Pesquisadores brasileiros investigam a estrutura da Via Láctea

Por Emille Ishida                                                                                                                   Pesquisadora no Instituto de Astrofísica Max Planck, Alemanha

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Representação artística do modelo mais aceito para a estrutura da Via Láctea. O nosso Sol se encontra a aproximadamente ⅔ do caminho entre o centro e a borda da galáxia. imagem: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC/Caltech)

Representação artística do modelo mais aceito para a estrutura da Via Láctea. O nosso Sol se encontra a aproximadamente ⅔ do caminho entre o centro e a borda da galáxia.
imagem: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC/Caltech)

Em muitas formas, a astronomia pode ser considerada um exercício de autoconhecimento. Como já discutimos anteriormente aqui no CDQ (ver Laniakea: um super-aglomerado para chamar de lar), muitas vezes estamos apenas tentando conhecer melhor nosso lugar no Universo. A situação não é diferente quando se trata da Via Láctea. Sabemos que vivemos em uma galáxia espiral e que o Sol se encontra a aproximadamente ⅔ da distância entre o centro e a borda. Mas muito pouco se sabe sobre os detalhes internos dessa estrutura. Por exemplo, muito se debate sobre a existência de dois a quatro braços espirais na Via Láctea.

Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, liderados por Denilson Camargo, apresentou evidências que favorecem o modelo de quatro braços. O estudo intitulado Mapeando a estrutura espiral da galáxia através de aglomerados de estrelas jovens (tradução livre) foi publicado na revista inglesa Monthly Notices of the Royal Astronomical Society em 20 de maio de 2015, e ganhou destaque na comunidade internacional.

Imagine que você está tentando desenhar uma planta da sua casa sem nunca sair da sala de estar. Você poderia ter uma ideia dos cômodos que é capaz de ver diretamente, mas as paredes e móveis certamente atrapalhariam ter uma visão geral da estrutura. Foi assim que o site oficial da agência espacial americana (NASA) descreveu o desafio de tentar mapear a estrutura global da Via Láctea vista da Terra. Nosso planeta se encontra em um dos braços espirais, e por isso mesmo está rodeado de gás, poeira e estrelas próximas, que ofuscam nossa visão.

Os braços espirais funcionam como mecanismos de compressão de nuvens moleculares que levam à formação de estrelas. Sendo assim, ao determinar a localização de estrelas jovens que ainda não tiveram tempo de se deslocar para muito longe do local onde nasceram, estamos na verdade mapeando os braços.  Seria mais ou menos como tentar seguir o traçado de uma estrada através da luz dos faróis dos carros que passam por ela. Foi esse princípio que os pesquisadores utilizaram para detectar quatro estruturas diferentes correspondentes aos braços espirais. Os astrônomos gaúchos utilizaram dados do satélite americano WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) para determinar a posição de aglomerados de estrelas jovens.  Além da utilização de dados de alta qualidade, também foi necessária a implementação de um algoritmo original para minimizar a contaminação por objetos de fundo (background).

O grupo enfatiza que a procura por aglomerados de estrelas jovens deve continuar, pois nos permite entender mais a fundo a estrutura da nossa galáxia e nos dá pistas sobre os eventos que levaram à sua formação. Além disso, a oportunidade de estudar a Via Láctea em tamanho detalhe é uma oportunidade única para entender como e onde estrelas são formadas em uma galáxia espiral típica.

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