Células-tronco do cérebro podem influenciar o ritmo do envelhecimento

Por Marco Augusto Stimamiglio – Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

A literatura científica tem demonstrado, constantemente, uma variedade de funções das células-tronco em nosso organismo. Inclusive durante a idade adulta, muitos tecidos do corpo humano produzem novas células a partir das células-tronco. Mesmo naqueles tecidos em que, até recentemente, se pensava não haver reposição de células, como coração e cérebro, os cientistas têm demonstrado haver renovação. Mais do que isso, as células-tronco têm sido relacionadas a uma série de funções importantes para a manutenção da própria vida. Recentemente, cientistas do Albert Einstein College of Medicine de Nova York descobriram que células-tronco do hipotálamo, região do cérebro capaz de controlar processos de envelhecimento do corpo (além de outras funções como crescimento, desenvolvimento, reprodução e metabolismo), apresentam diversos efeitos sobre a taxa de envelhecimento em camundongos.

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“Lab-on-a-glove”: um laboratório na palma de sua mão contra o terrorismo químico

Por Bruno José Gonçalves da Silva Prof. Dpto. de Química – UFPR

Fonte: Joseph Wang / University of California – San Diego

É triste começar um texto científico desta maneira, mas a verdade deve ser dita: vivemos em um mundo cada vez mais perigoso! Lamentavelmente, essa é uma realidade que descreve com precisão o estado de atenção que cerca nosso cotidiano, como evidenciado por uma série de atos chocantes de terrorismo ao redor do mundo. É comum nos noticiários, por exemplo, reportagens sobre explosões de bombas e liberação de gases tóxicos em ambientes de alta densidade populacional. Trata-se de uma forma de terrorismo conhecido como terrorismo químico, no qual Continuar lendo

Um dos porquês da fragilidade dos músculos…

Por Rita Zilhão, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal

Hoje vamos falar da função muscular, ou melhor, da falta do correto funcionamento da função muscular. A que nos estamos a referir? Poderia ser ao que se observa durante o envelhecimento, em que vai havendo um progressivo desgaste e perda de tecido muscular … e que nem a ginástica consegue resolver – e neste caso se está perante aquilo que se designa de atrofia muscular. Ou às diferentes situações de doença em que há uma fragilidade muscular que conduz a uma mobilidade reduzida, progressivamente incapacitante, podendo as pessoas perder a capacidade de se mover.

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O atlas das células humanas

Por Bruno Costa da Silva – Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Ao longo dos 14 anos passados desde a conclusão do projeto genoma humano, conhecido como o “código da vida”, muito se aprendeu sobre o livro de receitas que dita como células constroem e montam suas peças elementares, essenciais para a estrutura e funcionalidade de organismos. Por exemplo, aprendeu-se que seres humanos apresentam uma diferença em seu código genético de aproximadamente 0,1% entre si e de 4-5% quando comparados com chimpanzés, o que é muito menos do que se esperava no inicio deste projeto.

Inegáveis frutos ainda são colhidos de forma pujante em pesquisas que vão das áreas de biologia do câncer e de doenças degenerativas a pesquisas sobre padrões migratórios de populações humanas, passando pelo estudo da história das origens da espécie humana. Entretanto, apesar de conter a informação Continuar lendo

O que o GPS de seu carro e a ida do Homem à Lua tem em comum?

Por Keli Fabiana Seidel – Grupo de pesquisa em Bio-Optoeletrônica Orgânica– UTFPR 

Por tantas vezes ouvi pessoas falando algo como: “o Homem se sente orgulhoso de ter ido à Lua, mas não consegue sequer resolver os problemas aqui na Terra”. Sem querer entrar no mérito “do que é mais importante?”, apenas trago neste texto alguns dos avanços tecnológicos relevantes vinculados à exploração de viagens espaciais para que, então, possa mostrar que decorrente deste pequeno passo dado na Lua existe uma grande corrida tecnológica aqui na Terra.

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O que faz bater o seu coração? Os Macrófagos! Eles são electrizantes…

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

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Macrófagos (verde) “ligam” as células condutoras do coração (roxo) proporcionando o estímulo eléctrico que ajuda as células do coração a contrair. Fonte: Sciencenews

Os macrófagos [do grego, μακρος (macro, que significa grande) e φαγειν (fago, que significa comer)], são células de grandes dimensões que patrulham e limpam os tecidos do nosso corpo de debris (restos) celulares, substâncias estranhas, micróbios, células cancerosas e outros tipos de células do sangue (quando envelhecidas), através de um processo designado por fagocitose (“comer a célula”). Para além de fagocitarem, os macrófagos são células importantes do nosso sistema de defesa não-específica (imunidade inata) e também ajudam a iniciar mecanismos de defesa específicos (imunidade adaptativa), recrutando outras células do sistema imunitário (como os linfócitos).

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A bioluminescência dos fungos pode ser controlada… e utilizada

Por Elisandro Ricardo Drechsler-Santos – Depto. de Botânica e PPGFAP – UFSC

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“Se essa trilha
Se essa trilha fosse minha
Eu mandava
Eu mandava iluminar
Com micélio e cogumelos luminescentes
Para o meu
Para o meu amor passar”

Nesta paródia de uma das cantigas infantis mais populares menciono as espécies de fungos que emitem luz, que não fazem parte apenas das crendices populares. Esses fungos são reais, mas podem ser vistos na natureza somente à noite, em florestas totalmente escuras, longe das luzes das cidades, das lanternas, em noites sem a luz da lua ou dos raios que anunciam a chegada de uma tempestade. Por mais incrível que pareça, nessas condições de breu, é possível andar em uma trilha somente com a orientação das luzes esverdeadas emitidas pelas células dos fungos (micélio) que estão crescendo e decompondo as folhas no solo das florestas. Contando com um pouco mais de sorte, é possível ainda ver cogumelos inteiros brilhando na noite.

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