Corantes podem ser substituídos por proteínas quânticas

Por Paula Borges Monteiro – Grupo de Estudos em Tópicos de Física -IFSC 

Este texto não é sobre nutrição nem sobre a próxima moda alimentar. Aqui, as proteínas assumem um papel bem diferente: elas são protagonistas de mais um encontro feliz entre a Biologia e a Física Quântica, agora direcionado ao sensoriamento e ao controle celular. 

Foto por Merlin Lightpainting em Pexels.com

Em janeiro de 2026, a revista Nature publicou um artigo com um título pouco convidativo: “Quantum spin resonance in engineered proteins for multimodal sensing“. Por trás desse nome complicado está uma nova forma de utilizar fenômenos quânticos em sistemas vivos: Cientistas descobriram que proteínas sensíveis à luz podem funcionar como sensores, com um nível de precisão surpreendente, mesmo em células vivas e em temperatura ambiente. O trabalho reuniu 16 pesquisadores de instituições do Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Coreia do Sul, Austrália e Estados Unidos. 

Em escala microscópica, os sistemas físicos exibem propriedades que não são explicadas pela Física Clássica. Essas propriedades são delicadas, e pequenas interações do sistema com o ambiente podem destruí-las em um processo chamado de decoerência. Neste contexto, o sistema perde as múltiplas possibilidades que caracterizam o mundo quântico. Preservar essas propriedades por tempo suficiente para realizar medições, especialmente em temperatura ambiente, representa um enorme desafio científico. 

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O homem pode ser o responsável por espalhar doença que extingue espécies de sapos em todo o mundo

Por Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, Dpto de BOT-CCB, PPGFAP – UFSC

Figura 1 – Capa da revista Science estampando o trabalho sobre a quitridiomicose (O’Hanlon et al.)

A descoberta ganhou a capa do último volume (11 de maio de 2018) da Science (Figura 1), uma das revistas científicas mais conceituadas na atualidade. Para entender o impacto dessa descoberta, precisamos primeiro entender a doença e seu agente causal.

Quitridiomicose é uma doença infecciosa, que mata sapos, rãs e salamandras, e que vem dizimando várias populações e espécies em todo o mundo (Figura 2). A doença recebe esse nome porque é causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis Longcore, Pessier & D.K. Nichols, que pertence ao grupo de fungos Chitridiomycota. Essa “micose dos anfíbios” se dá pelo contato com os esporos do fungo na água. Os esporos infectam e o fungo se desenvolve na pele do anfíbio, causando úlceras e uma série de outros sintomas, que podem mudar o comportamento do animal, mas a principal consequência é a morte. Essa doença fatal foi observada ainda na década de 70 por Herpetólogos – especialistas no estudo de anfíbios e répteis – mas se tornou reconhecida como um fenômeno mundial somente nos anos 90. Vários casos da doença já foram registrados na Austrália, Ásia, África, Europa e América e por isso é tratada como uma panzoomia. Continuar lendo →