Os elementos químicos da Tabela Periódica acabam de receber novos irmãos… e são quadrigêmeos!

Por Bruno José Gonçalves da Silva                                                                                                    Prof. Dpto. de Química – UFPR

Bruno JS - imagemNão é de hoje que muitos alunos, desde a época do ensino médio, se vêm diante da tão falada e, em alguns casos, tão temida Tabela Periódica dos elementos. A sua forma mais conhecida foi criada pelo professor de química russo Dmitri Ivanovich Mendeleiev, em 1869, e agrupa os elementos químicos conhecidos em uma disposição em forma de tabela, de acordocom suas propriedades químicas e físicas. Mas calma…, a ideia aqui não é recordar os tempos em que era necessário decorar algumas “musiquinhas” para se lembrar desses elementos e onde cada um está localizado na Tabela. A novidade da vez é que, após o reconhecimento dado em janeiro de 2016 pela IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada), que é o maior representante das ciências químicas no mundo, quatro novos elementos químicos irão fazer parte da Tabela Periódica!

O feito, na verdade, foi realizado por diferentes grupos de pesquisadores ao redor do mundo já há alguns anos, mas como as pesquisas devem passar por uma rigorosa etapa de validação dos resultados, somente agora esses pesquisadores puderam comemorar a descoberta destes quatro novos elementos que faltavam para completar a sétima linha horizontal (ou período) da tabela. Por enquanto, os elementos são identificados pelos números atômicos 113, 115, 117 e 118 e por nomes temporários do tipo Uut (unúntrio, ou “1”, “1”, “3” em latim), mas deverão ganhar símbolos e nomes permanentes mais simpáticos. Para isso, a IUPAC irá convidar os descobridores dos elementos do Japão, Rússia e Estados Unidos para apresentarem sugestões. Os novos elementos podem ser batizados, por exemplo, em referência a conceitos mitológicos, minerais, lugares ou países e até mesmo em homenagem a algum cientista, em especial aos descobridores, claro!

Os grupos de pesquisadores citados passaram anos realizando experimentos e recolhendo provas para convencer a comunidade científica e especialistas da existência desses elementos. Mas você tem ideia de como uma descoberta dessa magnitude é realizada em laboratório e em sofisticados centros de pesquisas? Pois bem…, vamos tentar entender de uma forma mais clara: eles foram feitos bombardeando feixes de íons em alvos metálicos pesados, algo como uma fina chapa metálica constituída por determinado metal já conhecido por nós. Por exemplo, um desses elementos, o 113, foi descoberto disparando, com o auxílio de um equipamento conhecido como acelerador de partículas, um feixe de zinco-70 em um alvo feito de bismuto-209 (os números indicam a quantidade de prótons em cada um desses átomos) fazendo estes elementos menores colidir e se fundir, formando os novos átomos.

Esta pesquisa foi iniciada em 2004 por pesquisadores japoneses liderados por Kosuke Morita, mas somente em 2012 o grupo apresentou resultados mais convincentes. Esta demora é basicamente entendida devido à dificuldade de provar, efetivamente, a existência desses novos elementos, pois todos apresentam a característica de serem altamente instáveis, existindo durante apenas uma pequena fração de segundo. De maneira semelhante, os elementos 115 (ununpêntio, Uup-115), 117 (ununséptio, Uus-117) e 118 (ununóctio, Uuo-118) foram descobertos através da colaboração de duas instituições norte-americanas (Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, e Laboratório Nacional Oak Ridge, no Tennessee) e uma russa (Instituto Unido de Pesquisa Nuclear, em Dubna), em meados de 2006.

Segundo os cientistas, como se tratam de elementos artificiais, ou seja, que não são encontrados na forma natural em nosso planeta, como constituintes de minérios, por exemplo, pouco ou, na verdade, quase nada, pode ser elucidado sobre possíveis aplicações destes novos elementos no nosso cotidiano e os possíveis impactos que isto trará à ciência como um todo. Porém, os pesquisadores se dizem esperançosos de que seja possível a descoberta de elementos relativamente estáveis além do elemento 118, permitindo a produção de elementos superpesados…, o que poderia ocorrer em uma semana ou em mais 10 anos!

Ainda com relação aos tão aguardados novos nomes dos elementos, segundo Kosuke Morita, ele e seus colegas ainda estão discutindo qual nome dar ao elemento que criaram. Russos e americanos também não se manifestaram ainda. Mas, de qualquer jeito, estas informações ainda levarão um tempo até estarem presentes na nova Tabela Periódica e nos livros, portanto estudantes que irão prestar o ENEM e vestibulares pelo país, não criem pânico!

*Ficou curioso e quer saber mais sobre este tema? Artigos detalhando as descobertas foram publicados deste o início deste ano na revista científica Pure and Applied Chemistry (PAC), em tradução livre Química Pura e Aplicada, disponível na internet.

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