Inovação no combate às metástases pulmonares e redução de efeitos colaterais utilizando viroterapia oncolítica. 

Por Izabella Thaís da Silva – Departamento de Ciências Farmacêuticas – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) 

A viroterapia oncolítica é uma estratégia promissora no tratamento do câncer, utilizando vírus que infectam e destroem seletivamente células tumorais, além de estimular uma resposta imune antitumoral (para saber mais sobre o tema acesse nosso texto publicado recentemente aqui no blog e intitulado “Os vírus que combatem o câncer: uma nova esperança na terapia“). No entanto, a administração sistêmica dos vírus oncolíticos enfrenta vários desafios, incluindo a rápida neutralização pelo sistema imune, toxicidade associada a doses elevadas e penetração limitada nos tumores metastáticos, especialmente nos pulmões.

Para tentar resolver esses problemas, pesquisadores do Departamento de Cirurgia Oncológica do Primeiro Hospital da Universidade Médica da China, desenvolveram a terapia ELeOVt, que consiste na montagem de vírus oncolíticos na superfície de eritrócitos (que são as células vermelhas do sangue), protegendo-os da neutralização imunológica e prolongando sua circulação sistêmica. Os eritrócitos, por serem células do nosso próprio corpo e abundantes, servem como uma plataforma ideal para o transporte de vírus oncolíticos até os sítios metastáticos pulmonares. 

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Os vírus que combatem o câncer: uma nova esperança na terapia

Os vírus que combatem o câncer: uma nova esperança na terapia

Izabella Thaís da Silva – Departamento de Ciências Farmacêuticas – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Você já ouviu falar que os vírus podem ser nossos aliados na luta contra o câncer? Acredite ou não, a pesquisa médica está explorando essa ideia. 

Vamos explicar de uma maneira mais simples.

O efeito antitumoral da infecção viral natural em pacientes com câncer não é nenhuma novidade. Recentemente, por exemplo, foi relatado que um homem de 61 anos, na Inglaterra, com Linfoma de Hodgkin em estágio III (um câncer no sistema linfático) teve remissão da doença após ser infectado pelo novo coronavírus (veja o estudo completo AQUI). 

O mesmo efeito já havia sido constatado pela medicina há mais de um século, porém, somente nos últimos anos, os avanços científicos permitiram a elucidação de como os vírus oncolíticos (ou seja, os vírus capazes de matar as células tumorais) funcionam e interagem com o sistema imunológico. Sabe-se que os vírus naturalmente possuem uma capacidade inata de eliminar células cancerígenas, porém para otimizar o seu potencial oncolítico, são necessárias alterações para melhorar a sua seletividade pelas células cancerígenas e diminuir a sua toxicidade. 

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