Ativismo quântico, cura quântica e terapia quântica: fé, ciência e licença poética

Por Paula Borges Monteiro Grupo de Estudos em Tópicos de Física – IFSC

Fonte: Vectorcontactcenter. Acesso em abril de 2019.

Diferente da maioria dos textos publicados pelo CDQ, cujo objetivo principal é descrever avanços científicos em uma linguagem acessível, este texto pretende provocar uma reflexão sobre o que podemos compreender acerca da natureza e em que acreditamos.

Se você busca entender o que é ativismo quântico, cura ou terapia quântica, infelizmente este não é o lugar correto. Mas se você gostaria de entender qual o papel da Física em nosso mundo, pode ser que fique satisfeito. A Física é uma ciência que estuda a natureza, observando seus fenômenos, construindo modelos e relações para explicá-los e prevendo suas consequências. O reconhecimento de uma relação física, como por exemplo, P = m.g (peso é igual à massa vezes a aceleração da gravidade), está intimamente relacionado à reprodutibilidade de resultados. Dentro das condições previstas para a validade dessa equação, sempre é encontrado que o valor do peso de um corpo é igual ao valor de sua massa multiplicada pela aceleração da gravidade. Tudo isso pode ser quantificado e o peso de algo pode ser previsto se conhecemos sua massa. O que acontece se, em alguma situação, a equação não “funcionar”? Se a utilização estiver correta, a teoria pode precisar ser revista, sendo necessário acrescentar ou suprimir algum pressuposto ou ainda ser reformulada. Continuar lendo

A Odontologia brasileira é uma das melhores do mundo!

Por Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

A Odontologia do Brasil está entre as melhores do mundo. Essa afirmação, apesar de verdadeira, parece contraditória, pois nossas condições gerais de educação e saúde encontram-se em um nível bastante baixo. Como isso pode acontecer? Qual seria a origem de tanta contradição? Continuar lendo

As células-tronco esqueléticas humanas existem!

Por Marco Augusto Stimamiglio, Instituto Carlos Chagas – Fiocruz/PR

Em um estudo publicado em setembro de 2018 na renomada revista científica Cell, pesquisadores dos Estados Unidos, Áustria e Japão, identificaram em um trabalho conjunto, três anos após a descoberta de células-tronco esqueléticas em camundongos, a versão humana desse precursor de osso, cartilagem e estroma (células de suporte da medula óssea). Os cientistas mostram que essas células-tronco esqueléticas são autorrenováveis e multipotentes.

Para divulgar seu trabalho, eles mesmos produziram um vídeo que retrata o diálogo entre uma célula óssea (osteócito) e uma célula de cartilagem (condrócito). O vídeo em inglês, assim como o artigo na íntegra, podem ser acessados através deste link. E a estória se passa assim:

Osteócito: Você já se perguntou sobre a nossa ancestralidade?

Condrócito: Bem! Desde que as células progenitoras do osso foram descobertas nos camundongos esse pensamento ronda meu pensamento… Continuar lendo

Liberação lenta de Sinvastatina pode auxiliar o processo de regeneração pulpar

Por Michelle Tillmann Biz – Dpto. de Ciências Morfológicas / UFSC

Não é de hoje que os cientistas se empenham para encontrar alternativas mais biológicas para a restauração de dentes visando à regeneração pulpar (ver post anterior). Tudo que temos hoje em dia à disposição para a restauração de dentes em que a cárie já atingiu a polpa (tecido que dá a vitalidade e sensibilidade aos dentes, vide figura 1), é o uso de medicações e materiais sintéticos.

Figura 1: Tecidos que compõe o dente. Dentina, esmalte e cemento são tecidos mineralizados; enquanto a polpa dentária é o tecido que dá vitalidade e sensibilidade ao dente.

As medicações funcionam como uma alternativa para manter o tecido remanescente, mas não são capazes de promover a regeneração da polpa dentária, muitas vezes falhando no seu objetivo inicial. Nesse sentido, cientistas buscam alterativas biológicas para mediar o processo de regeneração desse tecido quando o mesmo for lesionado pela cárie. E é nesse contexto que um grupo brasileiro de CIENTISTAS DESCOBRIRAM QUE… a liberação lenta de sinvastatina, contida em arcabouços de quitosana, aumenta a quimiotaxia (atração) e o potencial de regeneração de células pulpares, podendo ser um biomaterial a ser considerado como uma alternativa para a estimulação da regeneração do complexo polpa-dentina. Continuar lendo

Caminho da liberdade para pacientes com doenças renais

Por Renata  Kaminski, Dpto. de Química, UFS / Aracajú – SE

Existem mais de 3 milhões de pacientes com doenças renais em estágio final, que não têm outra alternativa que não seja diálise ou transplante renal. A quantidade de transplantes renais não é suficiente para atender a todas essas pessoas e a maioria acaba tendo que realizar diálises constantes, que, de certa forma, diminuem a liberdade ou mesmo incapacitam os pacientes.  O tratamento de diálise normalmente prescrito é em torno de 9-12h por semana, ligado a uma máquina de filtração do sangue, o que diminui consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes. Diálises mais frequente e longas levam a resultados melhores. Continuar lendo

O importante é ter saúde: lições sobre a resistência a tumores aprendidas com ratos-toupeira-pelados

Por Bruno Costa da Silva – Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

RUFUS rato-toupeira do desenho animado Kim (Foto: Divulgação Disney)

Linhas de investigação que buscam novos tratamentos para pacientes com câncer, em sua enorme maioria, focam em entender como pessoas inicialmente saudáveis podem, em algum momento de suas vidas, desenvolver doenças oncológicas. Apesar de muito bem-sucedida, essa abordagem peca por desconsiderar o fato de que (ainda bem) a maior parte das pessoas não desenvolve câncer durante o seu período de vida. Dessa forma, dependendo do ângulo que se olhe para o problema, pode-se considerar que, como espécie, os humanos são, em sua maioria, resistentes ao desenvolvimento de cânceres. Com isso em mente, ao invés de perguntarmos “Por que algumas pessoas desenvolvem câncer” não seria o caso de perguntarmos “O que a maioria dos humanos tem de especial que os tornam imunes ao desenvolvimento de cânceres” Continuar lendo

Materiais autorreparáveis

Por Caroline Pereira Martendal – Dpto. De Engenharia Mecânica, UFSC 

Cofundadora do blog Engenheiro de Materiais

Figura 1: Autorreparo por adição de agentes reparadores. Adaptado de WHITE et al. (2001)

Materiais falham a todo o momento, seja por envelhecimento, desgaste, fadiga ou ação de defeitos concentradores de tensões. Exemplos desses concentradores são os furos nas sacolas plásticas, que fazem com que elas se rasguem mais facilmente, ou os vários poros que existem no interior de tijolos, que os fragilizam, tornando-os quebradiços. A ação humana é necessária para eventuais reparos, substituições ou medidas preventivas para evitar que um componente falhe. Se os materiais pudessem se reparar sozinhos, portanto, nossa vida seria simplificada. Pensando nisso, vários grupos de pesquisa ao redor do mundo iniciaram estudos sobre materiais autorreparáveis a partir dos anos 2000. Nos próximos parágrafos, serão apresentados quatro dos mecanismos eficazes de autorreparação que eles descobriram. Continuar lendo