Por Paula Borges Monteiro – Grupo de Estudos em Tópicos de Física -IFSC
Este texto não é sobre nutrição nem sobre a próxima moda alimentar. Aqui, as proteínas assumem um papel bem diferente: elas são protagonistas de mais um encontro feliz entre a Biologia e a Física Quântica, agora direcionado ao sensoriamento e ao controle celular.

Em janeiro de 2026, a revista Nature publicou um artigo com um título pouco convidativo: “Quantum spin resonance in engineered proteins for multimodal sensing“. Por trás desse nome complicado está uma nova forma de utilizar fenômenos quânticos em sistemas vivos: Cientistas descobriram que proteínas sensíveis à luz podem funcionar como sensores, com um nível de precisão surpreendente, mesmo em células vivas e em temperatura ambiente. O trabalho reuniu 16 pesquisadores de instituições do Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Coreia do Sul, Austrália e Estados Unidos.
Em escala microscópica, os sistemas físicos exibem propriedades que não são explicadas pela Física Clássica. Essas propriedades são delicadas, e pequenas interações do sistema com o ambiente podem destruí-las em um processo chamado de decoerência. Neste contexto, o sistema perde as múltiplas possibilidades que caracterizam o mundo quântico. Preservar essas propriedades por tempo suficiente para realizar medições, especialmente em temperatura ambiente, representa um enorme desafio científico.
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