Fósseis de fungos nos ajudam a contar a história da vida no planeta

Por Felipe Bittencourt & Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, Dpto. BOT-CCB, PPGFAP – UFSC

FIGURA 1: Gondwanagaricites magnificus (A) foto do fóssil de cogumelo mais antigo, depositado no Herbário URM da Universidade Federal de Pernambuco. (B) Desenho interpretativo do cogumelo fóssil, mostrando regiões anatômicas que comprovam a identidade fúngica (fonte: artigo original Heads et al. 2017).

O cogumelo fóssil mais antigo, batizado de Gondwanagaricites magnificus (Figura 1), foi encontrado recentemente no nordeste brasileiro, mais especificamente na Formação Crato da Chapada do Araripe (Ceará). Com aproximadamente 115 milhões de anos (ver artigo 2 abaixo), o fóssil é a prova que os cogumelos são tão antigos quanto o super continente Gondwana, que reunia os atuais continentes do hemisfério sul do planeta.

A formação de um fóssil requer uma série de eventos para que o organismo ou sua impressão sejam preservados. Por sua vez, os fósseis de fungos são raros, o que se deve ao fato de que poucas espécies produzem estruturas rígidas. Por este motivo, a paleomicologia, ciência que estuda os fósseis de fungos, ainda caminha a passos curtos.

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LSD pode ser tão antigo quanto os dinossauros. Será que eles sabiam disso?

Por Elisandro Ricardo Drechsler-Santos                                                                                    Prof. Depto. de Botânica e PPGFAP – UFSC

Imagem retirada do artigo científico original. Mostra a espigueta da gramínea envolta pelo âmbar, onde é possível ver no ápice da pequena flor uma estrutura negra (esclerócio do fungo), parte reprodutiva Palaeoclaviceps parasiticus.

Imagem retirada do artigo científico original. Mostra a espigueta da gramínea envolta pelo âmbar, onde é possível ver no ápice da pequena flor uma estrutura negra (esclerócio do fungo), parte reprodutiva Palaeoclaviceps parasiticus.

Um trabalho recentemente publicado no periódico científico internacional “Palaeodiversity” despertou a imaginação de muitos e popularizou, como reação em cadeia por dezenas de sites, uma suposta ligação entre dinossauros e drogas alucinógenas. A discussão sobre componentes psicotrópicos no cretáceo e o possível uso destas drogas por dinossauros parece ser uma boa manchete na internet. Continuar lendo