O atlas das células humanas

Por Bruno Costa da Silva – Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Ao longo dos 14 anos passados desde a conclusão do projeto genoma humano, conhecido como o “código da vida”, muito se aprendeu sobre o livro de receitas que dita como células constroem e montam suas peças elementares, essenciais para a estrutura e funcionalidade de organismos. Por exemplo, aprendeu-se que seres humanos apresentam uma diferença em seu código genético de aproximadamente 0,1% entre si e de 4-5% quando comparados com chimpanzés, o que é muito menos do que se esperava no inicio deste projeto.

Inegáveis frutos ainda são colhidos de forma pujante em pesquisas que vão das áreas de biologia do câncer e de doenças degenerativas a pesquisas sobre padrões migratórios de populações humanas, passando pelo estudo da história das origens da espécie humana. Entretanto, apesar de conter a informação Continuar lendo

Como desvendar novas mutações em doenças genéticas não diagnosticadas?

Por Marco Augusto Stimamiglio

Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

Muitas vezes, o diagnóstico de doenças genéticas não é possível de ser realizado por meio de estudo dos genes de um paciente (avaliação do material genético através do sequenciamento de DNA), como ocorre em cerca de 60% dos casos. Até mesmo quando os médicos conhecem o histórico dos pacientes e sabem que se trata de doenças genéticas hereditárias, ainda assim, em alguns casos, encontrar as mutações que estão causando tal doença pode não ser uma tarefa fácil de ser realizada pelo sequenciamento de DNA (hoje uma técnica científica bastante corriqueira).

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Algumas artimanhas do vírus da gripe

Por Rita Zilhão                                                                                                                                          Faculdade de Ciências de Lisboa – Portugal

O ciclo de vida do virus IAV. Nature Reviews Microbiology (2011) 9, 590-603

O ciclo de vida do virus IAV.
Nature Reviews Microbiology (2011) 9, 590-603

O Vírus da Gripe A (IAV – influenza A virus) apresenta um grande desafio para a saúde pública. Esse vírus infecta as células epiteliais do trato respiratório, causando a sintomatologia gripal por todos nós conhecida e já de alguma forma por nós vivida. Mas, mais grave ainda, é que é um vírus persistente e que tem sido responsável por diversas epidemias (surtos relativamente Continuar lendo

O despertar da era dos exossomos: serão os antigos lixeiros promovidos a carteiros?

Por Bruno Costa da Silva                                                                                                 Pesquisador na Medical College, Cornell University/Nova Iorque – EUA

Para ouvir o áudio do texto com o autor, clique aqui.

Bruno CS - imagemEm um ramo que vem tomando força na última década, cientistas começaram a revisitar antigos conceitos sobre o que até então se entendia como “os lixeiros das células”, ou mais formalmente falando, os exossomos. Apesar do seu pequeno tamanho (em torno de 100 nanômetros, o que se compara ao tamanho de um vírus ou de 0,2 a 1% do tamanho de uma célula), os exossomos são formados por diversos componentes presentes nas células, em especial os lipídeos e as proteínas. Continuar lendo

Origem e evolução funcional dos cromossomos Y em mamíferos

Por Leonardo Koerich                                                                                                                            Professor do Dpto. de Genética na UFRJ                                                                                            Para ouvir o áudio do texto com o autor, clique aqui.

Leonardo figuraCientistas descobriram que o cromossomo Y se originou três vezes, independentemente, em mamíferos e aves (e isso é fantástico). Essa foi a principal conclusão do artigo sobre origem do cromossomo Y publicado em abril deste ano na revista Nature [1]. Os autores demonstraram que a origem do cromossomo Y dos mamíferos placentários e marsupiais (Theria), contendo o gene de determinação sexual SRY, teria surgido cerca de 180 milhões de anos atrás. Já o cromossomo Y dos mamíferos monotremados Continuar lendo