As células-tronco esqueléticas humanas existem!

Por Marco Augusto Stimamiglio, Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

Em um estudo publicado em setembro de 2018 na renomada revista científica Cell, pesquisadores dos Estados Unidos, Áustria e Japão, identificaram em um trabalho conjunto, três anos após a descoberta de células-tronco esqueléticas em camundongos, a versão humana desse precursor de osso, cartilagem e estroma (células de suporte da medula óssea). Os cientistas mostram que essas células-tronco esqueléticas são autorrenováveis e multipotentes.

Para divulgar seu trabalho, eles mesmos produziram um vídeo que retrata o diálogo entre uma célula óssea (osteócito) e uma célula de cartilagem (condrócito). O vídeo em inglês, assim como o artigo na íntegra, podem ser acessados através deste link. E a estória se passa assim:

Osteócito: Você já se perguntou sobre a nossa ancestralidade?

Condrócito: Bem! Desde que as células progenitoras do osso foram descobertas nos camundongos esse pensamento ronda meu pensamento…

Osteócito: Mas como resolvemos isso? Afinal, não podemos mudar o nosso DNA para nos dar rótulos coloridos como pode ser feito em camundongos…

Condrócito: Existe um jeito, nós só temos que ser criativos. Podemos nos concentrar no lugar de onde viemos…

Osteócito: Você está se referindo às placas de crescimento ósseo?

Condrócito: Sim, a placa de crescimento é o lugar de onde surgimos…

Osteócito: E o que procuramos lá?

Condrócito: É onde nossos pais devem estar, então podemos analisar a composição genética deles….

Osteócito: Pelo site ancestrais.com?

Condrócito: Não! Nós não queremos olhar para o DNA deles! Pelo contrário, queremos ver quais genes estão sendo usados ​​ativamente e são importantes para a sua atividade. Usando esta informação podemos determinar sua identidade…

Osteócito: Ok! Então, o que você vê analisando os seus genes?

Condrócito: Bem! Eu me vejo e vejo você, mas isso é estranho…

Osteócito: O que é estranho?

Condrócito: Eu sou uma célula de cartilagem e você é uma célula óssea, somos tão diferentes… mas nós dois somos derivados de uma célula progenitora de cartilagem e de osso, a chamada célula progenitora BCSP!

Osteócito: Certo! Mas e o ancestral da BCSP?

Condrócito: Ué! A BCSP vem da pré-BCSP!

Osteócito: Então eu acho que a pré-BCSP vem da pré-pré-BCSP, que vem do pré-pré-pré-BCSP…

Condrócito: Não! A pré-BCSP vem da célula-tronco esquelética humana.

Osteócito: Ah! As células-tronco esqueléticas!!!

Condrócito: Nossa grande bisavó, a célula responsável por gerar todo o esqueleto, bem como outras células-tronco esqueléticas…

Osteócito: Caramba! A célula-tronco esquelética humana pode se replicar?

Condrócito: Sim! Se a célula-tronco esquelética for cultivada em uma placa de cultivos celulares ela pode se replicar de novo e de novo e de novo….

Osteócito: Bacana! Mas isso em uma placa de cultivo! Isso não significa que aconteça em seres humanos vivos…

Condrócito: Bem! Se a célula-tronco esquelética humana é colocada sob a cápsula renal de um camundongo vivo, forma-se uma cavidade óssea inteira neste lugar, composta por células pré-BCSP, as células BCSP e células como você e eu!

Osteócito: Mas o que é a cápsula renal?

Condrócito: É um tecido que funciona como uma incubadora, com um rico suprimento de sangue, onde as células transplantadas podem sobreviver… mas existe outra descoberta interessante. Você conhece nossas amigas que sempre estão com as células-tronco que dão origem às células do sangue?

Osteócito: Sim! As células do estroma.

Condrócito: Isso mesmo! Preste atenção na nossa árvore ancestral…

Osteócito: Não acredito! As células BCSP podem produzir células do estroma também?

Condrócito: Exatamente!

Osteócito: Então quais são as implicações de saber tudo isso?

Condrócito: São enormes! Há momentos em que mais cartilagem, osso e células do estroma são necessários. Como quando o esqueleto cresce ou é danificado ou perdido, ou quando sofremos avarias à medida que envelhecemos. Saber quais células fazem o osso e como elas podem ser ativadas permite que essas células se tornem alvos terapêuticos.

Osteócito: Ok! Então resolvemos!!! Nós resolvemos o quebra-cabeça da vida como nos camundongos. Mas aguenta aí! Então somos como nos camundongos?

Condrócito: Bem! Nós somos maiores, nossa composição genética é diferente e temos marcadores diferentes… então, em resumo, somos bem diferentes!

A importância desta descoberta fica bem clara neste diálogo. Com o tempo saberemos se ela pode abrir as portas para a regeneração dos nossos ossos envelhecidos!

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