Os cientistas precisam falar sobre sacerdócio

Por Paula Borges Monteiro – Grupo de Estudos em Tópicos de Física – IFSC

Science, capa do volume 375 de 04 março de 2022.

Você pode imaginar que este texto é sobre a missão exercida por religiosos ou um conteúdo abordando ciência e fé. Não! “Sacerdócio” é o termo utilizado em uma série de seis artigos da revista Science que falam sobre Físicos Negros. A seção especial ocupa a capa da edição de 4 de março de 2022.

Muitos assuntos explicados por Cientistas Descobriram Que… foram publicados nas revistas científicas mais conceituadas e influentes do mundo. Os cientistas submetem seus trabalhos que são analisados e revisados por outros pesquisadores e aceitos ou não para publicação. O aceite depende, além do mérito científico e da originalidade, das características da revista que, algumas vezes, além de importantes investigações científicas, focadas ou não em determinada área, publica notícias, oportunidades e implicações da ciência na política e na sociedade. É o caso da revista Science, uma das mais prestigiadas do mundo, publicada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência.

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A mutação gênica que predispõe os seres humanos à aterosclerose

Por Marco Augusto StimamiglioInstituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR 

Estudos científicos que tratam da evolução da humanidade sugerem que a perda de genes foi decisiva na origem de nossa espécie. Estima-se que, entre 2 e 3 milhões de anos atrás, os humanos perderam a função de um gene com a sigla CMAH (proveniente do nome em inglês CMP-Neu5Ac Hydroxylase) . Esse gene permanece atualmente ativo em outros primatas não humanos. A mutação no gene CMAH aumentou a resistência dos nossos ancestrais para correr longas distâncias. Esta ‘vantagem adaptativa’ pode ter sido decisiva na conquista de novos territórios e na fuga de predadores, por exemplo. Naturalmente, é razoável considerar que não foi apenas essa mutação individual que nos trouxe tão atrativa adaptação, mas, possivelmente, também a perda de pelos ​​e a expansão das glândulas sudoríparas tenham ajudado a manter esses ‘maratonistas’ arejados. Seja como for, os cientistas ainda não sabem muito sobre as alterações celulares que nos proporcionaram maior resistência na corrida quando comparados aos macacos. Continuar lendo