Bloqueio do hormônio sexual FSH reduz o desenvolvimento do mal de Alzheimer em mulheres

Por Ricardo Castilho Garcez, Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Modificado a partir de Flores, et al., 2018

O mal de Alzheimer é uma doença bastante conhecida por causar perda de memória. Há um tempo pesquisadores têm observado que mulheres, após a menopausa, apresentam maior risco de desenvolver o mal de Alzheimer. A pergunta até então sem resposta era: qual a relação da menopausa com o mal de Alzheimer?

A menopausa é o período em que a mulher para de produzir óvulos e de menstruar. Isso tudo é causado por uma grande mudança na produção dos hormônios sexuais. Nesse período, a produção de hormônios como estrogênio e progesterona caem, já o hormônio folículo estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH) sobem. Esses dois hormônios, FSH e LH, são produzidos pela hipófise, uma glândula localizada na base do sistema nervoso central. Inicialmente, a redução nos níveis de estrogênio foi sugerida como uma possível causa do aumento de mulheres com mal de Alzheimer na menopausa, mas seu papel permanece controverso entre os pesquisadores. 

A equipe do Dr. Keqiang Ye (Emory University School of Medicine, Atlanta, USA) percebeu que a perda de memória em mulheres com mal de Alzheimer, já é observada anos antes do início da menopausa e está fortemente associada ao aumento nos níveis FSH. Esse aumento também está ligado à rápida perda óssea (osteoporose) e aumento de gordura na cavidade abdominal (características típicas da menopausa). 

Para testar a hipótese que o FSH poderia influenciar no desenvolvimento do mal de Alzheimer, esses pesquisadores usaram camundongos com alta produção de FSH e sistemas que bloqueiam a atividade do FSH (anticorpos bloqueadores e modulação da expressão de FSH). 

Camundongos predispostos a desenvolver mal de Alzheimer foram submetidos a duas situações: na primeira delas, os níveis de FSH foram aumentados, fazendo com que esses animais desenvolvessem mais rápido os sintomas do mal de Alzheimer. Na segunda situação, os pesquisadores bloquearam o FSH e observaram que os animais apresentaram redução no desenvolvimento do mal de Alzheimer. Esses pesquisadores observaram ainda que, animais com o FSH bloqueado tiveram menor acúmulo de gordura e menor perda de densidade óssea.

A equipe do Dr. Keqiang Ye demonstrou que o FSH é capaz de atuar diretamente nos neurônios das regiões mais vulneráveis ao mal de Alzheimer (hipocampo e córtex cerebral). 

Esses resultados fornecem dados para o desenvolvimento de um medicamento que possa ser usado para tratar a doença de Alzheimer, obesidade e osteoporose – condições que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, será importante testar se os efeitos observados em camundongos se repetem em seres humanos.

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