Vírus Zika x microcefalia: novas descobertas científicas!

Por Ricardo Castilho Garcez                                                                                                       Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Ricardo G - imagemEm fevereiro de 2016, publicamos aqui no CDQ um texto sobre a relação do vírus Zika com os crescentes casos de microcefalia no Brasil. Nesse texto, foram discutidas as descobertas científicas até aquele momento (acesse o texto, clicando aqui). É com grande felicidade que volto a escrever sobre o assunto, pois, em apenas cinco meses, já temos novidades importantes sobre a relação do vírus Zika com a microcefalia. Novidades cientificamente comprovadas!(Ver discussão sobre dados “cientificamente comprovados” no texto publicado no início de 2016, citado acima).

Em fevereiro de 2016, foi demonstrada que o vírus Zika é capaz de atravessar a placenta humana e chegar até o cérebro de fetos em desenvolvimento. No entanto, para fazer uma relação direta com a microcefalia, faltou a demonstração da capacidade do vírus em infectar as células do sistema nervoso e, subsequentemente, provocar alterações compatíveis com a microcefalia. Além disso, os dados foram obtidos a partir de uma única paciente, gerando dúvidas quanto à segurança dos achados. De lá para cá, vários pesquisadores se debruçaram sobre o assunto. Em abril de 2016, os professores da UFRJ Dra. Patrícia Pestana Garcez, Dr. Steves Rehen e seus colaboradores publicaram um relato na revista Science demonstrando que o vírus Zika é capaz de infectar células-tronco que participam do desenvolvimento do cérebro humano. Ao contrário do que pode parecer, esses pesquisadores não saíram infectando bebezinhos com o vírus Zika!  Nesse trabalho, foram utilizados mini cérebros feitos em laboratório (para saber mais sobre mini cérebros, clique aqui). Assim, sem ter que utilizar embriões humanos, eles conseguiram demonstrar cientificamente a capacidade do vírus Zika infectar e reduzir o crescimento desses minis cérebros (clique aqui para acessar o trabalho original).

Você, leitor atento, deve ainda lembrar-se da polêmica sobre o porquê, somente no Brasil, esse vírus causa microcefalia! O primeiro passo para responder essa pergunta foi dado em maio de 2016, por uma equipe de pesquisadores da USP e Universidade da Califórnia. Em trabalho publicado na revista científica Nature, a doutoranda Fernanda Cugola, do grupo da Profa. Dra. Patrícia Beltrão Braga, demonstrou, utilizando uma linhagem específica de camundongos, que a variante brasileira do vírus Zika é capaz de atravessar a placenta, infectar células do cérebro em desenvolvimento e causar redução no tamanho do cérebro. Utilizando o modelo dos mini cérebros citados acima, o grupo ainda demonstrou que, quando comparado à variante africana do vírus Zika, somente o vírus Zika brasileiro apresentou potencial para causar malformações (para acessar o artigo original, clique aqui).

Em maio de 2016, pesquisadores chineses demonstraram que, durante a formação do cérebro, o vírus Zika é capaz de infectar um tipo específico de célula. Essa população de células, chamada glia radial, está presente apenas durante o desenvolvimento do sistema nervoso. A glia radial funciona como uma espécie de célula-tronco que fornece novas células durante a formação do cérebro, além de guiar essas novas células para regiões onde formarão futuros neurônios. Isso acontece durante a formação das diversas camadas de neurônios na parte mais externa do cérebro – córtex cerebral (clique aqui para acessar o artigo original).

2 comentários sobre “Vírus Zika x microcefalia: novas descobertas científicas!

  1. Pingback: Vírus Zika e microcefalia X Comprovação científica | Cientistas descobriram que…

  2. Pingback: Organoides, muito mais que apenas órgãos em miniatura! | Cientistas descobriram que... "CDQ"

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