Primeiros Dias, Grande Impacto: O Papel da Microbiota Inicial na Saúde Infantil

Por Fabienne Ferreira – Departamento de Microbiologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Já se sabe a bastante tempo que o corpo humano é habitado por muitos microrganismos, em um conjunto de seres microscópicos conhecidos como MICROBIOTA. Também não é novidade para a ciência que estes microrganismos auxiliam em muitos aspectos da saúde humana, como produção de vitaminas e desenvolvimento das defesas imunológicas. 

Figura 1 – Amamentação: uma das principais formas de colonização da microbiota

Até o momento, os dados científicos indicam que a microbiota começa a ser formada a partir do nascimento, quando entramos em contato com os microrganismos da nossa mãe e do mundo ao redor. Durante o primeiro ano de vida, estes microrganismos aumentam em número e diversidade, com a maior parte deles habitando o intestino. Estudos ecológicos indicam que as primeiras bactérias “colonizadoras” do nosso intestino ditam como será moldada toda a comunidade microbiana que vai se desenvolvendo em seguida. No entanto, sabemos pouco como diferentes padrões na construção desta microbiota podem contribuir para uma vida com mais ou menos saúde.  

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Os microrganismos da pele e os maus odores do corpo

Os microrganismos da pele e os maus odores do corpo

Por Ricardo Mazzon – Departamento de Microbiologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Certamente você já deve ter notado que algumas regiões dos nossos corpos podem produzir maus odores após um dia quente, de muito trabalho, exercício físico ou outra situação que gere sudorese intensa. Também é notável que nem todas as pessoas apresentam os mesmos odores nem as mesmas intensidades destes odores nas situações descritas acima, afinal, possivelmente você conheça alguém que relate não utilizar desodorantes nas axilas e, nem por isso, fiquem malcheirosas imediatamente após a prática de exercício físico. Também se sabe que as secreções das glândulas sudoríparas e sebáceas presentes nos folículos pilosos (que são compostas principalmente por água, sais, proteínas, lipídeos e esteroides) são inodoras o que, portanto, não explica os maus odores. Estas diferenças individuais em relação a produção de odores corpóreos há muito tempo intrigavam os pesquisadores e diversas hipóteses para tentar explicar essa variabilidade já foram elaboradas e testadas ao longo dos anos.

Especialmente nos últimos 10 anos, a ciência tem se debruçado no estudo das microbiotas, ou seja, identificação e entendimento do comportamento dos microrganismos que normalmente habitam as regiões dos nossos corpos em situações de saúde e doença. Esses estudos demonstram que diversas partes dos nossos corpos são normalmente e constantemente colonizados por conjuntos de microrganismos que variam de uma região a outra do corpo, que podem variar de pessoa para pessoa e ao longo de nossas vidas em termos de diversidade e abundância relativa entre as espécies presentes. Além disso, as variações de hábitos de higiene e alimentares também podem interferir nessas diversidades. A pergunta que surgiu com o acúmulo de dados e informações sobre as microbiotas foi, naturalmente, qual seria o papel destes microrganismos na produção de maus odores, em especial aqueles surgidos nas axilas e nos pés. 

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