Muito sal na sua dieta pode enfraquecer o seu sistema imune

Por Daniel Fernandes, Departamento de Farmacologia UFSC

Que o excesso de sal pode aumentar sua pressão arterial e, portanto, o risco de outras complicações cardiovasculares, provavelmente você já sabia. Mas agora cientistas descobriram que o sal em excesso pode também comprometer o sistema imunológico, dificultando o combate a infecções.

Pesquisadores do Hospital Universitário de Bonn na Alemanha mostraram que camundongos alimentados com uma dieta rica em cloreto de sódio, o nosso conhecido sal de cozinha, apresentaram um quadro de infecção urinária mais grave do que os camundongos que receberam uma dieta normal. Continuar lendo

Dr. YouTubeTM, a evolução do Dr. GoogleTM

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Não é novidade para nenhum de nós que a internet tem uma importância enorme em nossas vidas e trouxe consigo diversos benefícios, como difusão mais rápida de informações, interação virtual em redes sociais, maior facilidade de comunicação entre pessoas que encontram-se distantes e diversas comodidades, como serviços de transporte, banco, entrega e namoro, entre outras… No entanto, quando a internet é utilizada de maneira inapropriada, traz consigo diversos malefícios, como informações superficiais e/ou falsas (fake news), superficialização das relações pessoais (muito amigos virtuais e pouco contato humano), propagação de crimes virtuais, ciberbullying, etc… Continuar lendo

Manchas vermelhas e coceira na pele? A causa pode ser o excesso de sódio

Por Marco Augusto StimamiglioInstituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

O consumo excessivo de sal (cloreto de sódio – NaCl) tem sido, há muito tempo, relacionado ao aumento no risco do desenvolvimento de doenças crônicas como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e renais. Entretanto, recentemente, descobriu-se que o sódio (Na+) se acumula nos tecidos e pode ativar células do sistema imunológico, levando ao desenvolvimento de doenças autoimunes (distúrbios causados por uma reação do sistema imunológico de um indivíduo em relação aos tecidos ou órgãos do próprio corpo). Não é à toa que a frequência de alergias e doenças autoimunes tem aumentado drasticamente nos últimos anos. Em um estudo publicado em agosto de 2018 na renomada revista Science Translational Medicine, cientistas alemães relataram que altas concentrações de Na+ podem induzir o surgimento de células Th2 (células T auxiliares tipo 2), que são as células imunes responsáveis pelo desenvolvimento de processos inflamatórios e alérgicos. Além disso, os cientistas demonstraram que altos níveis de Na+ estão presentes na pele afetada de pessoas com dermatite atópica, uma condição alérgica da pele.  Continuar lendo

O homem pode ser o responsável por espalhar doença que extingue espécies de sapos em todo o mundo

Por Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, Dpto de BOT-CCB, PPGFAP – UFSC

Figura 1 – Capa da revista Science estampando o trabalho sobre a quitridiomicose (O’Hanlon et al.)

A descoberta ganhou a capa do último volume (11 de maio de 2018) da Science (Figura 1), uma das revistas científicas mais conceituadas na atualidade. Para entender o impacto dessa descoberta, precisamos primeiro entender a doença e seu agente causal.

Quitridiomicose é uma doença infecciosa, que mata sapos, rãs e salamandras, e que vem dizimando várias populações e espécies em todo o mundo (Figura 2). A doença recebe esse nome porque é causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis Longcore, Pessier & D.K. Nichols, que pertence ao grupo de fungos Chitridiomycota. Essa “micose dos anfíbios” se dá pelo contato com os esporos do fungo na água. Os esporos infectam e o fungo se desenvolve na pele do anfíbio, causando úlceras e uma série de outros sintomas, que podem mudar o comportamento do animal, mas a principal consequência é a morte. Essa doença fatal foi observada ainda na década de 70 por Herpetólogos – especialistas no estudo de anfíbios e répteis – mas se tornou reconhecida como um fenômeno mundial somente nos anos 90. Vários casos da doença já foram registrados na Austrália, Ásia, África, Europa e América e por isso é tratada como uma panzoomia. Continuar lendo

Como mimetizar um estado de doença: o RNAi poderá ajudar

Por Rita Zilhão                                                                                                                                          Faculdade de Ciências de Lisboa – Portugal

Mecanismo de RNAi

Mecanismo de RNAi

As doenças humanas podem ser causadas pela falta, ou excesso, de produção de uma ou mais proteínas, ou ainda à produção de uma proteína anômala. Contudo, o papel e a função dessas proteínas, especialmente quando relacionadas com doenças específicas, são difíceis de identificar sem um processo de experimentação in vivo. O mesmo se passa com estudos que visam entender melhor qual o papel das proteínas Continuar lendo