Luz, internet, ação!

Por Paula Borges Monteiro Grupo de Estudos em Tópicos de Física – IFSC

O termo WiFi, do inglês Wireless Fidelity (fidelidade sem fio), indica uma eficiente transmissão de dados sem a utilização de um meio físico, como um cabo ou fio. Essa forma de comunicação é cada vez mais comum para conectar-nos ao mundo. Podemos entender o seu funcionamento a partir de uma analogia com outro método de transmissão de mensagens mais antigo, o código Morse.

O código Morse é um sistema de comunicação que utiliza um conjunto de sinais gráficos, sonoros ou luminosos, curtos e longos, para representar cada letra, número ou pontuação de uma mensagem. Suponha que queremos enviar a palavra LUZ. Note que há duas etapas: a codificação das letras em sinais e a utilização do som para representar esses sinais (encurtar ou alongar a emissão sonora). Em uma transmissão WiFi, no lugar do som, utilizamos ondas eletromagnéticas (radiação não visível). Cada sinal é representado por alguma alteração nas características dessa onda. Continuar lendo

Bactérias podem controlar o aparecimento de melanomas

Por Bruno Costa da Silva – Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal 

Para os queridos leitores mais assíduos, que acompanham as matérias do blog cientistas descobriram que, o título desta nova matéria pode, com razão, parecer uma contradição ao que publicamos no final do último mês de outubro, quando falamos da descoberta de que bactérias podem consumir agentes antitumorais e contribuir para casos de resistência de tumores a tratamentos. De fato, tem se observado, em diversos campos das ciências biológicas e médicas, que as bactérias presentes no nosso corpo servem não apenas para nos deixar doentes como para ajudar as empresas de cosmético a venderem desodorantes. Além disso, tem se observado que ao interagir com as nossas células humanas, essas bactérias exercem papéis cruciais para a nossa saúde. Continuar lendo

Fósseis de fungos nos ajudam a contar a história da vida no planeta

Por Felipe Bittencourt & Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, Dpto. BOT-CCB, PPGFAP – UFSC

FIGURA 1: Gondwanagaricites magnificus (A) foto do fóssil de cogumelo mais antigo, depositado no Herbário URM da Universidade Federal de Pernambuco. (B) Desenho interpretativo do cogumelo fóssil, mostrando regiões anatômicas que comprovam a identidade fúngica (fonte: artigo original Heads et al. 2017).

O cogumelo fóssil mais antigo, batizado de Gondwanagaricites magnificus (Figura 1), foi encontrado recentemente no nordeste brasileiro, mais especificamente na Formação Crato da Chapada do Araripe (Ceará). Com aproximadamente 115 milhões de anos (ver artigo 2 abaixo), o fóssil é a prova que os cogumelos são tão antigos quanto o super continente Gondwana, que reunia os atuais continentes do hemisfério sul do planeta.

A formação de um fóssil requer uma série de eventos para que o organismo ou sua impressão sejam preservados. Por sua vez, os fósseis de fungos são raros, o que se deve ao fato de que poucas espécies produzem estruturas rígidas. Por este motivo, a paleomicologia, ciência que estuda os fósseis de fungos, ainda caminha a passos curtos.

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Células-tronco regeneram medula espinhal! Será que dessa vez é para valer?

Por Ricardo Castilho Garcez, Dpto. de Biologia Celular, Embriologia e Genética – UFSC

Fonte: Aidiscam

Depois de 30 anos de pesquisas, no início de 2018, um grupo de pesquisadores demonstrou que enxertos de células progenitoras neurais podem regenerar medulas lesionadas de macacos.

Para os leitores que acompanham as descobertas científicas na área de regeneração de lesões medulares, essa notícia pode não parecer novidade, afinal, há muito tempo notícias semelhantes são vinculadas na mídia! A revista americana Science, na qual a citada descoberta foi publicada, estaria divulgando notícias antigas como sendo novas? Será que até a prestigiada Science entrou na onda das fake news?

A resposta é não! Mas você entenderá o porquê dessa notícia parecer antiga.

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Modulação dos telômeros para impedir a sua instabilidade: característica das células cancerígenas e em envelhecimento

Por Rita Zilhão, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal

Figura 1 – Estrutura do telómero

As nossas células têm 23 pares de cromossomas e durante a divisão celular o DNA cromossómico terá que replicar de forma que uma cópia de cada cromossoma seja transmitida a cada uma das duas novas células-filhas que se formam. Acontece que, nos organismos eucariotas*, devido a particularidades do processo de replicação, as enzimas responsáveis por esse processo não conseguem duplicar a sequência de DNA até às extremidades dos cromossomas. Quais seriam as consequências disto? De cada vez que uma célula/DNA replicasse as extremidades dos cromossomas corriam o risco de ficarem encurtadas e, consequentemente, perder-se a informação genética aí contida.
Existe, contudo, um mecanismo que compensa esse problema: uma enzima, a telomerase, reconstitui as extremidades dos cromossomas lineares acrescentando-lhe sequências de DNA que se repetem sucessivas vezes (DNA repetitivo). Nos Continuar lendo

O que o cromossomo X pode nos contar?

Uma descoberta que nos ensina sobre o comportamento do cromossomo X durante o desenvolvimento humano e sobre como a ciência se desenvolve.

Por Yara Costa Netto Muniz – Dpto de Biologia Celular, Embriologia e Genética/UFSC

Usando apenas computadores e os resultados de experimentos realizados por outros cientistas, disponíveis em banco de dados públicos mundiais, os cientistas (brasileiros) descobriram que durante o desenvolvimento embrionário o cromossomo X em humanos se comporta de forma diferente do que havia sido recentemente descrito por outros cientistas (suecos). Esse trabalho, coordenado pela Dra Lygia V. Pereira (Chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias – LaNCE) nos ensina sobre um mecanismo importante para o desenvolvimento do embrião humano e também sobre o desenvolvimento da ciência.

A descoberta foi baseada na identificação e quantificação de todo o RNA de uma única célula (scRNA-seq) de embrião humano (célula-tronco embrionária) em diferentes Continuar lendo

Ferro… um novo ingrediente da morte celular!

Por Rafael Diego Rosa – Dpto de Biologia Celular, Embriologia e Genética/UFSC

Que o ferro faz bem para a saúde todo mundo sabe, mas o que muitos desconhecem é que ele é um dos principais protagonistas de um novo mecanismo de morte celular programada. Cientistas da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, descobriram que o desbalanço intracelular de ferro compromete as defesas antioxidantes levando a célula a acionar um tipo de morte batizado de ferroptose (do latim “ferrum” que significa ferro e do grego “ptosis” que significa queda). Atualmente, mais de 10 tipos de mortes celulares programadas foram reconhecidos pelo Comitê Internacional de Nomenclatura sobre Morte Celular (The Nomenclature Committee on Cell Death) que analisa e classifica os diferentes processos de morte das células. Além da apoptose, as células contam com os mecanismos de morte autofágica, necroptose, piroptose, parthanatos, anoikis… Nossa! Quantas maneiras diferentes elas inventaram para morrer!!

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