A evolução da terapia com RNA mensageiro: tecnologia avançada para o rejuvenescimento da pele

A evolução da terapia com RNA mensageiro: tecnologia avançada para o rejuvenescimento da pele

Por Marco Augusto Stimamiglio – Instituto Carlos Chagas, Fiocruz Curitiba – Paraná 

O desenvolvimento de terapias baseadas em RNA mensageiro (mRNA) tem se destacado cada vez mais na medicina moderna. Recentemente, as vacinas contra a COVID-19 marcaram o primeiro uso generalizado desta terapia. O uso do mRNA na terapia é interessante porque esta molécula atua como intermediária no processo de tradução da informação do DNA até as proteínas, as quais desempenham uma variedade de funções no nosso organismo. Porém, sua eficácia depende de sistemas de entrega do mRNA que garantam a tradução segura, eficaz e estável deste em proteínas funcionais nos tecidos. Atualmente, as formulações dos sistemas de entrega tradicionais utilizam pequenas partículas lipídicas (LNPs, do inglês, Lipid Nanoparticles) para assegurar uma distribuição bem-sucedida do mRNA. Entretanto, a tradução clínica das terapias de mRNA ainda é limitada devido aos eventos adversos associados a componentes das LNPs, que causam irritação e inflamação. Além disso, as LNPs são difíceis de direcionar para o tecido específico cuja intervenção é desejada.

Vesículas extracelulares carregando conteúdo sendo liberadas por célula
© ISTOCK.COM, Meletios Verras

Recentemente, um estudo inovador, publicado na renomada revista científica Nature Biomedical Engineering, trouxe avanços significativos ao utilizar vesículas extracelulares (VEs) para entregar o mRNA codificante da proteína colágeno tipo I (COL1A1) em tecidos dérmicos, oferecendo novas perspectivas para o rejuvenescimento da pele. As VEs são partículas liberadas por células cuja função é a comunicação celular. Elas são capazes de transportar moléculas, como o mRNA, de forma eficaz e estável, assim como possuem sinais de direcionamento bastante efetivos. Contudo, o uso clínico das VEs também apresenta limitações.

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Times de espermatozoides

Por Virgínia Meneghini Lazzari – Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Figura 1 – Ilustração da competição pela fertilização

Caro leitor, você certamente já ouviu falar sobre o espermatozoide “vencedor” e sobre como ele consegue sozinho ser mais capaz que os demais espermatozoides, chegar até o gameta feminino e fazer a fecundação, mas talvez o que você não saiba é que esse espermatozoide pode ter sido ajudado por um time de companheiros de jornada para chegar até lá. Isso mesmo, cientistas descobriram que espermatozoides humanos nadam mais rápido quando estão em times!

A literatura sobre o tema já havia demonstrado que os espermatozoides humanos podiam nadar lado a lado, sincronizando suas caudas de forma hidrodinâmica, mas a natação cooperativa em que os espermatozoides se ligam uns aos outros fisicamente pela cabeça havia sido refutada até então. A natação cooperativa requer que o espermatozoide seja fisicamente anexado, seguido de migração como um grupo com flagelos não ligados. A fixação é impulsionada por componentes de membrana, e não pela hidrodinâmica do meio migratório. Esse tipo de natação já havia sido relatado em outras espécies animais, mas nunca em humanos.

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Inovação no combate às metástases pulmonares e redução de efeitos colaterais utilizando viroterapia oncolítica. 

Por Izabella Thaís da Silva – Departamento de Ciências Farmacêuticas – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) 

A viroterapia oncolítica é uma estratégia promissora no tratamento do câncer, utilizando vírus que infectam e destroem seletivamente células tumorais, além de estimular uma resposta imune antitumoral (para saber mais sobre o tema acesse nosso texto publicado recentemente aqui no blog e intitulado “Os vírus que combatem o câncer: uma nova esperança na terapia“). No entanto, a administração sistêmica dos vírus oncolíticos enfrenta vários desafios, incluindo a rápida neutralização pelo sistema imune, toxicidade associada a doses elevadas e penetração limitada nos tumores metastáticos, especialmente nos pulmões.

Para tentar resolver esses problemas, pesquisadores do Departamento de Cirurgia Oncológica do Primeiro Hospital da Universidade Médica da China, desenvolveram a terapia ELeOVt, que consiste na montagem de vírus oncolíticos na superfície de eritrócitos (que são as células vermelhas do sangue), protegendo-os da neutralização imunológica e prolongando sua circulação sistêmica. Os eritrócitos, por serem células do nosso próprio corpo e abundantes, servem como uma plataforma ideal para o transporte de vírus oncolíticos até os sítios metastáticos pulmonares. 

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Timo, o guardião do nosso organismo: que segredos guarda sobre a sua criação…

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal 

Obs:  Este texto foi redigido em português de Portugal, com o vocabulário e as normas ortográficas do país.

Figura 1. Localização do timo em humano adulto. Fonte: Inserm

O timo é um órgão que desempenha um papel essencial de defesa do nosso organismo, protegendo-o contra microorganismos e garantindo a tolerância aos próprios tecidos do corpo. Nos mamíferos, aves e peixes ósseos, os primórdios do timo originam-se da terceira e/ou quarta bolsas faríngicas durante o desenvolvimento embrionário. Em tubarões, os primórdios do órgão localizam-se entre a segunda e a sexta bolsas faríngicas, enquanto em anfíbios encontram-se na segunda bolsa, e em répteis nas segunda e terceira bolsas faríngicas.

Para explorar esta variação entre espécies, investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) / Gulbenkian Institute for Molecular Medicine (GIMM), desenvolveram um modelo in vitro quimérico de codorniz e galinha. “Nesses ensaios, as bolsas faríngicas isoladas de embriões de codorniz desenvolveram-se em contacto com tecidos específicos dos arcos faríngicos de embriões de galinha”, explicou Isabel Alcobia, primeira coautora do estudo. 

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As melhores descobertas científicas publicadas em 2024 no CDQ

As melhores descobertas científicas publicadas em 2024 no CDQ

Links das publicações:

Os carros quânticos seriam a novidade do futuro?

Os carros quânticos seriam a novidade do futuro?

Por Por Paula Borges Monteiro – Grupo de Estudos em Tópicos de Física -IFSC

Vivemos um momento no qual os carros elétricos fazem parte da paisagem urbana. Os motores elétricos, que permitiram a transformação de forma geral no modo de vida das pessoas, surgiram ainda no século XIX, mostrando o quão longa pode ser a caminhada da ciência. O blog “Cientistas Descobriram que…” traz hoje a pesquisa de 10 cientistas chineses, publicada na Physical Review Letters, revista científica da American Physical Society, no dia 30 de abril de 2024. O trabalho, intitulado “Dispositivo de conversão de energia usando um motor quântico com dois átomos emaranhados como meio de trabalho” (Energy-Conversion Device Using a Quantum Engine with the Work Medium of Two-Atom Entanglement), sugere uma nova possibilidade de utilização da energia em nossos meios de transporte. Seria o início de uma futura era de carros quânticos?

O emaranhamento quântico já foi assunto do blog em 2015 (acesse o texto aqui), um fenômeno abordado em diversas pesquisas no mundo inteiro, que permite tornar a computação mais rápida, aumenta o processamento de informações e torna a comunicação segura. Para entendermos as novidades do estudo chinês, primeiramente vamos entender o que é um motor térmico.

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A fórmula mágica para emagrecer… será verdade?

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

A prevalência da obesidade tem aumentado no Brasil e em Portugal, refletindo uma tendência global. Segundo a Organização Mundial da Saúde, desde os anos 90, a prevalência de obesidade duplicou em adultos e quadruplicou em crianças e adolescentes1. Em 2022, cerca de 16% dos adultos e 8% das crianças e adolescentes no mundo eram obesos, elevando o risco de doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e certos tipos de cancro (câncer em português brasileiro).

Dada a preocupação crescente com a obesidade e as doenças metabólicas, muitos investigadores têm intensificado esforços para encontrar tratamentos eficazes para estes problemas. E os cientistas descobriram que… existe uma hormona (hormônio em português brasileiro), o péptido (peptídeo em português brasileiro) semelhante a glucagon 1, GLP-1 (Glucagon-like Peptide-1), importante na regulação do metabolismo dos açúcares e na modulação da saciedade, influenciando diretamente o controlo (controle em português brasileiro) do peso corporal. Embora o GLP-1 tenha sido identificado em 1983, a sua utilização foi limitada por se tratar de um péptido rapidamente degradado no organismo. Só recentemente os investigadores conseguiram desenvolver um análogo sintético do GLP-1, a semaglutida (cohecido com o nome comercial Ozempic), uma molécula peptídica modificada para aumentar a sua estabilidade e prolongar a sua atividade no corpo. Por ser um agonista do recetor de GLP-1, a semaglutida liga-se ao recetor do GLP-1, ativando-o e imitando a ação natural do GLP-1 (revisto em 2).

Com esta descoberta, a semaglutida começou a ser usada em ensaios clínicos para tratar diabetes tipo 2, demonstrando resultados promissores3. Os ensaios revelaram melhorias significativas no controle glicémico (glicêmico em português brasileiro) e um aumento na sensação de saciedade, contribuindo para a prevenção de picos de glicose pós-refeição. Além disso, o uso deste fármaco ajudou à regulação do apetite reduzindo a ingestão alimentar, o que levou à perda de peso em alguns participantes. Mais recentemente, outros ensaios clínicos mostraram benefícios para indivíduos com obesidade e pré-diabetes, com uma redução notável no peso e melhorias na normoglicemia4

O que faz então este agonista de GLP-1R, a semaglutida, no nosso organismo? 

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