A microbiota do pai importa para a saúde do bebê?

Por Daniel Fernandes e Gabrielle Delfrate – Departamento de Farmacologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Alguns tipos de bactérias podem induzir graves infecções. Mas você já deve ter ouvido falar que existem vários microrganismos coabitando o nosso corpo. Hoje sabemos que essa microbiota têm um papel fundamental na nossa saúde, inclusive prevenindo infecções. É como se as bactérias “boas” competissem com as “más” por espaço e alimento. Logo, desequilíbrios na microbiota intestinal, causado por exemplo pelo uso indevido de antibióticos, têm sido associados com o desenvolvimento de várias doenças. Já sabemos, por exemplo, que o uso de antibióticos pode afetar a saúde das mães e dos bebês. Mas você sabia que os pais também têm um papel importante nisso? 

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Extra! Extra! Uma nova organela é descoberta! Agora em Algas!

Giordano Wosgrau Calloni – Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Os leitores fiéis do CDQ talvez irão lembrar que há cerca de um ano atrás (15/06/2023) minha postagem foi a respeito de algo que com muita raridade acontece: a identificação de uma nova organela celular . A organela, chamada de corpos PXO havia sido descoberta em células do intestino de moscas da fruta e atuava como um sensor e reservatório de fosfato. O artigo científico havia sido publicado na prestigiosa Revista Nature.

Braarudosphaera bigelowii com seta preta indicando o nitroplasto. Tyler Coale, UCSC.

Pois pasmem, menos de um ano depois, mais precisamente em 11/04/2024, Cientistas Descobriram Que… as algas também contam com uma organela nunca identificada até então, ou pelo menos não identificada como uma organela! A descoberta foi feita na alga marinha Braarudosphaera bigelowii e a organela está sendo chamada de Nitroplasto sendo responsável pela fixação do nitrogênio nestes organismos.

Epa, mas percebam pela frase anterior que parece haver uma complicação nessa estória! Essa organela era algo que já se sabia que estava ali (diferente dos corpos PXO que nunca haviam sido observados até então), mas que não era considerado uma organela! E como pode isso? 

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Uma distante origem da arte de curar: quem criou a Medicina?

Por Paulo César Simões-Lopes – Departamento de Ecologia e Zoologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

De fato, Hipócrates (460-377 a.C.) foi um cara e tanto. Nascido numa linhagem de médicos, ele deu um salto quântico em sua época e seus preceitos acabaram contidos no juramento dos médicos modernos. E ele anteviu os desvios que poderiam acontecer: “Nunca me servirei da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime”. Fundamentalmente, a peste de Atenas o permitiu conceber, entre tantos conceitos terapêuticos, a distinção entre sintomas e doenças.

Busto de Imhotep – Museu de Imhotep, Egito

Numa terra de tantos deuses e mitologias coube a Asclépio (Esculápio) a aura do que seria a origem da medicina. Ele é citado em um dos escritos mais antigos do mundo ocidental (Ilíada) e aparece ora como homem ora como deus. Mas o certo é que outros médicos já haviam feito diagnósticos e tratamentos antes e, dentre eles, está Imhotep (2.655 – 2.600 a.C.), que deixou em papiros no antigo Egito seus registros extraordinários de casos médicos e tratamentos.

Ok, todos sabemos que curandeiros e xamãs receitaram chás, óleos e emplastos com ervas, apressaram cicatrizações, aliviaram dores e febre e tudo isso está repleto de acertos e erros. Assim é com tudo o que criamos… ou copiamos?

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Será que hormônios podem melhorar a memória?

Virgínia Meneghini Lazzari – Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

O comportamento humano é algo muito interessante, concordam? Cientistas do mundo inteiro buscam explicar as mais diversas possibilidades comportamentais que podemos assumir ao longo da vida e os porquês das variações destes comportamentos entre indivíduos. Um tema muito estudado nesta área da ciência é a consolidação da memória e as possíveis diferenças apresentadas entre pessoas do sexo feminino e do sexo masculino. Cabe ressaltar aqui que variações intersexuais são possíveis e que os estudos sobre o assunto focam no sexo biológico relacionado aos cromossomos sexuais e aos níveis hormonais circulantes nas pessoas.

Sobre as diferenças entre os sexos, evidências de estudos sugerem que, nas funções de memória episódica (aquela memória que nos recorda os fatos e experiências vividas, localizadas no espaço e no tempo), as mulheres tendem a ser melhores que os homens. Provavelmente essa informação pegou poucos leitores de surpresa, certo? É bastante comum, quando pensamos em datas e experiências vividas, que as mulheres apresentem uma lembrança mais detalhista, em geral. Veja bem, caro leitor do sexo masculino, não está liberado esquecer datas importantes como casamento, namoro, etc. baseado neste texto, ok? Brincadeiras à parte, essa superioridade feminina varia com o tipo de tarefa e o material de estímulo utilizado.

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Os vírus que combatem o câncer: uma nova esperança na terapia

Os vírus que combatem o câncer: uma nova esperança na terapia

Izabella Thaís da Silva – Departamento de Ciências Farmacêuticas – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Você já ouviu falar que os vírus podem ser nossos aliados na luta contra o câncer? Acredite ou não, a pesquisa médica está explorando essa ideia. 

Vamos explicar de uma maneira mais simples.

O efeito antitumoral da infecção viral natural em pacientes com câncer não é nenhuma novidade. Recentemente, por exemplo, foi relatado que um homem de 61 anos, na Inglaterra, com Linfoma de Hodgkin em estágio III (um câncer no sistema linfático) teve remissão da doença após ser infectado pelo novo coronavírus (veja o estudo completo AQUI). 

O mesmo efeito já havia sido constatado pela medicina há mais de um século, porém, somente nos últimos anos, os avanços científicos permitiram a elucidação de como os vírus oncolíticos (ou seja, os vírus capazes de matar as células tumorais) funcionam e interagem com o sistema imunológico. Sabe-se que os vírus naturalmente possuem uma capacidade inata de eliminar células cancerígenas, porém para otimizar o seu potencial oncolítico, são necessárias alterações para melhorar a sua seletividade pelas células cancerígenas e diminuir a sua toxicidade. 

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Aliados invisíveis: como as bactérias podem ajudar na luta contra o câncer

Por Fabienne Ferreira – Departamento de Microbiologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Você sabia que dentro do nosso corpo existem pequenos seres vivos, os microrganismos, que formam uma comunidade enorme e cheia de interações? Cientistas têm observado, que algumas bactérias presentes no nosso corpo podem interagir com células cancerígenas. A partir desta observação, eles começaram a analisar estas bactérias mais de perto, pensando na possibilidade de poder utilizá-las como parte importante no tratamento de diferentes tipos de câncer. 

Os cientistas começaram a estudar uma bactéria chamada Pseudomonas aeruginosa, e descobriram que ela pode produzir uma substância chamada azurina, que consegue adentrar as células cancerígenas humanas e, surpreendentemente, fazer com que estas se “desliguem” e morram, em um mecanismo conhecido na biologia como apoptose. Mas os estudos não pararam por aí. Os cientistas queriam entender mais sobre a interação entre essa bactéria e o nosso corpo, na indução da morte dos tumores. Por isso, através de novos experimentos, cientistas descobriram que quando as células cancerígenas estão perto da bactéria, as células tumorais começam a liberar uma substância chamada aldolase A. Isso faz com que a bactéria libere ainda mais azurina, e grude mais nas células do câncer.

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Desvendando o elo: irisina, exercício e o desafio contra a demência

Por Heiliane de Brito Fontana – Departamento de Ciências Morfológicas – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

À medida que envelhecemos, nosso cérebro também passa por esse processo, e isso pode resultar em um declínio cognitivo. A demência é um desafio global para a saúde no século XXI, principalmente entre pessoas com mais de 65 anos. Seu impacto tem sido impulsionado nas últimas décadas, afinal – ainda bem – a ciência tem nos ajudado a reduzir mortes prematuras por doenças tratáveis, aumentando a longevidade.

Embora o envelhecimento do nosso cérebro seja um fato, a Comissão Lancet sobre Prevenção, Intervenção e Cuidados com a Demência alerta: “a demência de forma alguma é uma consequência inevitável de atingir a idade de aposentadoria, ou mesmo de entrar na nona década de vida”. Existem fatores que podem ajudar a modificar o declínio cognitivo, e a atividade física é um dos mais promissores e mais suportados por evidências. 

Estudos prospectivos, acompanhando milhares de indivíduos sem demência por longos períodos, revelaram que a atividade física possui um efeito protetor significativo contra o declínio cognitivo. Especificamente, exercícios de alta intensidade mostraram a maior eficácia na preservação da cognição. Além disso, o exercício reduz substancialmente o risco de desenvolver a doença de Alzheimer, chegando a uma diminuição de quase 50%. 

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