O aroma de sândalo parece acelerar a regeneração da pele

O aroma de sândalo parece acelerar a regeneração da pele

Por Marco Augusto Stimamiglio                                                                                                  Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

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Marco figuraConsiderada a maior barreira externa do nosso corpo, a pele é exposta a múltiplos fatores ambientais. Dentre estes se incluem temperatura, umidade, estresse mecânico e estímulos químicos, tais como os odores que são frequentemente utilizados em cosméticos. Em relação aos odores, já sabemos que eles são captados por nossos narizes através de cerca de 350 tipos de receptores olfativos diferentes, presentes na mucosa nasal. Estes receptores são capazes de captar estímulos químicos provenientes de odores e enviar mensagens ao cérebro, que interpreta esta informação estabelecendo nosso sentido de olfato. No entanto, o nariz não é o único órgão do corpo onde estes receptores olfativos podem ser encontrados. Pesquisadores da Universidade de Ruhr, em Bochum na Alemanha, descobriram que células da pele (queratinócitos) também possuem receptores olfativos e podem ser estimuladas por determinados odores. Neste estudo, os cientistas demonstram que o odor de sândalo é capaz de desencadear uma cascata de sinais moleculares nas células da pele, que possivelmente induzem a cicatrização de feridas. O trabalho foi publicado na prestigiada revista científica do grupo Nature, chamada Journal of Investigative Dermatology.

Legal! Mas o que fazem na pele esses receptores que normalmente encontramos no nariz? E por que possivelmente induzem a cicatrização de feridas?

Apesar de parecer estranho, a presença de receptores de odor fora do nariz não é novidade. Eles foram assim denominados porque foram relatados pela primeira vez como receptores do nariz. Entretanto, os receptores de odor são os sensores químicos evolutivamente mais antigos em nosso organismo. Eles fazem parte do maior subgrupo de receptores sensoriais conhecidos e são capazes de detectar uma grande variedade de compostos, não apenas aqueles que estão dispersos pelo ar. Um exemplo disso, conhecido desde 2003, é a presença de receptores de odor nos espermatozoides. Acredita-se que nestas células eles funcionem como um sistema de orientação para os espermatozoides encontrarem o seu caminho em direção a um óvulo não fertilizado. Os receptores olfativos já foram identificados em vários outros órgãos, incluindo fígado, coração, pulmões, intestino e cérebro.

Em relação ao presente estudo, os pesquisadores cultivaram em laboratório queratinócitos da pele humana, nos quais identificaram a presença de receptores olfativos. Os cientistas decidiram então eleger um destes receptores para um estudo mais detalhado. O receptor encontrado em maior abundância nos queratinócitos foi então submetido a um teste para identificação de um possível ligante, ou seja, um odor capaz de ser reconhecido pelo receptor em questão e estimulá-lo. O teste revelou a ativação do receptor através do odor de sândalo, um aroma frequentemente utilizado em incensos e perfumes. Usando amostras que incluíam culturas de queratinócitos e da própria pele humana, os cientistas obtiveram resultados interessantes. Eles notaram que a ativação do receptor promoveu o aumento na proliferação e migração dos queratinócitos, processos que ocorrem durante a cicatrização de feridas. Além disso, a ativação do receptor estimulou o crescimento da epiderme em biópsias de pele humana, que são pequenas amostras de tecido vivo retiradas cirurgicamente e que podem ser cultivadas em laboratório.

Considerando os resultados obtidos pelos pesquisadores alemães neste estudo, podemos sugerir que o odor de sândalo seria capaz de induzir a regeneração da pele. Entretanto, estudos futuros que incluam testes mais elaborados são necessários para a confirmação desta possível capacidade regenerativa. De qualquer forma, é possível que os receptores olfativos na pele humana apresentem benefícios terapêuticos e entender seu funcionamento pode ser um ponto de partida para o desenvolvimento de novos medicamentos, tratamentos médicos e até cosméticos.

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