1, 2, 3, 4…Pra ficar maneiro evite muito álcool!

Por Natalli Granzotto1 e Geison Souza Izídio2

  1. Doutoranda em Farmacologia – UFSC;
  2. Coordena o Laboratório de Genética do Comportamento – UFSC

Imagem relacionada “Uísque ou água de coco pra mim tanto faz…” era parte de uma música bastante popular no Brasil, há alguns poucos anos. Se esses hits de sucesso impulsionam a realidade, ou se, na verdade, fazem sucesso porque retratam a realidade é uma pergunta interessante a se fazer. O fato é que, no Brasil, os drinks de vodca, ou whisky, com energético estão cada vez mais marcando presença nas comemorações de todas as faixas etárias, a partir da adolescência.

Um estudo, conduzido por pesquisadores da Unifesp (para ver, acessar aqui), mostrou que 76% dos indivíduos entrevistados (homens e mulheres com idade média de 24 ± 6 anos) declarou consumir a combinação de bebidas energéticas com álcool. Esse mesmo estudo também evidenciou que, em 91% dos casos, a bebida alcoólica escolhida era um destilado. Uma das possíveis explicações para essa combinação seria a diminuição dos efeitos psicodepressores do etanol devido aos efeitos psicoestimulantes da bebida energética (que geralmente contém altas concentrações de cafeína ou taurina). Parece a combinação perfeita, pois, em um primeiro momento, o álcool prejudica a atenção e causa sonolência e o energético aumenta a disposição e deixa mais alerta. Além disso, os efeitos estimulantes do álcool, como, por exemplo, euforia e desinibição, parecem ser potencializados pela combinação com energético (…alto em cima, alto em cima…).

Mas então, qual o problema desses drinks?

Um estudo de 2017 (para acessá-lo clique aqui) revisou 99 artigos publicados sobre os efeitos da combinação entre álcool e energético. Os cientistas descobriram que o efeito depende muito da dose ingerida e do tipo de tarefa a ser executada. Em doses baixas, o energético diminuiria os efeitos deletérios do álcool e o indivíduo sentiria menos fadiga e fraqueza, teria menos dores de cabeça e boca seca. Porém, em doses altas, a associação com energético diminuiria somente a percepção da intoxicação, não a intoxicação em si, e caso a pessoa precisasse executar uma tarefa complexa (como dirigir um carro, por exemplo), teríamos aí um grande risco. Ou seja, em doses altas, o indivíduo não percebe seu real estado alcoólico, e pode causar problemas graves, não somente para ele, como para a sociedade.

Woolsey e colaboradores publicaram um estudo com 355 jovens universitários (clique aqui para acessá-lo). Nele, os cientistas descobriram que a associação com bebidas energéticas aumenta o consumo de álcool. Além disso, os jovens que consomem álcool combinado com bebida energética tendem a ter um maior comportamento de risco, como dirigir embriagado e aceitar carona com um motorista alcoolizado, em comparação aos jovens que consomem apenas álcool.

Do ponto de vista neurobiológico, essa combinação, presente nesses drinks, se torna ainda mais perigosa quando ingerida por indivíduos com idade inferior a 21 anos. Isto porque, antes dessa idade, várias estruturas cerebrais ainda estão em formação. Um estudo, avaliando 439 adolescentes, evidenciou que aqueles que combinaram bebida alcoólica com energético assumiam mais comportamentos de risco (relações sexuais desprotegidas, uso de drogas ilícitas e direção de automóveis enquanto estavam alcoolizados), quando comparados com aqueles que tinham ingerido apenas álcool (para acessá-lo clique aqui). Outro estudo publicado no início de 2018 (para acessá-lo clique aqui) mostrou que adolescentes que consumiam bebida alcoólica associada aos energéticos se envolviam mais em jogos de apostas (comportamento considerado de risco), do que os que consumiam apenas álcool.

Em março de 2018, um grupo de pesquisadores argentinos publicou um estudo (clique aqui para acessá-lo) em que induziam camundongos a uma espécie de ressaca (a partir de etanol, ou da combinação de etanol e energético). Os cientistas descobriram que, mesmo nesses animais de laboratório, essa mistura aumenta não só a intensidade, mas também a duração dos prejuízos motores. Os camundongos que receberam a combinação de etanol com energético demoraram cerca de seis horas a mais para se recuperar, do que aqueles que receberam apenas etanol.

Quando tratamos de substâncias psicoativas, de uma maneira geral, o que separa os efeitos positivos dos negativos parece sempre ser a quantidade ingerida. Isto se aplica tanto para álcool e energético, quanto para a combinação dos dois. Assim, lembre-se: se você for combinar as duas bebidas, não dirija ou desempenhe tarefas de risco! Por mais que você não perceba, a associação delas já te faz enlouquecer! Já te faz enlouqueceeer!

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