Plutão ainda tem muito a nos revelar!

Por Emille Ishida – emilleishida@gmail.com                                                                    Pesquisadora no Instituto de Astrofísica Max Planck, Alemanha

Emile I - Figura cópiaConhecido por muitos de nós como o nono planeta do Sistema Solar, Plutão ganhou os noticiários internacionais em 2006, quando foi rebaixado à categoria de planeta anão. Apesar da comoção mundial em torno do tema, a decisão tomada pelo órgão mundial de astronomia (International Astronomical Union – IAU) foi prática. Com a descoberta de novos objetos de tamanho parecido só existiam duas alternativas: rebaixar Plutão ou incluir todos os outros corpos parecidos com ele na lista de planetas. Os astrônomos decidiram pela opção mais econômica.

Em julho/2015, Plutão voltou a ocupar as páginas dos jornais, dessa vez com manchetes muito mais positivas. Após 9 anos de viagem, a sonda New Horizons finalmente alcançou as fronteiras do Sistema Solar e nos mandou informações surpreendentes. Dentre elas, a que mais chocou os astrônomos foi a pouca quantidade de crateras de impacto presente na superfície de Plutão. Corpos pequenos e rochosos (como Mercúrio, Marte e a Lua) possuem um alto número de crateras em suas superfícies, resultado de sucessivas colisões com asteroides ao longo de suas histórias. As exceções, como o caso da Terra, acontecem apenas quando efeitos de erosão como oceanos, vulcões ou efeitos atmosféricos, apagam essas marcas. Entretanto, não se esperava que tais agentes existissem em Plutão por este ser muito pequeno e frio, com temperaturas em torno de -220oC. O desafio agora é descobrir que tipo de mecanismo fornece energia para a superfície, permitindo que continue jovem por um tempo tão longo.

A animação combina imagens de Plutão obtidas ao longo de várias décadas. A primeira imagem mostra como o planeta foi observado pela primeira vez, em 1930 por seu descobridor, Clyde Tombaugh. As imagens seguintes mostram diferentes perspectivas do planeta obtidas pelo telescópio espacial Hubble a partir de 1990. A sequência final é um close-up obtido pela New Horizons em julho de 2015. (fonte: NASA)

Imagens de Plutão obtidas ao longo de várias décadas. A primeira imagem mostra como o planeta foi observado pela primeira vez, em 1930 por seu descobridor, Clyde Tombaugh. As imagens seguintes mostram diferentes perspectivas do planeta obtidas pelo telescópio espacial Hubble a partir de 1990. A sequência final é um close-up obtido pela New Horizons em julho de 2015. (fonte: NASA)

Além dos novos desafios científicos, a chegada da New Horizons representa um marco importantíssimo na história de exploração do Sistema Solar. Da antiga lista de nove planetas, Plutão era o último a ser explorado, e os cientistas esperavam ansiosamente pelos mistérios que uma visita tão próxima poderia revelar. Tanto que os astrofísicos brasileiros Graziela Keller e Paulo Penteado elegeram esse evento o marco histórico ideal para o lançamento de um novo canal de divulgação de ciências. “Por mais que nós tivéssemos vontade de fazer o canal, nunca tínhamos tempo de tirá-lo do papel. Quando a época da chegada a Plutão foi se aproximando, nós concluímos que não podíamos deixar passar a oportunidade de falar dessa fantástica realização da humanidade. Nossa empolgação com a chegada da New Horizons foi intensificada por estarmos em Flagstaff – Estados Unidos, onde fica o Observatório Lowell, no qual Plutão foi descoberto.”, disse Graziela em entrevista ao CDQ. Os primeiros três vídeos do canal, chamado Crux Ciência, apresentam de maneira divertida e muito bem detalhada, informações sobre Plutão e a New Horizons.

Felizmente, nós podemos esperar muito mais revelações vindas da fronteira do Sistema Solar. Tudo o que foi divulgado até o momento é apenas a ponta do iceberg. Aproximadamente 95% das informações coletadas pela New Horizons ainda não chegaram. Elas são enviadas à Terra através de sinais de rádio, coletados por de um conjunto de antenas localizadas nos Estados Unidos, Espanha e Austrália, chamado Deep Space Network. Devido à imensa distância que nos separa da sonda, esse processo é bastante lento. Mesmo viajando a velocidade da luz, os dados demoram cerca de 4 horas e meia para nos alcançar e espera-se que a transferência completa dure em torno de 16 meses!

Segundo Alan Stern, do Southwest Research Institute, nos Estados Unidos, “… o que está para chegar não é apenas mais do mesmo – são os melhores dados, as imagens de mais alta resolução e os espectros de melhor qualidade. É um verdadeiro tesouro!” Podemos ter certeza que o agora planeta anão ainda não terminou de nos surpreender!

O canal Crux Ciência pode ser acessado clicando aqui.

Artigo original sobre a nova rodada de dados da New Horizons

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