uma planta de 10 cm, gerou uma luz com uma intensidade mil vezes inferior à necessária para conseguirmos ler um livro. No entanto, os investigadores acreditam que no futuro, conseguirão aumentar a intensidade e duração de luz emitida, assim como criar uma forma de “ligar e desligar” a luz, através da optimização das taxas de libertação e da concentração dos componentes. Eles acreditam que essa tecnologia poderá vir a ser usada para fornecer iluminação de baixa intensidade no interior das nossas casas, e até na via pública, através da modificação das suas árvores. Resta-nos aguardar por esse futuro brilhante!

Para saber mais, acesse o artigo original, clicando aqui.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s