Cuidado! Um dia você pode esquecer de colocar sal na comida…

Por Daniel Fernandes, Departamento de Farmacologia UFSC

Que o excesso de sal pode aumentar sua pressão arterial provavelmente você já sabia. Já comentamos também aqui que sal em excesso pode comprometer o sistema imunológico (ver: Muito sal na sua dieta pode enfraquecer o seu sistema imune). Mas agora cientistas descobriram que o sal em excesso pode também comprometer a memória.

Pesquisadores da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, mostraram que camundongos que receberam uma dieta por 12 semanas rica em cloreto de sódio, o conhecido sal de cozinha, se tornaram incapazes de realizar tarefas rotineiras, como construir seus ninhos. Além disso, estes roedores tiveram dificuldades na realização de testes de memória.

Mas como o sal pode afetar nossa memória? Na verdade, já se sabia que o excesso de sal poderia gerar alterações cerebrais. Entretanto, a relação feita até agora era de que o sal aumenta a pressão arterial, e este aumento geraria prejuízos cerebrais. Porém, de forma intrigante os autores mostraram que o sal pode afetar a memória mesmo sem aumentar a pressão arterial.

Os cientistas mostram que o consumo excessivo de sal causa a proliferação de um tipo particular de células, chamadas Th17, no intestino delgado. Estas células produzem uma proteína chamada IL-17 que entra na circulação sanguínea. Os níveis elevados de IL-17 na circulação causam a diminuição da produção de óxido nítrico pelas células dos vasos cerebrais. Talvez agora você esteja pensando “Óxido nítrico! Com este nome talvez seja melhor reduzir mesmo”. Só que não! O óxido nítrico tem vários efeitos benéficos, entre eles o relaxamento dos vasos sanguíneos, o que permite um aporte sanguíneo adequado para o cérebro. A redução da produção de óxido nítrico, causada pela dieta rica em sal, reduziu o fluxo de sangue no cérebro em torno de 25%.

Mas embora a redução do fluxo sanguíneo cerebral não seja nada bom, o principal responsável pelo problema na memória é outro. A falta de óxido nítrico afeta a estabilidade de uma proteína chamada tau. A tau é uma importante proteína que mantem a estrutura e a saúde dos neurônios. A redução de óxido nítrico faz com que a tau se desprenda de outras proteínas que são importantes para manter a estrutura da célula (as proteínas de citoesqueleto) e o acúmulo de tau livre é tóxico para os neurônios e acaba gerando prejuízos de memória. O acúmulo da proteína tau está envolvido, por exemplo, na perda de memória que acontece na doença de Alzheimer.

Mas a boa notícia é que o efeito é reversível! O retorno para uma dieta normal, restabeleceu a produção de óxido nítrico e normalizou a performance cognitiva. Portanto, nunca é tarde para melhorar nossa dieta!

É importante lembrar que estes experimentos foram feitos em animais de laboratório e precisam ainda ser confirmados em humanos. Além disso, o teor de sal na dieta rica em sódio oferecida para os camundongos é 8–16 vezes maior do que na ração normal que foi oferecida para o grupo controle, excedendo os níveis mais altos relatados de consumo de sal humano (3–5 vezes de aumento).

De qualquer forma, estes dados reforçam que a redução da ingestão de sal é benéfica para nossa saúde, incluindo a saúde do nosso cérebro. Mas um dos autores do estudo faz um alerta de que não basta controlar o uso do saleiro, é preciso lembrar que vários alimentos já contêm sódio em sua composição. Portanto, leia a informação nutricional na embalagem dos produtos alimentícios. Fica a dica!

Para saber mais acesse os artigos originais abaixo:

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