O potencial do microbioma do solo para uma agricultura sustentável

Por Patrícia Shigunov – Instituto Carlos Chagas – FIOCRUZ Paraná

O solo vai além de ser um mero suporte físico para as plantas: ele é o lar de um diversificado microbioma (conjunto de microrganismos que habitam um ambiente específico, incluindo suas comunidades de bactérias, fungos, vírus e protozoários), com enorme potencial para transformar a agricultura. Esses microrganismos têm a capacidade de impulsionar o crescimento das plantas, contribuindo para sistemas agrícolas mais produtivos e sustentáveis. No entanto, aproveitar essa biodiversidade microbiana de maneira eficiente ainda representa um grande desafio científico.

Fonte: Gerado por DALL-E

Microrganismos nativos do solo colaboram com as plantas por meio de várias funções, como a fixação de nitrogênio, a solubilização de fósforo e a produção de substâncias promotoras de crescimento, como o ácido indolacético. Apesar disso, muitos insumos agrícolas são baseados em microrganismos não nativos, que frequentemente enfrentam dificuldades de adaptação ao ambiente, resultando em baixa colonização e ineficiência para o desenvolvimento vegetal. 

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A Rede Social do Microbioma Intestinal 

Por Heiliane de Brito Fontana – Departamento de Ciências Morfológicas – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) 

O microbioma intestinal, conhecido por seu importante papel na saúde humana, continua a revelar novas dimensões em estudos recentes. Este ecossistema microbiano, composto por trilhões de organismos simbióticos, é afetado por dieta, medicamentos, estilo de vida e exposições ambientais. Pesquisas mostram que sua composição é determinante no desenvolvimento humano, fisiologia, imunidade e nutrição, enquanto desequilíbrios estão associados a diversas doenças.

Figura 1 – Família de pequena comunidade hondurenha. Fonte: Sofía Marcía

Um estudo, publicado em 20 de novembro de 2024, avança no entendimento do impacto das interações sociais no microbioma intestinal. Usando mapeamento detalhado das interações sociais e sequenciamento genômico em 18 vilarejos isolados de Honduras, pesquisadores investigaram como as relações sociais influenciam o compartilhamento de cepas microbianas. As aldeias, com populações entre 66 e 432 pessoas, mantêm um estilo de vida tradicional, com dietas locais e baixa exposição a antibióticos.

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Uma assinatura microscópica das cidades: o que as abelhas nos revelam sobre os microrganismos urbanos

Uma assinatura microscópica das cidades: o que as abelhas nos revelam sobre os microrganismos urbanos

Por Fabienne Ferreira – Dpto. de Ciências Morfológicas – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de metade da população mundial vive atualmente em áreas urbanas, e estima-se que essa proporção aumente para 70% até 2050. Nas cidades, temos uma mistura de muitos seres vivos, como pessoas, animais não humanos e plantas, cada um com suas próprias comunidades de microrganismos. A soma de todas essas comunidades microscópicas (invisíveis aos nossos olhos nus) é chamada microbioma. Essas diferentes formas de vida interagem o tempo todo, tanto entre si quanto com os prédios e ruas que criamos. 

Uma crescente quantidade de evidências científicas nos mostra que a saúde e bem-estar dos seres vivos dependem dessas interações.

Na verdade, o desenvolvimento e a saúde dos seres humanos estão relacionados a uma combinação de características individuais e características dos microrganismos que habitam nosso corpo.

Além disso, foi descoberto que o momento de floração das plantas depende do conjunto de microrganismos no solo, e que compostos metabólicos úteis em plantas medicinais são possivelmente sintetizados em conjunto com suas bactérias parceiras. 

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