Os presentes do mar: o que as orcas andam aprontando agora? Cooperação, altruísmo, partilha ou simples curiosidade?

Por Paulo César Simões-Lopes – Departamento de Ecologia e Zoologia – UFSC – Lab. Mamíferos Aquáticos (LAMAQ)

Você já jogou sementes para um esquilo num parque qualquer? Ou pelo menos bolachinhas para as carpas num lago artificial? Para muitas pessoas dar milho aos pombos é um passatempo e um devaneio, não importando em qual medida. Mas o que estaria acontecendo com as orcas? 

Na Argentina e na Nova Zelândia, no Alasca, na Noruega ou no México, orcas de populações completamente distintas têm assombrado o mundo em interações curiosas onde trazem suas presas ou outros objetos e os oferecem aos humanos como se fossem “presentes” (veja aqui o estudo). Trazem águas-vivas, estrelas do mar, retalhos de algas, raias e peixes de muitos tipos, aves marinhas, tartarugas e até pedaços de lobos-marinhos, focas, golfinhos ou lontras como se fossem petiscos irresistíveis. (Pedaços, vejam que maravilha.)

Oferecem esses itens aos humanos aparvalhados, estejam eles embarcados, nadando ou mesmo em terra. E os Cientistas Descobriram Que humanos embarcados ou nadando eram mais interessantes para as orcas. E assim foram acumulando cerca de vinte anos de observações fortuitas, mas muito esclarecedoras. Os Cientistas tambémDescobriram Que orcas de ambos os sexos e todas as idades, inclusive juvenis e filhotes, participam dessa estranha “partilha”. Em praticamente todos os casos, elas esperaram uma reação dos humanos como se os testassem. Às vezes, fazem mais de uma tentativa, quando não são correspondidas de imediato.

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Alerta vermelho no Mar Vermelho: Golfinhos que se automedicam?

Por Paulo César Simões-Lopes – Dpto de Ecologia e Zoologia – UFSC

Não somos os únicos animais espertos é bem verdade. Muito antes da ciência avaliar com parcimônia os fenômenos complexos, já buscávamos soluções para nossa saúde usando outros caminhos menos ortodoxos. Quem não tomou um chazinho para melhorar a digestão ou resolver seu problema de gases?

Sim, já faz tempo que aprendemos, por tentativa e erro, a contornar alguns de nossos problemas, fosse um processo inflamatório, uma queimadura, a dor das picadas de abelha, a ansiedade insuportável ou uma prisão de ventre. Não só agora, mas muito cedo em nossa linhagem humana, raízes e folhas e flores e sementes e mesmo toxinas extraídas da pele de animais têm sido testadas por nós e usadas com algum sucesso. Há também crendices absurdas que são verdadeiros delírios, mas delas não trataremos aqui.

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“Donzelas invocadinhas” estruturam os comportamentos de disputa em recifes de corais

 Por Luisa Fontoura & Sergio R. Floeter, Dpto. de Ecologia e Zoologia, UFSC

Conhece aquela frase “no fundo, somos todos muito parecidos”? Pois é, nas profundezas dos recifes de coral de quase todo o mundo, as disputas por recursos entre pequenos peixes são muito parecidas. Apesar de distribuídos por todos os oceanos tropicais, os recifes não são todos iguais.

No Brasil, os recifes abrigam uma diversidade menor de espécies de peixes comparados aos do Caribe que, por sua vez, têm menor diversidade que os belíssimos e complexos recifes do Indo-Pacífico. Nos recifes, em meio a corais arborescentes, coloridas esponjas tubulares e delicados tufos de algas, pequenos peixes estão em constante disputa. Este comportamento agonístico (quando um peixe é agressivo e persegue outro, por exemplo), pode representar a competição por recursos, como é o caso do alimento ou espaço. E espaço para alguém que mantém um território, como muitas Continuar lendo