O " Cientistas descobriram que…" descreverá alguns dos principais achados científicos atuais numa linguagem simples. Nossos textos são escritos e revisados por pesquisadores que atuam em diversas áreas do conhecimento.
Por Ricardo Ruiz Mazzon, Dpto. de Microbiologia, UFSC
Nas décadas de 1960 e 1970, as sociedades encontravam-se em plena mudança comportamental e cultural, influenciadas pelo pós-guerra, revoluções tecnológicas, dentre outros fatores. Uma das consequências destas mudanças foi uma maior liberdade sexual comparada aos padrões sociais anteriores.
Junto à liberdade sexual também veio o aumento da incidência e prevalência de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) que, à época, ainda eram chamadas de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) – esta nomenclatura foi modificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apenas em 2016.
por Hélia Neves, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Os glioblastomas são os tumores mais comuns e agressivos que se originam no cérebro. O seu tratamento geralmente envolve cirurgia para a remoção da massa tumoral, seguida de radioterapia e quimioterapia. No entanto, quase todos estes tumores reincidem após tratamento… apresentando um mau prognóstico de sobrevivência.
Uma das importantes limitações do tratamento de tumores cerebrais é o difícil acesso dos fármacos ao tumor por via sistémica (através da circulação sanguínea). Isto acontece porque existe uma barreira natural protetora, a barreira hematoencefálica (BHE), que é altamente seletiva à passagem de substâncias do interior dos vasos para o sistema nervoso central.
Por Michelle T. Biz. Dpto. de Ciências Morfológicas, UFSC
Embora a cárie seja a doença mais conhecida do dente, esta não é a única a acometê-lo. A doença do periodonto (doença periodontal) também pode levar à perda de um dente por lesão dos tecidos de sustentação.
A palavra periodonto vem do latim e refere-se aos tecidos que estão ao redor do dente (perio, ao redor; odonto, dente) e estes garantem uma boa implantação e sustentação do dente no osso da maxila e mandíbula, sendo eles: o cemento, o ligamento periodontal e o osso alveolar. Quando ocorre uma inflamação/infecção com lesão destes tecidos, o dente pode perder sustentação. Hoje em dia, os tratamentos instituídos conseguem estacionar a progressão da doença periodontal, mas ainda não há um tratamento efetivo para a recuperação/regeneração destes tecidos, principalmente quando as perdas são mais extensas e complexas.
Por Paulo César Simões-Lopes – Dpto de Ecologia e Zoologia – UFSC
Não somos os únicos animais espertos é bem verdade. Muito antes da ciência avaliar com parcimônia os fenômenos complexos, já buscávamos soluções para nossa saúde usando outros caminhos menos ortodoxos. Quem não tomou um chazinho para melhorar a digestão ou resolver seu problema de gases?
Sim, já faz tempo que aprendemos, por tentativa e erro, a contornar alguns de nossos problemas, fosse um processo inflamatório, uma queimadura, a dor das picadas de abelha, a ansiedade insuportável ou uma prisão de ventre. Não só agora, mas muito cedo em nossa linhagem humana, raízes e folhas e flores e sementes e mesmo toxinas extraídas da pele de animais têm sido testadas por nós e usadas com algum sucesso. Há também crendices absurdas que são verdadeiros delírios, mas delas não trataremos aqui.
Por Bruno Costa Silva Champalimaud Centre for the Unknown Lisboa – Portugal
Em um trabalho liderado pelo cientista italiano Dr. Franco Locatelli demonstrou-se o potencial uso de uma nova modalidade de terapia antitumoral para o tratamento de cânceres pediátricos. Fonte da imagem: Briorender.
Tumores pediátricos representam apenas 1% da totalidade dos casos de câncer. Dentre estes, a maioria se refere a leucemias, linfomas e tumores cerebrais. Graças a avanços recentes no desenvolvimento de terapias mais eficientes, 80% das crianças acometidas por esses tumores se mantém vivas passados 5 anos do diagnóstico. Isso inclui tumores pediátricos menos frequentes como neuroblastomas, que correspondem a aproximadamente 7% dos tumores pediátricos, e que apresentam uma sobrevida de 75% num período de 5 anos. Entretanto, vale ressaltar que apesar deste percentual de sobrevida chegar a 95% em casos menos agressivos, este número cai para menos de 50% quando tumores mais agressivos estão presentes.
Além de serem mais capazes de se espalhar para outros órgãos na forma de metástases, tumores mais agressivos também costumam apresentar menor resposta a tratamentos existentes (ex. quimioterapias e radioterapias).
Por Giordano W. Calloni – Dpto. de Biologia Celular, UFSC
Olá, Leitores! Primeiramente, preciso confessar que eu estava trabalhando em outro texto para o Blog, quando no sábado, dia 06/05/23, me deparei com esta estonteante novidade. Detalhe: meu texto precisava ser entregue no dia 08/05/23. Não hesitei, “coloquei na gaveta” o texto que estava em andamento. Simplesmente não resisti ao impulso de contar esta novidade aos leitores do CDQ o quanto antes. Como o título desta postagem revela, algo extraordinário, que não acontece todos os dias, aconteceu: um grupo de pesquisadores acaba de identificar uma nova organela celular. A pesquisa foi publicada na prestigiada Revista Nature online no dia 03/05/23.
Para os menos familiarizados com o tema, as organelas das células são as estruturas responsáveis pelas diferentes funções que uma célula executa (Figura 1). Por exemplo: em eucariontes, temos o núcleo onde se encontra o DNA, repositório da informação genética. No citoplasma, os retículos endoplasmáticos, liso e rugoso, sintetizam lipídeos e proteínas, respectivamente; o complexo de Golgi processa e distribui as proteínas e lipídios. As mitocôndrias produzem energia. Os lisossomos e peroxissomos trabalham pela “limpeza” interna da célula. O citoesqueleto confere forma e motilidade e organiza os demais componentes intracelulares. Em células vegetais, os cloroplastos realizam a fotossíntese e os vacúolos armazenam diversas substâncias e fazem o controle osmótico.
Mas então, quem é essa nova organela? E o que ela faz? Parece que essa organela ainda não recebeu um nome definitivo, mas está sendo chamada nesse momento de corpos PXo (do inglês PXo bodies) (Figura 1, em amarelo). Entenderemos em breve o porquê de ela estar sendo chamada assim.
Figura 1: As principais organelas de uma célula animal e a organela recém-descoberta: Corpo PXo.
Por Virginia Meneghini Lazzari – Dpto. de Biologia Celular Embriologia e Genética, UFSC
A tecnologia de edição do DNA vem sendo utilizada para desenvolver cura e tratamentos para doenças, criar testes de diagnósticos, produzir variedades agrícolas resistentes às mudanças climáticas, entre outros. Os estudos de edição gênica são conduzidos principalmente em linhagens celulares ou em modelos animais. No entanto, este cenário vem mudando desde 2015. Cientistas descobriram que é possível editar o DNA de embriões humanos, causando debates na comunidade científica sobre os limites éticos implicados nesse novo passo da ciência. As discussões sobre o assunto tentam responder perguntas como: A técnica de edição gênica é segura para ser aplicada em embriões humanos? Quais seriam as consequências da criação de indivíduos “transgênicos” para as futuras gerações? Será que existe a real necessidade de editar o DNA de embriões ou existem alternativas mais seguras? Caso a edição gênica de embriões passe a ser utilizada, quais seriam os responsáveis pela supervisão ética da aplicação da técnica?
A edição do DNA utiliza a técnica CRISPR-Cas9 (que rendeu o prêmio Nobel de Química de 2020 às duas cientistas desenvolvedoras da técnica, Emmanuelle Charpentier à esquerda, e Jenifer A. Doudna, à direita. Fonte da imagem: CNN Brasil), que permite que os cientistas façam alterações genéticas com relativa facilidade.