Antivitaminas: uma nova estratégia no combate a bactérias resistentes a antibióticos?

Por Rita Zilhão, Faculdade de Ciências de Lisboa, Portugal

Provavelmente, o tema da resistência bacteriana aos antibióticos já foi diversas vezes abordado neste blog. Mas nunca é demais insistir, pois estas superbactérias continuam a ser uma ameaça real em saúde pública.

Tradicionalmente as infecções bacterianas combatem-se com a administração de antibióticos que atuam sobre alvos bacterianos específicos como os ribossomos ou parede celular que, de uma forma genérica, permitem a eliminação das bactérias. Estas estruturas celulares formam-se de acordo com as instruções (expressão dos genes) contidas no DNA cromossômico (genoma) da bactéria. As bactérias na sua extraordinária capacidade de adaptação, podem tornar-se resistentes a determinados antibióticos quando o gene que codifica o referido alvo sofre uma mutação e o produto resultante da sua expressão passa a apresentar uma diferença estrutural deixando de ser reconhecido pelo antibiótico. E, atenção!, que já são muitos os genes mutados que se têm disseminado pelas inúmeras espécies bacterianas.

Então o que há de novo relativamente a esta questão? Como em muitas descobertas científicas, a história começa quando os investigadores se questionam para além dos limites dos esquemas mentais pré-estabelecidos. Foi o que aconteceu com um grupo de investigação liderado por Kai Tittmann, que propôs uma alternativa para debelar as bactérias recorrendo a um grupo de moléculas raras – as antivitaminas. Como todos Continuar lendo

Podem não acreditar, mas também há vírus “bons”!

Por Rita Zilhão, Faculdade de Ciências de Lisboa, Portugal

Estando o mundo num tempo de epidemia viral, a pandemia do SARS-CoV-2, os vírus ficarão seguramente ainda mais “mal vistos” e assustadores do que já são. Lembrei-me, no entanto, em defesa dos vírus, que seria interessante recordar que alguns vírus podem ser muito úteis, nomeadamente para combater infeções bacterianas. De facto, há quase um século “Os Cientistas Descobriram que”1,2 um determinado tipo de vírus, os bacteriófagos (i.e., vírus que infectam bactérias), podiam ser utilizados para combater infeções bacterianas – a chamada terapia fágica. Contudo, cerca de 20 anos depois, em 1945, descobre-se a primeira molécula com função anti-microbiana – a penicilina –despoletando o desenvolvimento do mundo dos antibióticos, com a consequente descontinuação na investigação da terapia com fagos (sobretudo nos países do Ocidente). Continuar lendo