Células-tronco do cérebro podem influenciar o ritmo do envelhecimento

Por Marco Augusto Stimamiglio – Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

A literatura científica tem demonstrado, constantemente, uma variedade de funções das células-tronco em nosso organismo. Inclusive durante a idade adulta, muitos tecidos do corpo humano produzem novas células a partir das células-tronco. Mesmo naqueles tecidos em que, até recentemente, se pensava não haver reposição de células, como coração e cérebro, os cientistas têm demonstrado haver renovação. Mais do que isso, as células-tronco têm sido relacionadas a uma série de funções importantes para a manutenção da própria vida. Recentemente, cientistas do Albert Einstein College of Medicine de Nova York descobriram que células-tronco do hipotálamo, região do cérebro capaz de controlar processos de envelhecimento do corpo (além de outras funções como crescimento, desenvolvimento, reprodução e metabolismo), apresentam diversos efeitos sobre a taxa de envelhecimento em camundongos.

Os dados dessa pesquisa foram publicados na renomada revista Nature, em julho de 2017, e demonstram que a redução do número de células-tronco neuronais no hipotálamo de camundongos acelera seu envelhecimento (um processo que naturalmente ocorre ao longo da vida do animal). Em contrapartida, os autores comprovam que é possível reverter esse processo através do transplante de células-tronco neurais adicionais nessa região do cérebro. Além disso, os efeitos “antienvelhecimento” produzidos pelas células-tronco podem ser reproduzidos por vesículas secretadas por essas células (os chamados exossomos que já foram revelados anteriormente aqui no CDQ), o que faz da descoberta uma ferramenta bastante plausível para a prática clínica. Os autores sugerem que o mecanismo através do qual os exossomos desempenham esses efeitos poderia estar relacionado aos microRNAs (miRNAs), que são pequenas moléculas de RNA que inibem a expressão de genes específicos. Essa hipótese foi criada porque os autores notaram uma redução no número de miRNAs dos exossomos conforme os animais envelheciam.

É interessante considerar que os resultados desse estudo demonstram que há um mecanismo centralizado no cérebro dos camundongos que está regulando o envelhecimento de todo o corpo. E, caso esses resultados sejam confirmados em humanos, é possível que uma nova terapia contra o envelhecimento ou contra doenças relacionadas ao envelhecimento possa surgir em breve. Ao menos os exossomos e os miRNAs de diferentes origens já vem sendo aplicados em testes clínicos para tratar doenças humanas.

Para acessar o artigo original, clique aqui.

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